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Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn.

Família: TALINACEAE

Nome científico: Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn.

Nome popular: major-gomes, beldroegão

 

Talinum paniculatum - flor - Klaus Wehrlin

Foto: Klaus Wehrlin / Creative Commons BY-NC

Talinum paniculatum - beingplace

Foto: beingplace / Creative Commons BY-NC

Talinum paniculatum - Klaus Wehrlin

Foto: Klaus Wehrlin / Creative Commons BY-NC

Talinum paniculatum - 陳度度

Foto: 陳度度 / Creative Commons BY

Talinum paniculatum - farkomer

Foto: farkomer / Creative Commons BY-NC-ND

Talunum paniculatum - Nahuel

Foto: Nahuel / Creative Commons BY-NC

Talinum paniculatum - Robert Lafond

Foto: Robert Lafond / Creative Commons BY-SA

Talinum paniculatum - 阿橋 HQ

Foto: 阿橋 HQ / Creative Commons BY-SA

Talinum paniculatum - Isis Medri

Foto: Ísis Medri

Barra exsicata

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Exsicata - Talinum paniculatum

Foto: Sandra Zorat Cordeiro

Barra verde - características

Talinum paniculatum, conhecido como beldroegão ou major-gomes, é uma planta herbácea nativa da América Tropical e que, além de medicinal e ornamental, figura entre uma das PANC de maior sucesso ente os adeptos da alimentação natural, nutritiva e alternativa às monoculturas tradicionais.  

Esta espécie se caracteriza como uma planta perene, herbácea, ereta e suculenta, atingindo até 80 cm de altura, com raiz pivotante e tuberosa. Seu caule é cilíndrico, carnoso, ceroso e ereto, com folhas simples dispostas em rosetas basais cujos entrenós se alongam com o tempo, assim, as folhas passam a apresentar filotaxia helicoidal. As folhas são levemente carnosas, glabras, com curtos pecíolos, lâmina obovada com margens inteiras, base atenuada a cuneada e ápice obtuso ou arredondado. Suas flores estão agrupadas em densas inflorescências tipo panícula, desenvolvidas na extremidade de um escapo floral característico, o que facilita em muito sua identificação quando fértil. As flores são pequenas, pedunculadas, cálice com duas sépalas e corola pentâmera, dialipétala, de cor geralmente rosada, mas podendo ocorrer em tons amarelados ou avermelhados. Filetes, estilete e estigma róseos, anteras e ovário amarelos. As flores são delicadas e a inflorescência é bastante interessante do ponto de vista ornamental. Seus frutos são pequenos, tipo cápsula, globosos, de cor vermelha em diferentes e brilhantes matizes; sementes pequenas e pretas, também brilhantes. 

Na medicina tradicional, o Talinum paniculatum é indicado para o tratamento de doenças de pele, como afecções e feridas, apresentando propriedades adstringentes, bactericidas e emolientes, devido à mucilagem presente em suas folhas. Na culinária, o sabor suave e o alto teor proteico e mineral de suas folhas (principalmente ferro, potássio, magnésio, cálcio e zinco) fazem desta espécie uma PANC das mais populares, sendo considerada uma excelente hortaliça: pode ser consumida in natura, em saladas ou no preparo de sucos verdes; cozida ou refogada, como uma espécie de espinafre, e utilizada como recheio de tortas, omeletes e pastéis, ou no preparo de patês, cremes, sopas e pães. 

Além das suas propriedades medicinais e alimentícias, o Talinum paniculatum é uma espécie ruderal, desenvolvendo-se facilmente em beiras de estrada, terrenos baldios e áreas agrícolas, onde é considerado uma erva daninha, com potencial altamente invasor. Introduzida no continente africano como planta ornamental e alimentícia, espalhou-se rápida e agressivamente por toda a África Tropical, principalmente na Nigéria. Mesmo assim, a despeito do seu comportamento invasivo, é cultivada como ornamental e suas sementes são muito comercializadas1, tanto aqui como em outros países.

O nome do gênero, Talinum, possui uma etimologia pouco clara. Na literatura taxonômica, há suposição de que derive originalmente do grego Θάλεια (thaleia) que provém de Θαλλω (thallos) e significa algo como "brotar abundantemente" ou "florescer". Seu epíteto específicopaniculatum, é uma referência à panícula, o tipo de inflorescência da espécie. A palavra panícula deriva do latim pannicum, que significa "milho": as inflorescências semelhantes àquelas que carregam as flores masculinas do milho passaram a ser chamadas de panículas.

Seu nome popular, major-gomes, remonta à época do Brasil Império, mais precisamente, em 1861. Na ocasião, a Floresta da Tijuca estava devastada em grande parte da sua extensão pelo avanço da lavoura cafeeira, o que acabou causando uma crise de abastecimento de água na capital do Império, a cidade do Rio de Janeiro. A fim de reverter a falta de água, o imperador D. Pedro II nomeou o Major Manuel Gomes Archer como Administrador da Floresta e responsável pelo seu replantio. Ao longo de 12 anos, mais de 100 mil mudas de diversas espécies, principalmente espécies nativas, foram plantadas na Floresta da Tijuca tornado-a o que é hoje: a maior floresta urbana do mundo. Por conta de alguma homenagem ou associação não encontrada na literatura consultada, o Talinum paniculatum acabou ficando conhecido popularmente pelo nome do Major que comandou a bem sucedida empreitada.

Ao redor do mundo, no entanto, esta espécie é conhecida como joia-de-opar (jewel of Opar), um nome poético com origem um tanto inusitada. Opar é uma cidade fictícia, ornamentada com minaretes e domos de ouro, tesouros e pedras preciosas, localizada num vale perdido nas profundezas da selva africana; foi criada pelo romancista Edgar Rice Borroughs para ambientar uma aventura de Tarzan2, o rei da selva, escrita em 1915. Tarzan descobre Opar e seus tesouros e, entre uma aventura e outra, acaba sempre voltando para esta cidade a fim de reabastecer sua fortuna. O nome joia-de-Opar é uma referência à semelhança que os frutos do Talinum paniculatum e suas diferentes matizes vermelhas têm com os rubis, pedras preciosas extremamente raras e valiosas.  

Talinum paniculatum, do brasileiro major-gomes às internacionais joias-de-opar. Uma história que liga a imperial, deslumbrante e carioca Floresta da Tijuca até a fictícia, opulenta e africana Opar. Joias vermelhas agrupadas em panícula. Rubis maduros que guardam sementes de uma planta resistente e de beleza singular. Tesouros da biodiversidade que podem estar esperando para serem descobertos à beira de uma estrada qualquer... 

 

 Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

 

NOTAS

 

1 - Cartaz anunciando a venda de sementes de Talinum paniculatum por empresa norte-americana:

Cartaz sementes - Talinum paniculatum

Foto: Pinterest

 

2 - Capa da versão e-book de "Tarzan e as Joias de Opar", lançada em 2011, do original de 1915, de E.R. Borroughs:

Joias de Opar

Foto: Cultura Digital

 

  ** Nossos agradecimentos à Dra. Ísis Medri pela belíssima imagem de Talinum paniculatum no seu habitat natural.

  Barra verde - referências bibliográficas

Biovert. Obrigado, Major Archer. Disponível em: http://www.biovert.com.br/obrigado-major-archer/. Acesso em: 01 Dez. 2020.

Brasiliana Fotográfica. Manuel Gomes Archer. Disponível em: http://brasilianafotografica.bn.br/?tag=manuel-gomes-archer. Acesso em: 01 Dez. 2020.

Chace, T.D.; Llewellyn, R. Seeing Seeds: A Journey into the World of Seedheads, Pods, and Fruit. Portland: Timber Press. 2015. 

GBIF - Global Biodiversity Information Facility. Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn. Disponível em: https://www.gbif.org/pt/species/3084672. Acesso em 29 Nov. 2020. 

Hassemer, G. Talinaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB20629347. Acesso em: 29 Nov. 2020.

Kinupp, V.F.; Lorenzi, H. (2017) Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Reimpressão, São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora.

Mato no prato. Major-gomes. Disponível em: https://matonoprato.com.br/2019/08/23/major-gomes/. Aceso em: 01 Dez. 2020.

Mendoza F., J.M.; Wood, J.R.I. Taxonomic revision of Talinum (Talinaceae) in Bolivia with a note on the occurrence of Phemeranthus (Montiaceae). Kew Bulletin, v. 68, n. 2, p. 233-247, 2013.

Miller, S.G. Me Tarzan, you Jane, that Talinum paniculatum. Disponível em: https://davesgarden.com/guides/articles/view/3335. Acesso em: 01 Dez. 2020.

Moreira, H.J.C.; Bragança, H.B.N. (2011) Manual de identificação de plantas infestantes - Hortifrúti. São Paulo: FMC Agricultural Products.

Phillips, S.M. (2002) Portulacaceae. In: Beentje, H,J.; Smith, S.A.L. Flora of Tropical East Africa. Rotterdam: A.A. Balkema/Brookfield. 

Quattrocchi, U. CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants: Common Names, Scientific Names, Eponyms, Synonyms, and Etymology. Reimpressão. Boca Raton: CRC Press. 2012.

Ranieri, G.R. Matos de comer - Beldroegão, major-gomes, Talinum paniculatum. Disponível em: http://www.matosdecomer.com.br/2014/11/beldroegao-uma-das-verduras-mais-belas.html. Acesso: 29 Nov. 2020.

Rodrigues, M.I.A.; Furlan, A. (2012). Portulacaceae. InWanderley, M.G.L.; Shepherd, G.J.; Giulietti, A.M. Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. v. 2, p. 261. Disponível em: https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/institutodebotanica/wp-content/uploads/sites/235/2016/06/FFESP-Volume-II_06_24.pdf. Acesso em 16 Set. 2020.

Teixeira, L. Portulacaceae da cidade do Rio de Janeiro. Rodriguésia, v. 21/22, n. 33/34, p. 299-316, 1959

Vieira, A.C. Atividade antibacteriana e características químicas e fitoquímicas de Talinum paniculatum (Jacq.) Gaertn. (major-gomes). 2014. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos). Instituto de Ciências e Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. 

Vieira, A.C.M.; Conceição, C.C.N.; Moura, M.R.L.; Soares, N.F.; Emídio, R.L.; Almeida, T.V.P.A. Manual sobre Plantas Alimentícias Não-Convencionais. Volume 1. 1ª. ed. Rio de Janeiro: CERCEAV, 2018. 

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