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Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl

Família: VERBENACEAE

Nome científico: Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl

Nome popular: gervão

 

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 2

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 3

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 1

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 4

Fotos: Alice Worcman - Organicidade

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 6

Stachytarpheta cayennensis - Canto das Flores 5

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

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Stachytarpheta cayennensis - Exsicata corrigida

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Stachytarpheta cayennensis, o popular gervão, é uma planta originária da América Central e do Sul, sendo naturalizada nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo. Apesar de ser usada como ornamental, seu plantio, cultivo doméstico e comercialização (totalmente baseada no extrativismo) ocorrem fundamentalmente pela suas amplas e comprovadas propriedades medicinais. 

O gervão se apresenta como um subarbusto com ramificação dicotômica, atingindo entre 1 e 1,5 m de altura. Seu caule é pubescente e possui filotaxia oposta-cruzada, com folhas elípticas a ovaladas, pecioladas, de base atenuada, decurrente e com ápice agudo. As folhas ainda possuem margem crenado-serrada, com face adaxial glabra e face abaxial pubescente. Suas inflorescências são do tipo espiga, com brácteas protegendo as flores que estão inseridas nas cavidades do eixo da inflorescência. As flores são violetas, azuis ou lilases, zigomorfas, de corola hipocrateriforme, levemente curvada, com cinco lacínios. Seus frutos, com cálice persistente, são secos, muito pequenos, de cor marrom, com superfície reticulada.

Introduzida em outros países como uma planta ornamental, por causa das suas belas e delicadas inflorescências com flores azuladas que atraem abelhas e borboletas, a Stachytarpheta cayennensis possui fácil adaptação e alta tolerância ambiental, características que fazem dela uma espécie ruderal - encontrada em terrenos baldios, pastagens e beiras de estradas, sendo considerada potencialmente invasora, com restrição de cultivo e controle de dispersão principalmente na Austrália e inúmeras ilhas do Pacífico.

Nas Américas Central e do Sul, por sua vez, o gervão é muito utilizado pela medicina tradicional, com dezenas de aplicações populares, muito difundidas, principalmente, entre os indígenas. Tribos do México ao Panamá, e também no Brasil, utilizam o gervão no tratamento de inflamações, contra problemas respiratórios e contra sintomas da malária; entre os indígenas da Guatemala, é também usado para combater fraqueza e febre, já entre as tribos do Peru, é usado contra a diabetes. As raízes são utilizadas para aliviar dores no corpo e reumatismo; seu chá e tintura servem para problemas estomacais e para amenizar sintomas de gripe e resfriados; as folhas possuem propriedades anti-eméticas, anti-diarreicas, diuréticas e cicatrizantes. Estudos científicos comprovam a presença de metabólitos secundários com propriedades anti-inflamatórias, antimaláricas e anti-leishmanióticas. Além de medicinal, o gervão é uma PANC: suas pequenas flores possuem um suave sabor adocicado e são utilizadas como ornamentação comestível em saladas.

O gervão também é considerado uma planta mística, devido à crença na sua suposta capacidade de livrar as pessoas de espíritos malignos. Nas religiões afro-brasileiras é utilizado como folha sagrada para preparação de banhos de descarrego e amacis de cabeça (mistura de ervas, pedras e água - de cachoeira, rio, chuva ou mar, que é energizada ritualisticamente através de orações e aplicada na cabeça dos iniciados para facilitar incorporações mediúnicas em cerimônias religiosas). Há ainda lendas, que contam que as flores do gervão servem de alimento às fadas, seres mitológicos que habitam jardins e criam uma atmosfera de encantamento e fantasia. 

O nome do gênero, Stachytarpheta, é proveniente das palavras gregas στᾰχυϛ (stáchys) que significa espiga e ταρφύς (tarphýs) que significa denso, compacto, em uma referência direta à inflorescência do gervão. Seu epíteto específico, cayennensis, se reporta à Caiena, capital da Guiana Francesa (Cayenne, em francês), por ser o local de ocorrência do primeiro espécime descrito, por Martini Vahlii em 1805. Seu nome popular, gervão, provém da simplificação das palavras urgebão ou urgevão, usadas para denominar a verbena (Verbena officinalis L.), uma planta proveniente do continente europeu que também pertence à família Verbenaceae. Como tempo, as palavras se distanciaram uma da outra, passando a denominar plantas distintas.

Com múltiplos usos medicinais e atividades farmacológicas comprovadas, a Stachytarpheta cayennensis é uma planta medicinal de uso ancestral no continente americano. Suas inúmeras propriedades terapêuticas justificam sua presença no Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais do SUS, iniciativa que faz parte das Políticas Públicas em Plantas Medicinais e Fitoterápicos - uma estratégia no âmbito da saúde pública que coloca o conhecimento científico na certificação, resgate, valorização e preservação do saber popular.

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro 

 

Para se encantar com o gervão:

 

** Nossos agradecimentos:

  • à Alice Worcman, do Organicidade, pelas belas fotos da Stachytarpheta cayennensis

 

Barra verde - referências bibliográficas

Acta Plantarum. Etimologia dei nomi botanici e micologici. Disponível em: https://www.actaplantarum.org/etimologia/etimologia.php. Acesso: 14 Set. 2020.

Atkins, S. The Genus Stachytarpheta (Verbenaceae) in Brazil. Kew Bulletin, v. 60, n. 2, p. 161-272, 2005.

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Cardoso, P.H.; O’Leary, N.; Salimena, F.R.G. Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil: Verbenaceae. Rodriguésia, v. 69, n. 3, p. 1397-1403, 2018

Froelich, S.; Gupta, M.P.; Siems, K.; Jenett-Siems, K. Phenylethanoid glycosides from Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl, Verbenaceae, a traditional antimalarial medicinal plant. Revista Brasileira de Farmacognosia, v.18, n.4, p. 517-520 , 2008.

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Santos, J.S. Filogenia e diversidade do gênero Stachytarpheta Vahl (Verbenaceae). 2015. Tese (Doutorado em Botânica), Departamento de Biologia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Recife.

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Vahlii, M. Enumeratio plantarum: vel ab aliis, vel, ab ipso observatum, cum earum differentiis specificis, synonymis selectis et descriptionibus succinctisHauniae: Impenis auctoris, & prostat apud J.H. Schubothe,1805-1806.

Vieira, R.A. Avaliação dos efeitos centrais do extrato aquoso de Stachytarpheta cayennensis Vahl. 2001. Dissertação (Mestrado em Farmacologia), Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

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