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Plectranthus barbatus Andrews

Família: LAMIACEAE

Nome científico: Plectranthus barbatus Andrews

Nome popular: boldo-africano, boldo-brasileiro

 

Plectranthus barbatus - Canto das Flores 2

Plectranthus barbatus - Canto das Flores 1

Fotos: Sandra Zorat Cordeiro

Plectranthus barbatus - Canto das Flores 3

Plectranthus barbatus - Canto das Flores 5

Plectranthus barbatus - Canto das Flores 6

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

Plectranthus barbatus - Organicidade - Canto das Flores 7

Plectranthus barbatus - Organicidade - Canto das Flores 8

Fotos: Alice Worcman - Organicidade

Barra exsicata

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Plectranthus barbatus - Exsicata corrigida

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Originário do continente africano, Plectranthus barbatus, o popular boldo-africano ou boldo-brasileiro, é uma espécie essencialmente medicinal. Utilizada há séculos em todo o mundo, é uma das mais citadas em trabalhos etnobotânicos, sendo alvo de inúmeros estudos químicos e farmacológicos devido ao seu amplo espectro de uso pela medicina tradicional. 

Esta espécie se apresenta como um subarbusto ereto, que pode atingir de 3 a 4 m de altura. Seu caule é semi-suculento e tomentoso, com seção transversal quadrangular, de cor amarelo-acinzentado, com folhas dispostas de modo decussado. As folhas são grossas, semi-suculentas, discolores, com face abaxial verde-pardacenta e face adaxial verde clara, tomentosas em ambas as faces; são pecioladas, com lâmina oval a oblonga, com margem crenada a denteada. Suas inflorescências são como racemos terminais que podem atingir até 30 cm de comprimento; na fase de botão são envoltas por grandes brácteas fortemente imbricadas que sofrem senescência e se desprendem da planta ao longo do seu desenvolvimento. As flores, dispostas em verticilastros, são de cor azul a violácea, bilabiadas, com a pétala inferior naviculada

Bem antes de chegar à Europa, o boldo-africano já era conhecido na Ásia e possuía uma infinidade de usos na Ayurveda - a milenar medicina indiana. Originário da África, foi levado da Etiópia para a Inglaterra em 1806, quando então foi iniciado seu cultivo e disseminação no Ocidente, sendo hoje encontrado como planta cultivada em quase todas as regiões tropicais no mundo e extremamente importante na medicina tradicional ocidental. As propriedades terapêuticas do Plectranthus barbatus são muito conhecidas no tratamento de problemas digestivos e dor de estômago, sendo consumido preferencialmente como chá, cuja recomendação é disseminada entre toda a população brasileira. Mas o boldo-africano tem ainda muitas outras aplicações: no tratamento de dor de dente, distúrbios gengivais, problemas de pele (como queimaduras, alergias, micoses, eczemas e feridas), queda de cabelo, infecções de garganta, ouvido e olhos, reumatismo, dores musculares, problemas cardíacos, circulatórios e sanguíneos. Em algumas regiões da África, é utilizado na amenização de problemas psiquiátricos, na cura de febres, sífilis e pela sua ação abortiva/contraceptiva; no Brasil ainda há relatos de seu uso no tratamento de malária e, em alguns países da Ásia, é usado contra insônia e convulsões. Grande parte destas aplicações decorrem das cientificamente comprovadas atividades antibacterianas, antivirais, antifúngicas e contra protozoários, citotóxicas e anti-tumorais, e ainda estimuladoras do sistema imunológico. 

Plectranthus barbatus também é muito utilizado na ornamentação de ambientes e em projetos paisagísticos: por ser considerada uma plana rústica, é comum na montagem de jardins de pedras, de cercas-vivas e como maciços em ambientes abertos por também atrair muitos polinizadores. Em algumas regiões da África e Ásia, o boldo-africano é considerado PANC: suas folhas são cozidas e consumidas como acompanhamento; há ainda relatos de que suas inflorescências e raízes também são usadas como alimento. 

O nome do gênero, Plectranthus, vem das palavras gregas plectron, que significa esporão e anthos, que significa flor, em referência à forma de esporão das flores de alguns membros do gênero. Seu epíteto específicobarbatus, origina-se do latim barbatusque significa coberto de pelos, em alusão às folhas e caules tomentosos, coberto por tricomas, muito característicos desta espécie.

O nome popular - boldo - é utilizado para nomear várias espécies, nem todas da mesma família botânica, e isso pode causar confusão e sérios problemas, justamente por serem plantas usadas como medicinais. Boldo provém da palavra boldu, do idioma mupudungu, falado pelo povo indígena Mapuche, proveniente da região centro-sul do Chile e sudoeste da Argentina, que denomina uma espécie local, o Peumus boldus1, conhecido como boldo-do-chile, uma espécie dióica2 da família Monimiaceae. Na família Lamiaceae, além do Plectranthus barbatus, conhecido como boldo-africano ou boldo-brasileiro, há ainda o Plectranthus ornatus3 (boldo-chinês), o Plectranthus neochilus4 (boldo-miúdo ou boldinho) e o Plectranthus amboinicus5 (boldo-de-moita ou orégano-cubano). Há também um outro boldo, da família Asteraceae, a antiga Vernonia condensata, denominada, agora Gymnanthemum amygdalinum6 (boldo-baiano). 

Quase todos são medicinais, mas nem todos recomendados para o SEU problema de saúde... Para fazer uso dos benefícios das plantas medicinais, você deve ter certeza da espécie vegetal que está sendo utilizada. Por isso, cuidado com o famoso conselho: é só tomar um chá de boldo...

 

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

 

** Nossos agradecimentos:

  • à Alice Worcman, do Organicidade, pelas belas fotos de Plecthanthus barbatus
  • ao Dr. Anderson Ferreira Pinto Machado pelas belas fotos "A abelha e o boldo" - Apis mellifera Linnaeus, 1758  e Plectranthus ornatus Codd., na agroflotesta do Projeto Raízes (UFBA) 

 

 

NOTAS

 

1 - Peumus boldus Molina, o boldo-do-chile, denominado "boldus" pelo povo indígena Mapuche

Peumus boldus - Jardín Botánico Nacional, Viña del Mar, Chile - Planta

Foto: Jardín Botánico Nacional, Viña del Mar, Chile / Creative Commons BY-NC

 

2 -  Ilustração de Peumus boldus Molina, uma espécie dióica, com ramos da planta masculina (acima) e feminina (embaixo):

Peumus boldus - Ilustração

Foto: Plant Illustration

 

3 - Plectranthus ornatus Codd., o boldo-chinês. A - aspecto geral, B - detalhe dos ramos, C - inflorescência

Plectranthus ornatus - Horto didático de plantas medicinais do HU-CCS A

Foto: Horto didático de plantas medicinais do HU/CCS 

 

Plecthanthus ornatus - Anderson Machado B

Foto: Anderson Pereira Pinto Machado

 

Plectranthus ornatus - Anderson Machado 1 C

Foto: Anderson Ferreira Pinto Machado  

 

4 - Plectranthus neochilus Schltr., o boldo-miúdo ou boldinho

Plectranthus neochilus - FarOutFlora

Foto: FarOutFlora/ Creative Commons BY-NC-ND e Jardim Botânico UTAD BY-NC-SA

 

5 - Plectranthus amboinicus (Lour.) Spreng., o boldo-de-moita ou orégano-cubano

 Plectranthus amboinicus - Starr

Foto: Forest & Kim Starr / Creative Commons BY

 

6Gymnanthemum amygdalinum Sch.Bip. ex Walp., o boldo-baiano 

Gymnanthemum amygdalinum - Forestowlet

Foto: Forestowlet / Creative Commons BY-SA 

 

 

Barra verde - referências bibliográficas

Antar, G.M. Plectranthus in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB25604. Acesso em: 05 Out. 2020

Codd, L.E. Plectranthus (Labiatae) and allied genera in Southern Africa. Bothalia, v. 11, n. 4, p. 371-442, 1975.

Galbiati, M.I. Estudo da anatomia, morfologia e perfil químico do óleo essencial de Plectranthus neochilus Schltr. (Lamiaceae). 2019. Dissertação (Mestrado em Biologia Vegetal). Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP. 

GIBF - Global Biodiversity Information Facility. Plectranthus barbatus Andrews. Disponível em: https://www.gbif.org/pt/species/6412796. Acesso: 05 Out. 2020.

Harley R.M.; Atkins, S.; Budantsev, A.; Cantino, P.D.; Conn, B.; Grayer, R.J.; Harley, M.M.; De Kok, R.; Krestovskaja, T.; Morales, A.; Paton, A.J.; Ryding, O.; Upson, T. Labiatae. In: Kadereit, J.W. (Ed.) The Families and Genera of Vascular Plants, (Lamiales). Springer: Berlin, Vol. 6, 167–275. 2004.

Lorenzi, H. (2015) Plantas para jardim no Brasil – herbáceas, arbustivas e trepadeiras. 2ª. ed., São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora.

Lukhoba, C.W.; Simmondsb, M.S.J.; Paton, A.J. Plectranthus: A review of ethnobotanical uses. Journal of Ethnopharmacology, v. 103, n.1, p. 1-24, 2006

Paton, A.; Mwanyambo, M.; Culham, A. Phylogenetic study of PlectranthusColeus and allies (Lamiaceae): taxonomy, distribution and medicinal use. Botanical Journal of the Linnean Society, v. 188, n. 4, p. 355–376, 2018. 

Paton, A.J.; Mwanyambo, M.; Govaerts, R.H.A.; Smitha, K.; Suddee, S.;Phillipson, P.B.; Wilson, T.C.; Forster, P.I.; Culham, A. Nomenclatural changes in Coleus and Plectranthus (Lamiaceae): a tale of more than two genera. PhytoKeys, v. 129, p. 1-158, 2019.

Quattrocchi, U. CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants: Common Names, Scientific Names, Eponyms, Synonyms, and Etymology. Reimpressão. Boca Raton: CRC Press. 2012.

UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Jardim Botânico UTAD - Informação da multimedia da espécie Plectranthus neochilus Schltr. Disponível em: https://jb.utad.pt/multimedia/Plectranthus_neochilus. Acesso em: 08 Out. 2020.

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