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Opuntia dillenii (Ker Gawl.) Haw.

Família: CACTACEAE

Nome científico: Opuntia dillenii (Ker Gawl.) Haw.

Nome popular: opuntia, palmatória

 

Opuntia dillenii - Canto das Flores 1

Opuntia dillenii - Canto das Flores 2

Opuntia dillenii - Canto das Flores 3

Opuntia dillenii - Canto das Flores 4

Opuntia dillenii - Canto das Flores 5

Opuntia dillenii - Canto das Flores 6

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

Barra exsicata

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Opuntia dillenii - Exsicata

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Opuntia dillenii é uma espécie de cacto arbustivo ornamental, com ocorrência no sul da América do Norte e Caribe, se estendendo até a região norte da América do Sul. Foi introduzida no Brasil, principalmente na região nordeste, onde devido ao seu intenso cultivo como forrageira, regeneradora de ambientes e cerca-viva defensiva, tornou-se naturalizada. Além de ornamental e alimentícia, a opuntia, como é popularmente conhecida, possui ainda ampla ação farmacológica, já comprovada cientificamente.

Nas regiões nativas, a palmatória, como também é chamada, ocorre preferencialmente em áreas próximas ao mar, em costões e em dunas de areia fixa ou semi-fixas, bordeando florestas que estão sob influência marítima. Esta espécie se apresenta como um arbusto suculento, ereto, extremamente ramificado, atingindo até 2 m de altura. Possui um cladódio basal levemente achatado, servindo de tronco, de onde partem segmentos articulados e espessos, de crescimento determinado, denominados filocládios (popularmente conhecidos como palmas) de cor verde-opaca, glaucos, aplanados, de formato obovado ou elíptico. Os filocládios são cobertos por aréolas, em número relativamente pequeno, bastante espaçadas, localizadas nas axilas das minúsculas folhas, geralmente decíduas, podendo ter gloquídeos e/ou inúmeros e afiados espinhos aciculares, translúcidos, de cor amarelo-dourado a castanho. As aréolas podem originar outros filocládios ou meristemas florais. As flores são solitárias, desenvolvendo-se tanto nas aréolas dos filocládios como nas aréolas de outros receptáculos florais. Possuem pericarpelos verdes, globosos, parcamente areolados, com brácteas suculentas e amareladas. O perianto possui segmentos numerosos, de cor amarelo-brilhante, e há muitos estames circundando o estilete. A característica notável dos estames é que são sensitivos, ou seja, eles são sensíveis à estimulação mecânica, mexendo-se quando tocados. Esta propriedade está intimamente ligada com a polinização das flores, otimizando o aporte de grãos de pólen por parte do polinizador, facilitando a polinização cruzada e evitando o "roubo de recompensa" por parte de visitantes não-polinizadores. Os frutos são tipo baga, carnudos, indeiscentes, cônicos a obovoides, de cor roxo-avermelhada. Reproduz-se facilmente por sementes e por segmentação dos filocládios.

Além de seu uso como forrageira e regeneradora de solos, Opuntia dillenii é uma espécie que também apresenta forte apelo ornamental. Apesar de espinescente, a disposição dos filocládios e sua vistosa e colorida floração são muito interessantes do ponto de vista paisagístico, na formação de cercas-vivas e na decoração de ambientes rústicos. Todas estas características a fizeram ser introduzida em inúmeros países, muito distantes da sua área de distribuição natural. Seu rápido crescimento e facilidade de propagação, no entanto, devem ser observados, pois pode se espalhar rápido, especialmente em pastagens degradadas, áreas perturbadas e terras agrícolas, causando distúrbios potencialmente nocivos em áreas naturais sujeitas a climas mais quentes e áridos. Há registros de Opuntia dillenii como invasora extremamente agressiva em regiões da Austrália, causando destruição de florestas nativas e onde, atualmente, embora controlada, tornou-se indesejada.

A palmatória é, além de PANC, uma espécie com potencial medicinal. Seus frutos são saborosos e refrescantes; podem ser consumidos frescos, cozidos ou secos ao sol, e suas sementes também são comestíveis. São ainda utilizados para o preparo de sucos, geleias e xaropes, embora carreguem uma leve acidez. Além disso, é rica em betalaínas - pigmentos naturais com significativa importância quimiotaxonômica e medicinal - responsáveis pela forte coloração arroxeada dos frutos e usados pela indústria alimentícia e farmacêutica como corantes de alta estabilidade. Quimicamente, a alta concentração de betalaínas confere à Opuntia dillenii propriedades antimicrobianas, anti-inflamatórias, imuno-modulatórias, antioxidantes, neuro-protetoras, anti-diabéticas, anti-tumorais e hepato-protetoras.

gêneroOpuntia, provém do nome dado por Plínio, o Velho (naturalista romano do séc. I, autor de História Natural), a uma planta com espinhos que crescia nas proximidades de "Locris Opuntian", capital de Opus, cidade da Grécia Antiga, na costa sudoeste do Mar Egeu e ao norte do Golfo de Corinto. O nome grego Οπος (Opunte) derivou para o latim Opuntius e sua forma feminina Opuntia, que batiza o gênero. Seu epíteto específico dillenii originou-se a partir do nome do botânico alemão Johan Jacob Dillen, conhecido como Dillenius. Ele foi o primeiro a descrever a espécie1 no Hortus Elthamensis, em 1732, a partir de uma planta cultivada nos famosos jardins de Eltham, de James Sherard, "um dos jardins mais ricos do mundo", em Londres. Em 1817, foi nomeada por J.B. Ker-Gawler como Cactus dillenii, sendo atribuída ao gênero Opuntia por A.H. Haworth em 1819, passando a ser denominada, desde então, Opuntia dillenii.

O gênero Opuntia compreende cerca de 150 espécies, todas em continente americano e, mesmo com sua ampla distribuição, apenas 5 delas possuem ocorrência nativa no Brasil, mas não endêmica. Nas restingas fluminenses, o gênero é representado pela bela Opuntia monacantha2.

Opuntia. De uma planta espinhosa nas terras banhadas pelo mar Egeu para os cactos espalmados da América. Palmatórias ríspidas com espinhos dourados... Flores também douradas3, que se abrem com o sol e cujos estames dançam não ao som de asas, mas que brindam seus visitantes com pólen após o baile... Nossos olhos é que colocam dor ou beleza naquilo que vemos, basta escolher...

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

 

NOTAS

 

1 - Opuntia dillenii por Dillenius no Hortus Elthamensis, de 1732.

Opuntia dillenii - Ilustração 1732

Foto: Plant Illustration

 

2 - Na região sudeste do Brasil, as restingas se destacam pela sua flora exuberante e diversa. Nelas, é frequente a ocorrência de Opuntia monacantha (Willd.) Haw., nativa do Brasil, mas não endêmica, ocorrendo ainda na Argentina, Paraguai e Uruguai. Aqui, imagens obtidas nas restingas de Grumari (a, b) e Maricá (c,d), no Rio de Janeiro

Opuntia monacantha - Canto das Flores 1 a

Opuntia monacantha - Canto das Flores 2 b

 Fotos: Anna Carina Antunes e Defaveri

Opuntia monacantha - Canto das Flores 4 c

Opuntia monacantha - Canto das Flores 5 d

Fotos: Sandra Zorat Cordeiro 

 

 

3 - O uso de espécies do gênero Opuntia como ornamentais, apesar dos espinhos, é justificado pela indescritível beleza de suas flores, como podem ser vistas no arboreto do Jardim Botânico do Rio de Janeiro:

Opuntia monacantha - Canto das Flores 7

 Opuntia monacantha - Canto das Flores 8

Fotos: Alexandre Machado (www.instagram.com/alexandrejbrj/)

 

*** Nossos agradecimentos:

  • à Dra. Daniela Zappi, do Instituto Tecnológico Vale (Pará), especialista em Cactaceae, pela gentilíssima identificação de Opuntia dillenni;
  • à Dra. Anna Carina Antunes e Defaveri, do Centro de Responsabilidade Socioambiental (CRS) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelas fotos de Opuntia monacantha no seu habitat natural, a restinga de Grumari;
  • ao fotógrafo Alexandre Machado do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, pelas belas fotos das flores de Opuntia sp. no arboreto.

 

Barra verde - referências bibliográficas

Böhm, H. “Opuntia dillenii” - An Interesting and Promising Cactaceae Taxon. Journal of the Professional Association for Cactus Development, v. 10, p. 148-170, 2008.

Cacti Guide. Opuntia dillenii. Disponível em:https://www.cactiguide.com/cactus/?genus=Opuntia&species=dillenii. Acesso em: 20 Ago. 2020.

Carneiro, A.M.; Farias-Singer, R.; Ramos, R.A.; Nilson, A.D. Cactos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. 2016.

Cota-Sánchez, J.H.; Almeida, O.J.G.; Falconer, D.J.; Choi, H.J.; Bevan, L. Intriguing thigmonastic (sensitive) stamens in the Plains Prickly Pear Opuntia polyacantha (Cactaceae). Flora - Morphology, Distribution, Functional Ecology of Plants, v. 208, n. 5-6, p. 381–389, 2013.

Dillenius, J.J. Hortus Elthamensis. Londini: Sumptibus auctoris. 1732. p. 398.

GBIF - Global Biodiversity Information Facility. Opuntia dillenii (Ker Gawl.) Haw. Disponível em: https://www.gbif.org/species/6378623. Acesso em: 20 Ago. 2020. 

Shirazinia, R.; Rahimi, V.B.; Kehkhaie, A.R.; Sahebkar, A.; Rakhshandeh, H.; Askari, V.R. Opuntia dillenii: A Forgotten Plant with Promising Pharmacological Properties. Journal of Pharmacopuncture, v. 22, n. 1, p. 16-27, 2019.

Zappi, D.; Aona, L.Y.S.; Taylor, N. Cactaceae In: Wanderley, M.G.L.; Shepherd, G.J.; Melhem, T.S.; Giulietti, A.M.; Martins, S.E.; Romanini, R.P. et al. (2007). Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. São Paulo: Instituto de Botânica/FAPESP/RiMa, Vol. 5, pp. 163-193.

Zappi, D.; Taylor, N. Cactaceae in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB1613. Acesso em: 20 ago. 2020.

Zappi, D.; Taylor, N.; Larocca, J.A. Riqueza das Cactaceae no Brasil. In: Ribeiro-Silva, S.; Zappi, D.; Taylor, N.; Machado, M. (Orgs.) (2011). Plano Nacional para Conservação das Cactáceas. Brasília. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, ICMBio. Série espécies ameaçadas nº 24.

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