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Ocimum basilicum L.

Família: LAMIACEAE

Nome científico: Ocimum basilicum L.

Nome popular: manjericão

 

Ocimum basilicum - Canto das Flores 7

Foto: Daniel Gabrielli - Organicidade 

Ocimum basilicum - Canto das Flores 5 (Vanessa 2)

Ocimum basilicum - Canto das Flores 6 (Vanessa 3)

Ocimum basilicum - Canto das Flores 4 (Vanessa 1)

Fotos: Vanessa Ribeiro Affonso

Ocimum basilicum - Canto das Flores 1

Ocimum basilicum - Canto das Flores 2

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

Barra exsicata

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Ocimum basilicum - exsicata

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Ocimum basilicum, popularmente conhecido como manjericão, basilicão ou alfavaca, é uma erva cultivada em quase todo o mundo, amplamente utilizada na culinária internacional, na medicina tradicional e em inúmeros rituais religiosos. Nativo da Ásia Tropical, o manjericão é uma erva ou subarbusto, profusamente ramificado, que atinge até 1,5 m de altura. Sua filotaxia é oposta-cruzada, com folhas pequenas que, dependendo da variedade, podem ter formas diversas, sendo elípticas, lanceoladas ou ovaladas, brilhantes, lisas ou com ondulações, e de coloração verde ou purpurescente, além de extremamente perfumadas. Suas inflorescências são axilares ou terminais, do tipo racemo, com pequenas flores brancas ou liláses e fruto tipo aquênio.

Desde a Idade Antiga, o manjericão já era conhecido pela beleza de suas pequenas flores, associadas ao aroma suave, doce e refrescante que exalava nos ambientes onde era cultivado. Além disso, já era notório o seu poder terapêutico no alívio e combate a doenças respiratórias e digestivas, bem como sua ação anti-inflamatória, sendo usado até hoje na medicina tradicional e na Ayurveda, a milenar medicina indiana. O manjericão é também empregado no tratamento de disfunções gástricas e renais, dores de cabeça, tosse, resfriado e constipação. Possui ainda ação bactericida, fungicida, estimulante, antioxidante, afrodisíaca, anti-helmíntica, adstringente, carminativa e antitérmica; na região do Mediterrâneo, o manjericão é plantado em beirais de janelas para repelir insetos, devido à alta ação repelente. Seu óleo essencial, de aroma inconfundível, é formado majoritariamente por compostos voláteis como o linalol, eugenol, geraniol, 1,8-cineol e α-pineno, favorecendo sua aplicação nas indústrias fitoterápica, farmacêutica e de cosméticos, na composição de perfumes, loções e produtos de higiene bucal. Na culinária, o manjericão se destaca pelo maravilhoso aroma e sabor adocicado e, embora tenha sido trazido ao Brasil pelos imigrantes italianos e, no Ocidente, esteja associado à culinária italiana como ingrediente obrigatório no preparo de molhos, sopas, caldos, pizzas, saladas e carnes, é muito utilizado nas culinárias hindu, paquistanesa e tailandesa, de onde se origina.

Numerosas variedades de Ocimum basilicum provenientes de diversas localidades foram selecionadas, ao longo do tempo, pelos distintos aromas que exalavam, devido aos diferentes compostos majoritários contidos no seu óleo essencial; essas variedades passaram a ser consideradas quimiotipos. Hoje em dia, variedades, quimiotipos e cultivares de manjericão são cultivados para diferentes finalidades, como ornamentação, culinária e obtenção de óleos essenciais para diversos usos.

Muitas histórias envolvem o manjericão e seu uso como planta sagrada. Uma delas conta que foi encontrado manjericão ao redor do túmulo de Cristo, após sua ressurreição. Até hoje, o manjericão é adicionado ao preparo de água benta e mantido sob os altares das Igrejas Ortodoxas Cristãs. Na tradição católica, há também a história do Imperador Constantino que, em 312 d.C., na véspera de uma batalha, teve a visão de uma cruz com a inscrição "In hoc signo vinces" - "Com este sinal vencerás". Impressionado, mandou pintar a cruz cristã no escudo de seus soldados, saiu vencedor da batalha e converteu-se ao Cristianismo. Sua mãe, a Imperatriz Helena, acreditando que a vitória era um milagre, saiu um busca da Santa Cruz onde Jesus fora crucificado; ao chegar na Terra Santa, pediu que sua comitiva cavasse embaixo de uma grande moita de manjericão que crescia sozinha em um local muito árido, no monte Gólgota. Sob a moita, encontraram uma cruz, que se tornou uma relíquia milagrosa; de acordo com a lenda, o manjericão havia brotado aos pés da cruz porque lá caíram sangue de Jesus e lágrimas da Virgem Maria. Logo após a descoberta, foi erguida, no local, a Basílica do Santo Sepulcro, que existe até hoje, com quase 1700 anos. 

Na Índia, o manjericão é uma erva sagrada de Krishna e Vishnu; os hindus acreditavam que esta planta continha uma essência divina que auxiliava no relaxamento e crescimento espiritual, por isso, era usada na realização de juramentos prestados em tribunais, evitando falsos testemunhos. No Brasil, o manjericão também faz parte de muitos rituais no Candomblé e na Umbanda, sendo considerado uma erva sagrada, indispensável na realização de cerimônias, banhos de proteção, quebra de feitiços e mau-olhado. É ainda utilizado em inúmeras simpatias e crendices populares ao redor do mundo, sempre no intuito de atrair amor, saúde e proteção. A fama do manjericão é tão grande que suas propriedades ritualísticas viraram tema de um samba de grande sucesso na década de 80*.

O nome do gênero, Ocimum deriva do grego okimon, que denomina uma erva aromática; seu epíteto específico, basilicum é derivado do latim basilicus, proveniente do grego antigo basilikós, e significa régio, real ou aquele que é da realeza. Não por acaso, o nome Basílica tem a mesma origem, proveniente da expressão completa basiliké oikía”, que significa “casa real”.

Seja na botânica, na medicina, na farmácia, na culinária, na religião ou nas crendices populares, o manjericão se destaca, há milênios, como uma planta de naipe variado, acrescentando sabor, perfume, beleza, conhecimento e, por que não, realeza e proteção, ao nosso dia-a dia. 

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

  • *Banho de Manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro): https://www.ouvirmusica.com.br/joao-nogueira/376464/
  • Dedicamos este texto à Dra. Vanessa Ribeiro Affonso, a quem também agradecemos pelas belas imagens do manjericão obtidas na sua tese de doutorado. 
  • Nossos agradecimentos ao Organicidade pelo belo nascer do sol despertando o manjericão (Foto de Daniel Gabrielli).

Barra verde - referências bibliográficas

Affonso, V.R. Micropropagação e Estudo da Produção e Eliciação de Compostos Voláteis em Thymus vulgaris L. e Ocimum basilicum L. 2010. Tese. (Doutorado em Biotecnologia Vegetal) - Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Ecclesia. O uso do Manjericão nas celebrações da Santa Cruz, na Igreja Ortodoxa. Disponível em: https://www.ecclesia.org.br/biblioteca/fe_crista_ortodoxa/o-uso-do-manjericao-na-liturgia-ortodoxa-da-cruz.html. Acesso em 08 Abr. 2020.

EJIFAR - Empresa Júnior Integrada de Farmácia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quimiotipo, geotipo, variações naturais e a importância da realização de análises quantitativas para óleos essenciais. Disponível em: http://ejifar.com/index.php/2019/08/03/quimiotipo-geotipo-variacoes-naturais-e-a-importancia-da-realizacao-de-analises-quantitativas-para-oleos-essenciais/. Acesso em: 09 Abr. 2020.

Favorito, P.A.; Echer, M.M.; Offemann, L.C.; Schlindwein, M.D.; Colombare, L.F.; Schineider, R.P.; Hachmann, T.L. Características produtivas do manjericão (Ocimum basilicum L.) em função do espaçamento entre plantas e entre linhas. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, Botucatu, v. 13, n. special, p. 582-586, 2011.

Flowers of India. Basil. Disponível em: http://www.flowersofindia.net/catalog/slides/Basil.html. Acesso em 07 Abr. 2020.

Lorenzi, H.; Matos, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Nova Odessa: Instituto Plantarum de Estudos da Flora. 2002.

Missouri Botanical Garden. Plant Finder - Ocimum basilicum L. Disponível em: http://www.missouribotanicalgarden.org/PlantFinder/PlantFinderDetails.aspx?kempercode=a689. Acesso em: 07 Abr. 2020.

Paton, A.; Putievsky, E. Taxonomic problems and cytotaxonomic relationships between and within varieties of Ocimum basilicum and related species (Labiatae). Kew Bulletin, v. 51, n. 3, p. 509-524, 1996.

Pushpangadan, P.; George, V. Basil, In: Peter, K.V. (eds). Handbook of Herbs and Spices. 2. ed. Cambridge: Woodhead Publishing, 2012, p. 55-72.

Quattrocchi, U. CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants: Common Names, Scientific Names, Eponyms, Synonyms, and Etymology. Reimpressão. Boca Raton: CRC Press. 2012.

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