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Lactuca indica L.

Família: ASTERACEAE

Nome científico: Lactuca indica L.

Nome popular: almeirão-do-mato, almeirão-roxo

 

Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 1

Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 2

Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 3

Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 4

Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 5

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Lactuca indica - Organicidade - Canto das Flores 8

Fotos: Alice Worcman - Organicidade

Lactuca indica - Canto das Flores 9

Lactuca indica - Canto das Flores 10

Lactuca indica - Canto das Flores 11

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

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Lactuca indica - Exsicata

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Lactuca indica, conhecida como almeirão-do mato ou almeirão-roxo, é uma planta nativa do Leste Asiático, introduzida e naturalizada no sudeste africano e na região sudeste do Brasil e, por aqui, amplamente cultivada. Sua utilização como planta comestível fez dela uma PANC que tem chamado atenção devido à versatilidade de seu consumo e sabor muito parecido com o almeirão convencional, conhecido como chicória (Chicorium intybus L.), ambos pertencentes à Familia Asteraceae. 

gênero Lactuca possui mais de 100 espécies e se caracteriza por abrigar a hortaliça folhosa mais popular do Brasil, a conhecida alface (Lactuca sativa L.), com uma grande quantidade de híbridos e variedades produzidos em grande escala para o consumo humano. Inúmeras espécies deste gênero possuem características morfológicas muito semelhantes entre si; além disso, muitas apresentam variedades com diferenças sutis - por isso, há certa dificuldade na taxonomia do gênero. Há muita confusão e equívoco nas identificações de Lactuca indica e outras cinco espécies de Lactuca introduzidas no Brasil (L. canadensis, L. saligna, L. sativa, L. serriola, L. virosa). Felizmente, contamos com a identificação do nosso material pelo autor do artigo abaixo citado, Dr. Marcelo Monge, pesquisador das universidades UNICAMP e UFU. 

Lactuca indica se apresenta como uma espécie herbácea, anual, que pode atingir até 2 metros de altura. Possui um caule não ramificado, inicialmente com entrenós muito curtos e folhas dispostas em roseta; com o crescimento, os entrenós se alongam e as folhas passam a apresentar filotaxia alterna-espiralada. A planta é latescente e seu látex é de esbranquiçado a translúcido. As folhas são sésseis, glabras e de textura delicada, e sua forma depende da variedade. Normalmente são elípticas ou lanceoladas e bastante alongadas; possuem ápice agudo e são inteiras, ocasionalmente lobadas irregularmente, de cor cinza-esverdeado com nervuras amareladas, avermelhadas ou arroxeadas. As inflorescências são do tipo capítulo, envolto em brácteas involucrais e dispostos em panículas terminais. As flores possuem corola ligulada, com lígulas de cor amarelo pálido e ápice penta-denteado. Fruto seco, indeiscente, com pappus branco.

Consumido há muito tempo no leste asiático, onde ocorre abundantemente como espécie ruderal, o almeirão-do-mato é considerado uma PANC aqui no Brasil, onde também se propaga com muita facilidade. Suas folhas são levemente amargas, mas com sabor suave; são consumidas frescas, em saladas, ou refogadas e utilizadas como recheio no preparo de pizzas, salgados, tortas e pães; seus brotos podem ser fervidos ou salteados e consumidos com farinha ou pão; sua inflorescência jovem, assim como o brócolis, pode ser cozida no vapor e servida como acompanhamento; e sua raiz, semelhante a uma cenoura, deve ser colhida (sempre antes da floração) fatiada e seca, sendo usada para fazer chás ou torrada para fazer "café". Na medicina popular, é utilizado em forma de chás ou extrato alcoólico para tratamento de inflamações e distúrbios gastrointestinais. Apresenta ainda propriedades bactericidas, antioxidantes e anti-cancerígena, sendo indicado como alimento suplementar no cuidado da saúde humana pelo alto teor de potássio, ferro, fibras e vitaminas C e do complexo B. 

Seu nome popular, almeirão-do-mato, provém da sua condição de planta ruderal e do sabor semelhante ao do verdadeiro almeirão, cujo nome al-mirón, al-mir-ón ou amayr-ón vem do árabe falado no sul da Espanhaderivado do latim amarus, que significa amargo. Almeirão-roxo é uma referência à cor das nervuras, ocasionalmente arroxeadas enquanto ainda em rosetas. O nome do seu gênero, Lactuca, origina-se do latim láctis, que significa leite, em alusão ao látex esbranquiçado que exsuda do vegetal quando sofre algum tipo de ruptura ou corte. Seu epíteto específico, indica, é um epíteto geográfico, assinalando a região de coleta da espécie descrita por Linnaeus, no caso, a Ilha de Java, no Oceano Índico, assim nomeado por banhar as costas da Índia e Indonésia. A palavra Índia vem do nome do rio que banha o noroeste do país, o Rio Indo, do persa حندو (hindu), que significa rio. 

A literatura sugere que Lactuca indica se originou das áreas montanhosas do leste da Ásia e acabou atingindo altitudes menores, alcançando e adaptando-se facilmente em outros habitats, tornando-se uma das espécies mais comuns de Lactuca na China, ocorrendo ainda no Butão, Índia, Indonésia, Japão, Coreia, Filipinas, Rússia, Tailândia e Vietnã. 

Introduzida pelo homem no Brasil, não viu problemas em cultivar jardins, pomares, hortas e se espalhar, alçar voos e adentrar cozinhas... Sentindo-se em casa, naturalizou-se, e do científico Lactuca indica passou ao popular almeirão-do-mato. Hoje, esta espécie enriquece a criatividade da cozinha brasileira com um sabor levemente amargo, embora suave. Para saber como chegou tão longe, basta sentir o vento soprar...

 

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

 

*** Nossos agradecimentos:

  • ao Dr. Marcelo Monge, da UNICAMP e UFU, especialista em Asteraceae, autor do artigo citado nas referências bibliográficas, pela gentilíssima identificação de Lactuca indica;
  • à Alice Worcman, do Organicidade, pelas belíssimas fotos de Lactuca indica na Fundição Progresso

   

Barra verde - referências bibliográficas

Acta Plantarum. Etimologia dei nomi botanici e micologici  e corretta accentazione. Disponível em: https://www.actaplantarum.org/etimologia/etimologia.php. Acesso em: 03 Dez. 2020.

Corriente, F. Dictionary of Arabic and Allied LoanwordsSpanish, Portuguese, Catalan, Galician and Kindred Dialects. Leiden: Brill, 2008.

GBIF - Global Biodiversity Information Facility. Lactuca indica L. Disponível em: https://www.gbif.org/pt/species/3140510. Acesso em: 08 Dez. 2020.

Lebeda, A.; Dolezalová, I.; Feráková, V.; Astley, D. Geographical Distribution of Wild Lactuca Species (Asteraceae, Lactuceae). Botanical Review, v. 70, n. 3, p. 328-356, 2004.

Monge, M.; Kilian, N.; Anderberg, A.A.; Semir, J. Two new records of Lactuca L. (Cichorieae, Asteraceae) in South America. Revista Brasileira de Biociências, v. 14, n. 2, p. 117-123, 2016.

Monge, M.; Semir, J. Lactuca in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB583029. Acesso em: 08 Dez. 2020.

Nascentes, A. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. 1955.

Ranieri, G.R. Matos de comer. Almeirão-japonês, roxo, de árvore. Disponível em: http://www.matosdecomer.com.br/2015/03/almeirao-japones-roxo-de-arvore.html. Acesso em: 15 Dez. 2020.

Ranieri, G.R. Guia prático sobre PANCs: plantas alimentícias não-convencionais. São Paulo: Instituto Kairós. 2017.

Shi, Z.; Kilian, N. Lactuca Linnaeus, Sp. Pl. 2: 795. 1753. Flora of China, v. 20-21, p. 235-236, 2011.

Wang, S.-Y.; Chang, H.-N.; Lin, K,-T.; Lo, C.-P.; Yang, N.-S.; Shyur, L.-F. Antioxidant Properties and Phytochemical Characteristics of Extracts from Lactuca indica. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 51, n. 5, p. 1506–1512, 2003.

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