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Jasminum azoricum L.

Família: OLEACEAE

Nome científico: Jasminum azoricum L.

Nome popular: jasmim-branco, jasmim-dos-açores

 

Jasminum azoricum - Canto das Flores 2

Jasminum azoricum - Canto das Flores 1

Jasminum azoricum - Canto das Flores 3

Fotos: Ricardo Cardoso Antonio

Jasminum azoricum - Canto das Flores 4

Foto: Sandra Zorat Cordeiro

Jasminum azoricum - Canto das Flores 5

Foto: Maurício Mercadante / Creative Commons BY-NC-SA

Jasminum azoricum - Canto das Flores 6

Foto: Maurício Mercadante / Creative Commons BY-NC-SA

Barra exsicata

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Jasminum azoricum - Exsicata

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Jasminum azoricum, conhecido popularmente como jasmim-branco ou jasmim dos-açores, é uma espécie vegetal endêmica da Ilha da Madeira, região autônoma de Portugal, no Oceano Atlântico, próxima da costa noroeste africana. Sua beleza e fragrância intensa atraíram colecionadores que, entre o final do século XVII e início do século XVIII, passaram a cultivá-lo em jardins botânicos na Holanda e Inglaterra, onde começou a ser usado como planta ornamental, sendo trazido, então, para as Américas. 

O jasmim-branco se apresenta como um arbusto tipo sarmento, com ramos finos e volúveis, que podem atingir até 7 metros de extensão. Possuem filotaxia oposta, com folhas de cor verde clara, brilhantes, compostas, trifolioladas, de formato ovado a ovado-lanceolado, base obtusa ou arredondada e ápice acuminadoSuas flores ocorrem em inflorescências axilares cimosas, tipo panícula, destacando-se muito entre a folhagem. As flores possuem cálice verde, gamossépalo, com corola branca, hipocrateriforme, com 5 ou 6 lacínios lanceolados. Além da beleza, encantam pela fragrância, intensa e extremamente agradável, atraindo polinizadores, principalmente, borboletas. Seus frutos são pequenas bagas escuras, com muitas sementes. São usados na decoração de jardins, como cercas vivas, em pérgolas ou revestindo muros, ou suspensos, em vasos, onde se tornam pendentes. 

Na literatura consultada, foram encontradas poucas notas etnobotânicas acerca do jasmim-branco além da sua utilização ornamental: o sumo de suas folhas pode ser aplicado no tratamento de feridas, queimaduras, furúnculos ou abcessos. Seu uso como ornamental foi disseminado pela Europa entre os séculos XVII e XVIII (de 1689 a 1751), a partir da visita de viajantes, botânicos ou caçadores de plantas à Ilha da Madeira, que o levaram para colecionadores; estes passaram a cultivá-lo em jardins botânicosOs primeiros exemplares foram levados para a Holanda, ao Jardim Botânico de Amsterdã e ao Jardim de Clifford de Hartekamp, e para a Inglaterra, ao Jardim Botânico de Chelsea. Estes jardins são considerados pré-lineanos, ou seja, criados antes de Linnaeus estabelecer os princípios da nomenclatura binomial, por isso, os nomes eram bem diferentes do que estamos acostumados hoje em dia. Antes de Linnaeus, os nomes das plantas eram formados por uma longa frase descritiva, em latim, caracterizando a nomenclatura chamada polinomial. 

Entre os anos de 1735 e 1737, o próprio Linnaeus atuou como curador do Jardim de Clifford de Hartekamp; seu proprietário, George Clifford III, era diretor da Companhia Holandesa das Índias Orientais e isso permitiu que seu Jardim recebesse centenas de exemplares vegetais exóticos, provenientes dos trópicos, devido às intensas rotas comerciais da Holanda nestas regiões. A diversidade das coleções vivas deste jardim muito contribuiu com os estudos de Linnaeus e o estabelecimento da nomenclatura binomial: não é à toa que muitas plantas deste Jardim encontram-se então, recém batizadas, no seu Species Plantarum, entre elas, o Jasminum azoricum.

O gênero Jasminum provém do árabe e do persa Yâsmîn ou Yasaman, que é o nome pelo qual é conhecido o jasmim árabe, o Jasminum sambac, que significa flor perfumada. Seu epíteto específico, azoricum, foi escolhido por Linnaeus dentre os inúmeros nomes que a espécie possuía*, referenciando a ocorrência da espécie ao Arquipélago de Açores, território autônomo da República Portuguesa, mas isso foi um equívoco, já que o jasmim-branco é endêmico da Ilha da Madeira. Para o nome azoricum e sua relação com o Arquipélago de Açores, foram encontradas duas possíveis explicações: ou provém do português arcaico azures, que significa azul, em referência à cor das ilhas vistas de longe, ou se reporta ao pássaro açor (Accipiter gentilis) abundante nas ilhas quando foram descobertas, e presente na sua bandeira. 

Atualmente, embora cultivada em muitas partes do mundo, esta espécie enfrenta um risco extremamente elevado de extinção justamente no seu habitat natural, a Ilha da Madeira, onde existem apenas duas populações, com pouquíssimos indivíduos. De acordo com as categorias da IUCN (International Union for Conservation of Nature), o Jasminum azoricum está "em perigo crítico". A redução da variabilidade genética e morfológica - devido ao baixo número de indivíduos, as intensas atividades antrópicas - como edificações e incêndios, a ação implacável de plantas invasoras e a baixa produção de sementes têm contribuído para o quadro desolador desta espécie na região.

De acordo com a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais da Ilha da Madeira, medidas como controle de plantas invasoras, reintrodução em Reservas Naturais e áreas controladas e conservação de amostras de sementes estão sendo realizadas, a fim de mitigar os riscos de sua extinção.

Abaixo, imagem da amostra tipo de Jasminum azoricum L. (BM000557520) depositada no NHM (Herbário do National History Museum), de Londres, proveniente das coleções vivas do Jardim de Clifford de Hartekamp, descrito por Linnaeus, em 1753, no Species Plantarum. 

 

Jasminum azoricum - Tipo

*Na imagem, o detalhe: à esquerda, a etiqueta indica o nome da espécie na nomenclatura polinomial: Jasminum azoricum trifolium flore albo odoratissimo, à direita, o nome atual, na nomenclatura binomial: Jasminum azoricum.

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

Barra verde - referências bibliográficas

De Juana, J. Taxonomía actual del género Jasminum (Oleaceae), secciones Primulina y Trifoliata: descripción y clave. Bouteloua, n. 21, p. 9-34, 2015.

Francisco-Ortega, J.; Santos-Guerra, A.; Sanchés-Pinto, R.; Maunder, M. Early cultivation of Macaronesian Plants in Three European Botanic Gardens. Revista de la Academia Canaria de Ciencias, v. 23, n. 3, p. 113-143, 2011.

Faria, B.F.; Madeira, A.M.; Gonçalves. N.S.; Jardim, R. Fernandes, F.M.; Carvalho, J.A. Fauna e Flora da Madeira - Espécies endêmicas ameaçadas: vertebrados e flora vascular. Disponível em: https://ifcn.madeira.gov.pt/images/Doc_Artigos/Divulgacao/publicacoes/livros/Faunaefloramadeira.pdf. Acesso em: 19 Mai. 2020.

Green, P.S. The name Jasmine. Arnoldia, v. 25, n. 12, p. 71-74, 1965. 

Natural History Museum (2014). Dataset: Collection specimens. Resource: Specimens - Jasminum azoricum L. Natural History Museum Data Portal (data.nhm.ac.uk). Disponível em: https://doi.org/10.5519/0002965. Acesso em: 19 Mai. 2020.

Quattrocchi, U. CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants: Common Names, Scientific Names, Eponyms, Synonyms, and Etymology. Reimpressão. Boca Raton: CRC Press. 2012. 

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