Expo Fefieg a UNIRIO
De FEFIEG a UNIRIO: os prédios que contam a nossa história
A nossa primeira exposição virtual tem como protagonistas os prédios e espaços livres da UNIRIO, apresentados através da sua história, com imagens, fatos relevantes e curiosidades, escolhidos para representar todos os campi da universidade e abranger todas as suas fases históricas.
O critério para a seleção dos bens que compõem esta exposição foi a sua relevância histórica e cultural para a UNIRIO e a sociedade como um todo, seja ela reconhecida formalmente, como no caso dos imóveis tombados ou não, no caso dos demais. Alguns edifícios são parte integrante não só da história da UNIRIO como também da história da universidade brasileira e da cidade do Rio de Janeiro.
No caso do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) e do Bloco V do Centro de Letras e Artes (CLA), eles são patrimônios públicos reconhecidos e tombados por órgãos de proteção, como o IRPH e INEPAC. Outros fazem parte do conjunto tombado, embora não estejam relacionados de forma explícita nos decretos de proteção, como no caso dos jardins do CLA, citado no tombamento do Bloco V e o prédio da reitoria, que fez parte do conjunto do antigo Hospital dos Alienados, atual Palácio Universitário da UFRJ, tombado por decreto federal.
Dentre os bens selecionados por fazerem parte da história da UNIRIO, tem destaque o Instituto Biomédico (IB) que é parte integrante da universidade desde o seu decreto de criação e o edifício Padre Anchieta juntamente com o Centro de Ciências Humanas (CCH), que deixam a sua marca na história por terem sido os primeiros edifícios construídos em sua totalidade pela UNIRIO.
Outros edifícios, como os blocos I, II e III do CLA, a Biblioteca Central, a Escola de Enfermagem e a Escola de Nutrição, são representativos não somente para a nossa universidade, mas também fazem parte de um momento específico da história do ensino superior no Brasil, uma vez que compõem herança deixada da UFRJ para a UNIRIO, quando da sua transferência para a cidade universitária na Ilha do Fundão.
Destacamos também que desde sua criação pela Lei Nº 773 de 20 de agosto de 1969, originada pela reforma universitária realizada no ano de 1968, a UNIRIO foi renomeada por quatro vezes. O primeiro nome dado à instituição foi Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado da Guanabara - FEFIEG. Após a fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro em 1975, é renomeada como Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro - FEFIERJ. No ano de 1979, pelo decreto da Lei Nº 6.655 de 05 de junho de 1979 a mesma tem seu nome alterado para Universidade do Rio de Janeiro - UNIRIO e em, 2003 se torna Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO pela Lei Nº 10.750 de 24 de outubro do mesmo ano.
Clique no ícone correspondente ao edifício desejado:
Centro de Ciências Humanas e Sociais
Campus Pasteur 436
Ano de inauguração: 1995.
Ano de incorporação à UNIRIO: 1995.

Imagem do prédio do Centro de Ciências Humanas e Sociais. Fonte: Acervo da Coordenação de Engenharia.
Localizado em frente ao edifício Padre Anchieta, o prédio pertencente ao Centro de Ciências Humanas e Sociais - CCH foi o segundo a ser construído pela Universidade do Rio de Janeiro, atual Universidade Federal Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO e é onde se encontra o auditório Paulo Freire, um dos mais conhecidos da universidade.
Tombamento: Não se aplica.
Apesar de não ser tombado, o CCH é um edifício relevante para a história da UNIRIO por ter sido um dos primeiros erguidos pela universidade, com projeto próprio feito pelo corpo técnico da Coordenação de Engenharia.
Arquiteto Responsável: Coordenação de Engenharia.
Uso e estado de conservação atual:
O edifício é utilizado para as aulas dos cursos de graduação do Centro de Ciências Humanas e Sociais e acomoda as decanias dos cursos pertencentes ao mesmo. Atualmente o edifício abriga os cursos de Arquivologia, Biblioteconomia, Ciências Sociais, Museologia, Pedagogia, Serviço Social e Turismo.
O edifício carece de melhorias em todas as áreas do edifício, sobretudo nos banheiros e na questão da acessibilidade de modo geral, pois este é um ponto crítico em quase todo o campus Pasteur 436.
Descrição do bem:
A fachada frontal do edifício possui um conjunto de cinco colunas colossais encimadas por um frontão, revestido por pastilhas cerâmicas de 5 x 5 cm.
O volume de janelas são assimétricos, com três conjuntos de janelas ao lado esquerdo e seis conjuntos de janelas ao lado direito.
Comporta em seus quatro andares e subsolo, diversas salas, banheiros, laboratórios, salão de exposições e o auditório Paulo Freire onde são realizados eventos.
Histórico:
Com a expansão territorial da instituição e após realizar adaptações nos prédios já existentes, a UNIRIO começa uma nova etapa de ocupação do seu território, com a construção de novos edifícios para abrigar suas atividades.
A partir disso, em 1994 inicia-se a obra para construção de um novo prédio em frente ao Edifício Padre Anchieta, às margens da Pedra da Babilônia, para acomodar parte dos cursos de graduação de Ciências Humanas e Sociais, sendo realizada a inauguração no ano de 1995.
O edifício foi o segundo a ser construído pela UNIRIO, porém não faz parte de nenhum dos planos diretores elaborado para a instituição para o campus da Avenida Pasteur, 436.
Hospital Universitário Gaffrée e Guinle
Campus HUGG
Rua Mariz e Barros, 775, Maracanã
(imagens google)
Ano de inauguração: 1929
Ano de incorporação à UNIRIO: 1969
Fachada principal do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Fonte: Rubim, 2017.
O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, inaugurado em 1929 é um legítimo representante do estilo arquitetônico neocolonial, tendo sido o primeiro edifício construído neste estilo para esta atividade. O projeto do arquiteto Porto d’Ave vinha de encontro com os ideais nacionalistas da época e representava o que havia de mais moderno em arquitetura na época.
Ele foi criado a partir da iniciativa do filantropo Eduardo Guinle, num contexto de organização da saúde pública por parte do Estado, e num momento em que a população da capital federal enfrentava uma forte endemia de doenças venéreas. O HUGG reuniu personalidades importantes da área da saúde e foi exitoso na erradicação das principais doenças da época.
Em 1966 ele é incorporado à Escola de Medicina e Cirurgia (EMC), que estava a procura de um imóvel para as suas atividades e aulas práticas e consequentemente passa a fazer parte da UNIRIO em 1969, quando do decreto de criação da FEFIERJ, que incluía a referida EMC.
Inúmeras foram as reformas feitas para a modernização e adequação do hospital às necessidades atuais, muitas vezes obras incompatíveis com o cuidado que se deve a um bem arquitetônico de tamanha grandeza. Entretanto, outras tantas ainda são necessárias para a continuidade das atividades de um hospital escola em perfeita consonância com as normas vigentes.
Atualmente o HUGG é um órgão suplementar da UNIRIO, constituindo um Centro de Assistência para a população, atendendo exclusivamente pelo SUS. Ele conta com 233 leitos e ambulatório de 125 consultórios e desenvolve programas como o Programa de Hanseníase, Programa de Diabetes, Programa de Tuberculose, Programa de Hipertensão, Programa de pré-natal e Programa de Atenção ao Idoso.
Tombamento: Decreto Municipal 23.236/2003
A motivação principal que levou ao tombamento do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle foi o fato deste ser um exemplar único do estilo arquitetônico neocolonial aplicado a uma edificação na área da saúde, construída com o propósito de ter este uso específico.
O HUGG pode ser considerado um marco arquitetônico na paisagem urbana e marco histórico na área de saúde, sendo uma das principais instituições hospitalares do Brasil, na época.
O processo de tombamento do HUGG o considera como conjunto arquitetônico, uma vez que foi estabelecida a criação de uma Área de Proteção de Entorno de Bem Tombado, que abrange os limites do seu terreno e inclui todas as edificações que ali existem.
Arquiteto Responsável: Porto d'Ave
O engenheiro Adelstano Porto d’Ave fazia parte da elite intelectual e econômica da sua época, tinha paixão por automobilismo e foi através deste meio em que conheceu os irmãos Guinle, com quem compartilhava ideais progressistas.
Com o apoio de Guilherme Guinle, o arquiteto recebe o convite para projetar o hospital da Fundação Gaffrée e Guinle, sua primeira grande oportunidade na carreira. Esta obra lhe dá reconhecimento e prestígio gerando novos projetos no futuro, como o Hospital do Câncer, o Hospital das Clínicas e outros. Entretanto, apenas o Hospital Gaffrée e Guinle foi concluído com sucesso, sendo as demais obras marcadas por diversos problemas que impediram as suas finalizações.
Uso e estado de conservação atual:
O HUGG é um centro de assistência para a população que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A sua capacidade de atendimento atende 233 leitos e um ambulatório com 125 consultórios e desenvolve programas preconizados pelo Ministério da Saúde, como o Programa de Hanseníase, Programa de Diabetes, Programa de Tuberculose, Programa de Hipertensão, Programa de Pré-Natal e Programa de Atenção ao Idoso.
Em 2020 uma nova enfermaria pediátrica foi inaugurada, com capacidade de onze leitos, sendo um deles semi-intensivo para casos mais graves, com atendimento de diversas especialidades pediátricas e apoio para especialidades cirúrgicas.
Por ser um edifício erguido no início do século passado, muitas das normas e da legislação vigentes, não existiam na época de sua construção, portanto, há uma grande dificuldade de adaptar as instalações existentes para as condições atuais. As dificuldades orçamentárias também são importantes e adicionam uma camada a mais de empecilho para as reformas necessárias.
Apesar das inúmeras reformas, o hospital ainda encontra-se em vias de adaptar-se às normas sanitárias vigentes. Mesmo depois do tombamento algumas intervenções foram realizadas, sobretudo para a modernização dos ambientes, renovação tecnológica, para a manutenção predial e em especial para o atendimento de normas sanitárias como a RDC-50, sem a qual o hospital pode sofrer sanções importantes, podendo levar até a interdição dos ambientes.
Outras intervenções como as melhorias para a acessibilidade, a troca dos pisos, os fechamentos de vãos de portas e janelas para atender as demandas de refrigeração, as intervenções na fachada como a instalação de aparelhos de ar condicionado, antenas, tubulações e outros elementos espúrios são problemas para os quais ainda não se apresentou uma solução adequada e merecem atenção contínua.
Descrição do bem:
A tipologia adotada para o HUGG se assemelha a um hospital higienista, com pavilhões horizontais espaçados, com poucos andares, pé-direito alto, alas interligadas por corredores e com uma grande quantidade de janelas. O bloco principal possuia quatro andares e a instalação de elevadores foi considerada um avanço para a época.
A planta do prédio principal é retangular, com duas alas longitudinais em disposição simétrica, configurando uma circulação em “U”, visando um maior isolamento entre as enfermarias e a separação dos fluxos de circulação do hospital.
A caracterização da arquitetura neocolonial apresenta-se na fachada principal do edifício em elementos como os “telhados em quatro águas com arremate tipo “asa de andorinha” nas pontas das telhas; beirais com cornijas; frontões curvilíneos com pinhas, painéis de azulejos e óculos ovais inclusos; colunas de fustes trabalhados; janelas e portas em arco (principalmente no térreo), venezianas, consolos e cercaduras em alvenaria, adornadas com coroas arqueadas e volutas, entre outros. Veem-se azulejaria e ornamentos em estuque com motivos sinuosos e espiralados por toda a fachada.” ¹
Entretanto, cabe observar que nas fachadas laterais, inclusive as do pátio, predominam os traços simétricos e austeros com vãos de janelas de vergas retas e de pouco ornamento, elementos típicos da arquitetura clássica.
Os demais bens do conjunto arquitetônico, como o biotério, o castelo d’água, o instituto de pesquisa e a capela também trazem elementos neoclássicos, como pórticos sinuosos, vitrais e painéis em azulejo decorado.
Nos vitrais da escadaria principal do Instituto de Pesquisa do Gaffrée e Guinle foram homenageados grandes nomes da pesquisa mundial em bacteriologia, como Louis Pasteur, Robert Koch e o bacteriologista Oswaldo Cruz.
Entre os anos 1960 e 1990 o hospital passou por algumas intervenções arquitetônicas como a construção de anexos e ampliações que alteraram a arquitetura e volumetria original em algum nível.
Ao todo dez edifícios, de tamanhos e funções diversas foram construídos neste período, entre eles, o Centro Multidisciplinar de Pesquisa e Extensão sobre Envelhecimento, a ala da pediatria, ala de oncologia, a divisão de nutrição/refeitório/cozinha e a subestação.
Foram inúmeras as alterações e ampliações executadas, como a alteração de divisões internas existentes e a construção de novos pavimentos internos através da instalação de mezaninos. No térreo, o fechamento de alguns pátios internos propiciou a criação de novos espaços, como o centro cirúrgico, construído em 1975.
Embora estes anexos e ampliações tenham sido uma resposta para as novas necessidades do hospital, elas descaracterizaram consideravelmente as fachadas e alteraram os acessos do edifício e se apresentam em desarmonia com as unidades preexistentes, sob o ponto de vista do patrimônio.
O hospital correspondia aos avanços da época para este tipo de edificação, de acordo com a avaliação do engenheiro Licínio Cardoso. Ele era moderno em seu programa e projeto arquitetônico, era urbano, socioeducativo, por propiciar a integração entre pesquisa e estudos e era de fácil acesso, além de ser uma edificação alegre e atraente em termos estéticos.
Vitrais do Instituto de Pesquisa - Louis Pasteur, Robert Koch e Oswaldo Cruz. Fonte: https://agencia.fiocruz.br/exposi%C3%A7%C3%A3o-e-artigo-recuperam-a-trajet%C3%B3ria-do-profissional-que-renovou-a-arquitetura-hospitalar, acessado em 16/11/2021.
Histórico:
A construção de um hospital de grande porte em estilo arquitetônico neocolonial vem de encontro às discussões nacionalistas da época, onde se buscava uma identidade nacional para o Brasil e este era o estilo que, naquele momento, se entendia como o melhor representante deste ideal.
A ideia da criação de um hospital para o tratamento de doenças venéreas, vem do seu patrono, o filantropo Guilherme Guinle, que criou a Fundação Gaffrée e Guinle para gerir a sua atuação filantrópica, em memória dos empresários Eduardo Guinle, seu pai, e Cândido Gaffrée, amigo íntimo da família.
A Fundação Gaffrée e Guinle tinha um grandioso projeto de combate às endemias venéreas que se espalhava pela cidade e para isso desejavam construir um complexo hospitalar para atendimento e pesquisa e uma rede de ambulatórios pela cidade. A manutenção do hospital e o seu aparelhamento ficariam a cargo do governo federal e das doações privadas.
O Hospital contou com um corpo técnico composto pelas principais personalidades de destaque da época e tornou-se reconhecido nacional e internacionalmente no controle dessas doenças. Ele foi fundamental no controle e pesquisa de diversas doenças na Capital Federal, em especial, a sífilis.
O Hospital Gaffrée e Guinle foi bastante noticiado na época e tanto a imprensa técnica quanto a comum, buscaram em suas matérias enaltecer a grandiosidade das instalações do hospital e a moderna abordagem no tratamento da sífilis, depositando inclusive esperanças num futuro melhor para o povo.
Na década de 1940, começam a surgir os problemas financeiros. Os custos para manter o hospital eram imensos e os subsídios do governo, assim como as doações privadas eram inconstantes e insuficientes para manter um projeto de tal magnitude.
Apesar disso, há êxito no combate às doenças venéreas, como a sífilis, levando ao seu quase desaparecimento na década de 1950. Paradoxalmente, o sucesso do tratamento leva a diminuição dos pacientes atendidos, esvaziando a missão para a qual o hospital fora projetado.
Na década de 1960 com as dificuldades financeiras agravadas, o hospital passa a alugar suas dependências para outras instituições, como o Serviço Nacional do Câncer e a Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, como forma de diversificar seus serviços de saúde.
Em 1966 o hospital é incorporado à Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro que procurava um prédio próprio para as suas atividades e passa a ser um hospital escola, com o ensino prático agregado às suas atividades de assistência e pesquisa.
Desenho inicial de Porto d’Ave para a fachada principal do Hospital Gaffrée e Guinle (1922-1923). Fonte: RUBIM, 2017, apud Fundo Porto d’Ave (COC/FIOCRUZ).
¹ RUBIM, Cláudia Mazarakis. A preservação de um patrimônio edificado da saúde no Rio de Janeiro: O Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. Dissertação (Mestrado em Arquitetura). Programa de Pós-Graduação em Arquitetura. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - FAU/UFRJ. Rio de Janeiro. p.76. 2017.
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