Egresso da UNIRIO é seis vezes premiado com tese sobre engenharia de software baseada em multidão
Inovação aberta e engenharia de requisitos baseada em multidão. São esses os pilares fundamentais do método desenvolvido pelo egresso do Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI) Paulo Malcher em sua tese de doutorado sobre mudança de requisitos em ecossistemas de software. Defendido no segundo semestre de 2024, o trabalho recebeu seis prêmios ao longo de 2025.
A tese, intitulada A Method for Supporting Requirements Change Management in Software Ecosystems Based on Open Innovation and CrowdRE (“Um método para apoiar a gestão de mudança de requisitos em ecossistemas de software baseado em inovação aberta e CrowdRE”), foi orientada pelo docente do PPGI Rodrigo Santos e coorientada pelo professor Davi Viana dos Santos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
De acordo com o autor, o conceito de ecossistema de software refere-se a um sistema desenvolvido por várias empresas, em interação com usuários, no qual há interdependência entre os elementos. “Quando se decide fazer uma mudança no [sistema operacional] Android, por exemplo, pode ser que isso afete o Facebook, que também terá que alterar seu aplicativo”, aponta. “Com o método, consigo identificar mudanças que podem afetar todo o ecossistema, a partir de relatos de usuários ou de desenvolvedores externos”, completa.
Trata-se da engenharia de requisitos baseada em multidão – possibilitada, por exemplo, pelas avaliações de milhares de usuários na Google Play Store e na App Store para iOS, lojas de aplicativos para smartphones. “Se analisarmos de forma semiautomática as respostas dessa multidão, saberemos do que estão reclamando e onde devemos mudar”, ressalta o recém-doutor, que, desde 2016, é docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), lecionando nos cursos de Licenciatura em Computação e Bacharelado em Sistemas de Informação.
Segundo ele, as mudanças resultam em novos requisitos ou na alteração de requisitos existentes, aos quais o software deve atender para ser entregue ao usuário, seja em forma de funcionalidade, seja como restrição. “Tudo muda com o tempo, pois as condições de negócio se transformam, a legislação sofre alterações, novas tecnologias surgem e muita coisa que, antes, era executada de determinado jeito, passa a ser feita de outra maneira”, salienta, citando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), de 2018, que impôs restrições sobre o tratamento de dados em meio físico e digital.
Cooperação
O desenvolvimento de software a partir de avaliações é viabilizado por meio da troca de informações entre empresas, uma vez que o ecossistema se baseia no princípio de inovação aberta. “É como se a empresa atuasse como um ‘funil todo furado’, abrindo-se para o mercado, em outras áreas, para que a inovação venha da cooperação com parceiros – ou, até mesmo, com concorrentes, em alguns casos”, explica Malcher.
O modelo conceitual elaborado no PPGI se propõe a embasar com informações os profissionais que desenvolvem software nesse ecossistema, auxiliando os gestores de projetos na tomada de decisão. Com esse objetivo, o autor criou o método, definindo e escrevendo as atividades a serem realizadas, e produziu a ferramenta computacional para implementá-lo. O software SECO-RCR, criado com licença de código aberto, está disponível para download na página do Laboratório de Engenharia de Sistemas Complexos (Labesc) da UNIRIO.
Para o estudo de avaliação do método, a ferramenta foi testada em uma empresa europeia de engenharia de software, com filiais no mundo todo, inclusive no Brasil. Inicialmente, um conjunto de especialistas da companhia avaliou a estrutura e o conteúdo do método. Em seguida, os profissionais passaram por treinamento para utilização da ferramenta, no qual aprenderam sobre a sequência de passos a ser seguida. Após a implementação, os gestores de projetos que participaram da pesquisa puderam expor suas impressões sobre a ferramenta.
“A gestora principal revelou que havia conseguido identificar mudanças em diferentes projetos capazes de favorecer o desenvolvimento do ecossistema”, conta Malcher. “Além disso, considerou que o software agilizaria o trabalho dela, já que não precisaria ter contato individual com o respectivo gestor de cada projeto para ter uma visão holística do funcionamento do sistema”.
A pesquisa prosseguiu após a defesa da tese, com a avaliação do método no contexto brasileiro, implementado em uma empresa nacional de energia elétrica. Os resultados dessa nova fase ainda serão publicados em artigos.
Confira abaixo a lista de premiações do trabalho.
- Prêmio de melhor tese do Programa de Pós-Graduação em Informática (PPGI), em março.
- Segundo lugar no concurso de melhor tese do XXI Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI), em maio.
- Primeiro lugar no Colégio de Ciências Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar da 10ª Jornada de Pós-Graduação da UNIRIO, em outubro.
- Segundo lugar no concurso de teses do XXXIX Simpósio Brasileiro de Engenharia de Software (SBES), em outubro.
- Primeiro lugar no concurso de teses no Workshop Anual do MPS (Wamps), em novembro.
- Terceiro lugar no XXIV Simpósio Brasileiro de Qualidade de Software (SBQS), em novembro.
(Gabriella Praça - UNIRIO/Comso)

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