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Estudo da UNIRIO aponta efeito da espiritualidade como fator de proteção contra a ansiedade

por Comunicação publicado 11/07/2022 16h00, última modificação 20/07/2022 13h21
Pesquisa avaliou mais de 100 profissionais de saúde do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, evidenciando que o bem-estar espiritual proporciona melhor adaptação psicológica frente a situações de estresse

Existe relação direta entre saúde mental e espiritualidade? Para pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Neurologia (PPGNeuro) da UNIRIO, a resposta é “sim”. Em estudo publicado na revista Plos One, os cientistas evidenciaram a espiritualidade como fator de proteção contra a ansiedade em trabalhadores de saúde durante a pandemia de Covid-19.

A pesquisa avaliou 118 funcionários do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e técnicos de laboratório. Os profissionais responderam ao questionário FACIT-Sp, instrumento amplamente utilizado em pesquisas clínicas e validado para uso no Brasil. O questionário contém itens sobre três dimensões espirituais psicologicamente significativas: sensação de paz ou harmonia interior; sentido e propósito na vida; e força e conforto na fé.

As respostas permitiram avaliar se os participantes sofriam, ou não, de ansiedade, e se o problema teria surgido ainda antes do início da pandemia, ou só a partir de então. Segundo o autor principal do artigo, professor Julio Tolentino, estudos prévios já haviam demonstrado a maior taxa de ansiedade entre profissionais de saúde durante a pandemia, na comparação com a população em geral. “Entre os motivos, há o risco individual de infecção pelo coronavírus – e transmissão para os próprios familiares – e o trabalho em condições complexas”, aponta.

Na pesquisa, os trabalhadores foram divididos em três grupos, de acordo com seu estado mental: participantes com ansiedade crônica; com ansiedade aguda (iniciada durante a pandemia); e sem ansiedade. A espiritualidade emergiu como fator de proteção para ambos os grupos ansiosos. “Isso poderia ser explicado pelo fato de o maior bem-estar espiritual proporcionar melhor adaptação psicológica frente a situações de estresse vivenciadas por esses profissionais”, destaca Tolentino. Para ele, outra possível razão seria o fortalecimento da resiliência em função da espiritualidade.

Outro achado relevante diz respeito à paz interior, que teria conferido proteção contra a ansiedade em geral, enquanto a fé se revelaria determinante como proteção adicional para evitar o surgimento de ansiedade relacionada à pandemia.

Enfrentamento do estresse

O pesquisador sugere que profissionais de saúde com maior bem-estar espiritual desenvolvam mecanismos internos que os ajudem a lidar com as adversidades. Segundo ele, apenas participantes com maior pontuação no quesito “fé” permaneceram sem ansiedade durante a pandemia. “Os dados sugerem que a fé pessoal pode representar uma importante estratégia de enfrentamento frente a um grave momento de estresse entre os profissionais de saúde”, ressalta.

Curiosamente, a religião não parece conferir a mesma proteção. Entre as explicações apontadas, está a maior subjetividade da fé em comparação com a filiação religiosa. “A fé é mais profunda, permite uma visão de mundo mais otimista e pode aumentar a resiliência psicológica”, indica o professor, lembrando que a espiritualidade não envolve, necessariamente, a prática religiosa.

Docente da Escola de Medicina e Cirurgia (EMC), Tolentino aponta a necessidade de se buscarem formas para amenizar a ansiedade sofrida pelos profissionais de saúde, como intervenções que possam melhorar o bem-estar espiritual. “Esperamos que a pandemia termine, mas permaneceremos com a complexa questão da elevada taxa de ansiedade nesses profissionais, que está muito relacionada a outros problemas mentais – como depressão e burnout – e físicos – como o aumento do risco de eventos cardiovasculares”, sentencia.

registrado em: Ciência na UNIRIO

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