código do Google analytics Doença inflamatória intestinal requer cuidados com a alimentação — Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Portal do Governo Brasileiro

Webmail | Guia Telefônico |  Perguntas Frequentes |  Fale ConoscoOuvidoriaImprensa

Central de Conteúdos

Icone de um calendárioEventos

Ícone de um jornal dobradoPublicações

ícone periódicosPortal de Periódicos

Ícone de uma filmadora na cor branca com findo azulVídeos

Você está aqui: Página Inicial / Doença inflamatória intestinal requer cuidados com a alimentação

Doença inflamatória intestinal requer cuidados com a alimentação

por Comunicação publicado 18/05/2020 09h01, última modificação 18/05/2020 09h12
19 de maio é o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, que atinge cada vez mais pessoas no país. Confira entrevista com as professoras da Escola de Nutrição Fabricia Junqueira e Thaís Ferreira

O Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal acontece anualmente em 19 de maio, como forma de alertar para a prevenção e reforçar os cuidados com a enfermidade, que atinge cada vez mais pessoas em todo o mundo.

A Escola de Nutrição, por meio de projetos de extensão e de pesquisa coordenados pelas professoras Fabricia Junqueira e Thaís Ferreira, realiza o acompanhamento nutricional de pessoas com diagnóstico de doença inflamatória intestinal no Ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle.

Ao longo dos anos de atuação, as professoras e alunos identificaram a necessidade da criação de conteúdos educativos que pudessem complementar o atendimento individualizado e as atividades realizadas na sala de espera, já que alimentação e nutrição estão intimamente relacionadas ao controle da doença.

Assim foi concebido o conteúdo Alimentação na Doença Inflamatória Intestinal, voltado a pessoas com diagnóstico de doença inflamatória intestinal e seus familiares. O objetivo principal é contribuir para o esclarecimento de possíveis dúvidas e dar autonomia para escolhas alimentares mais adequadas e saudáveis.

Leia a seguir entrevista realizada pela Comso com as professoras Fabricia Junqueira e Thaís Ferreira:

- Como se caracteriza a Doença Inflamatória Intestinal?

A doença inflamatória intestinal é caracterizada por inflamação crônica da parede do trato gastrointestinal. Não se sabe a causa exata, mas a literatura científica mostra que existem muitos fatores associados, como por exemplo fatores genéticos, socioambientais, microbiológicos e imunológicos. Os principais tipos de doença inflamatória intestinal são a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Os sintomas observados com maior frequência são alterações na função intestinal, como diarreia e/ou constipação, sangramento nas fezes, além de dor e distensão abdominal. Todas essas questões apresentam impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos com doença inflamatória intestinal.

- A doença atinge, em média, quantas pessoas no Brasil e no mundo?

Existem poucos estudos epidemiológicos com dados relacionados à distribuição da doença inflamatória intestinal no Brasil. Porém, sabe-se que, assim como ocorre em outros países em desenvolvimento, a doença inflamatória intestinal vem aumentando em todo o país. Esse aumento ocorre de forma heterogênea na sua incidência (casos novos) e prevalência (casos já existentes). E essa discrepância pode ser observada no crescimento acentuado em zonas urbanas mais desenvolvidas, como São Paulo e Rio de Janeiro, com taxas tanto de incidência quanto de prevalência parecidos com as observadas em países europeus. Vale ressaltar que não se sabe ainda se esse aumento ocorre por um aumento do número de casos e/ou um diagnóstico mais preciso.

- Vocês realizam, no HUGG, o acompanhamento de nutricional de pessoas diagnosticadas com a doença. Qual a importância do controle da alimentação nestes pacientes?

É fundamental o acompanhamento nutricional para esses indivíduos com doença inflamatória intestinal. Por se tratar de uma doença que interfere no funcionamento do trato gastrointestinal e no processo de digestão e absorção de nutrientes, essas pessoas podem apresentar perda de peso e carências diversas de vitaminas e minerais. Por outro lado, na fase de remissão, ou seja, de melhora dos sinais e sintomas, muitos indivíduos conseguem manter por determinados períodos uma ingestão alimentar muito semelhante à população, com risco de ganho de peso excessivo. Além, a ingestão de determinados alimentos ou não consumir alguns alimentos pode contribuir para a exacerbação de sintomas ou ajudar no controle dos mesmos. Por isso, o acompanhamento nutricional é essencial para traçar um plano alimentar adequado, com orientações alimentares específicas para cada situação. O nutricionista orienta as substituições que devem ser feitas de forma adequada para evitar distúrbios nutricionais.

- De forma geral, quais as principais recomendações alimentares para quem tem a doença inflamatória intestinal?

As orientações dependem da fase da doença. Os indivíduos com doença inflamatória intestinal podem apresentar períodos em que a doença está ativa (com processo inflamatório, com dor, alteração da função intestinal, entre outros sinais e sintomas) e outros períodos em que a doença está em remissão, ou seja, com a doença controlada e sem sinais e sintomas. Dependendo da fase da doença, a alimentação deverá ser individualizada para cada indivíduo. De qualquer forma, muitos indivíduos com doença inflamatória intestinal não toleram leite, feijões e grande quantidade de fibras, presentes em frutas, verduras e legumes. Algumas opções de substituição são leite sem lactose, caldo de feijão e frutas e legumes específicos.

- Vocês organizaram um material educativo com base na experiência de atendimento no HUGG. Qual a expectativa em relação à divulgação deste conteúdo?

Nossa expectativa é que pessoas com doença inflamatória intestinal possam se beneficiar de informações importantes para o seu tratamento, de forma gratuita e acessível. Nosso material foi desenvolvido com base nas principais dúvidas apresentadas pelo público que atendemos sobre a doença, a partir da iniciativa de uma aluna do curso de Nutrição e com a participação de docentes e profissionais internos e externos à UNIRIO. Vale ressaltar que o atendimento nutricional individualizado se mantém necessário, visto que cada pessoa reage de maneira diferente à ingestão de cada alimento. Mas nosso objetivo é que, não só as pessoas atendidas no HUGG, mas todas as pessoas com doença inflamatória intestinal e seus familiares, tenham acesso a informações de qualidade presentes no material educativo. Entendemos que é importante incentivar a autonomia para escolhas alimentares mais saudáveis e adequadas com base em informações seguras, o que é especialmente importante em momentos como esse da pandemia de Covid-19.


Capes CNPQ Imagem Rede Unirio