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Deputado Jean Wyllys ministra aula inaugural no PPGHIV/HV

por comunicacao — publicado 30/07/2014 18h05, última modificação 02/09/2014 18h40
Parlamentar, que irá lecionar uma disciplina no Mestrado Profissional em HIV/Aids e Hepatites Virais, apresentou reflexões sobre as representações linguísticas, literárias e audiovisuais da doença, e seus desdobramentos

“Formas de saber, formas de adoecer: representações linguísticas, literárias e audiovisuais da Aids”. Esse foi o tema da aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Infecção HIV/Aids e Hepatites Virais (PPGHIV/HV), ministrada na manhã desta quarta-feira, dia 30 de julho, pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ).

Na aula, realizada no anfiteatro do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG), Jean baseou-se em ideias de campos como filosofia da linguagem, psicologia, teoria da comunicação, semiótica e antropologia para discutir o conceito de representação. Segundo ele, as representações nos afetam desde o útero materno, quando a gestante “conversa” com o bebê que ainda vai nascer.

Dessa forma, a apresentação de algo ausente por meio de elementos com significado está por toda parte. “É o acontece, por exemplo, quando ouvimos um hino nacional, que, ao ser executado, representa a própria nação”, disse o deputado. Já no caso da Aids, “são produzidas representações do discurso médico”.

Terceira dimensão

O deputado discutiu a chamada “terceira dimensão da epidemia de Aids”, que corresponderia às representações sobre a doença. Esse estágio teve início depois do surgimento da epidemia viral, sobre a qual pouco se sabia, e da disseminação da epidemia.

Para Jean, “peste gay”, “castigo moral” e “mal do terceiro mundo” são termos característicos da representação de uma doença que, no começo, atingia fortemente homossexuais, profissionais do sexo e usuários de drogas. “A Aids é vista como uma doença causada não apenas pelos excessos, mas também à perversão sexual”, observa.

“Em caso de diagnóstico de câncer, muitas vezes a família não revela a doença ao paciente. Já na Aids, é comum o paciente não revelar a doença à família, e evitar o tratamento”, disse o deputado. Ele acredita que o ambiente de representações em que a pessoa vive pode contribuir para melhorar ou piorar sua saúde. “Quando as representações ruins começam a ser varridas, os pacientes respeitam melhor o tratamento”, enfatizou.

Vulnerabilidade

A antiga ideia de “comportamento de risco”, para Jean, deve ser substituída pela noção de vulnerabilidade. “Comportamento é algo que pressupõe autonomia do sujeito; no entanto, muitos indivíduos em vulnerabilidade sequer tiveram acesso à educação, para saber quais são as atitudes mais ou menos arriscadas”, ressaltou.

Na avaliação do deputado, o que torna uma pessoa vulnerável é menos uma questão de responsabilidade sexual, e mais sua posição na sociedade: “Um adolescente gay, por exemplo, experimenta a sexualidade clandestinamente, pois não pode beijar no shopping ou levar o namorado para casa, como fazem os heterossexuais da mesma idade. Isso os torna mais vulneráveis ao HIV”.

Embora o Brasil seja uma referência no tratamento da Aids, Jean Wyllys ressaltou que o país fracassou na prevenção da epidemia, que atualmente tem nova onda de crescimento. Para ele, entre as causas desse fracasso estão a deficiência educacional da população, que não consegue assimilar as mensagens de prevenção; a intensificação do fundamentalismo religioso; e o impacto da terapia antirretroviral, que reduz a decadência física provocada pela doença. “A nova geração tem encarado a Aids como uma doença crônica, com a qual se pode conviver”, alerta.

Também foi abordado o ensino universitário, que, para o deputado, deve formar não apenas profissionais tecnicamente capacitados, mas cidadãos capazes de compreender a complexidade do mundo. “A universidade precisa ser mais interdisciplinar, transdisciplinar, multidisciplinar”.

O Programa

Essa foi a primeira aula do deputado Jean Wyllys como professor do PPGHIV/HV. Inaugurado no primeiro semestre de 2013, o Programa oferece um curso de mestrado profissional cuja proposta é mesclar pesquisa com assistência aos enfermos, visando à promoção de um atendimento altamente sofisticado e à formação e capacitação de médicos e outros profissionais da área da saúde.

Na mesa de abertura do evento, organizado pelo professor e coordenador do PPGHIV/HV, Fernando Ferry, estiveram presentes o reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca; o vice-reitor, José da Costa Filho; o presidente da Academia Nacional de Medicina e ex-reitor da UNIRIO, Pietro Novellino; o diretor do HUGG, Antonio Carlos Iglesias; o diretor da Escola de Medicina e Cirurgia (EMC), Agostinho Ascenção; e o diretor de Pós-Graduação, Paulo Cavalcante, representando a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPG).

Autoridades da UNIRIO participaram da abertura da aula (Foto: Comso)


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