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Mulheres protagonizam atividade do 'Matemática na Urca'

por Comunicacao UNIRIO publicado 20/10/2016 10h55, última modificação 21/10/2016 08h28

As mulheres tiveram destaque no primeiro dia de atividades da quinta edição do Matemática na Urca, que acontece dentro da 14ª Semana de Integração Acadêmica (SIA). Organizado por um grupo de cinco professoras do Departamento de Matemática da UNIRIO, o evento dedicou a noite de abertura, na última terça-feira (18), para discutir a presença feminina na matemática – que ainda é pequena e marcada por desafios, entre eles o enfrentamento do machismo e do preconceito no dia a dia da profissão.

A palestra de abertura contou com a presença da matemática Celina Figueiredo, primeira mulher a alcançar o posto de professora titular no Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), da UFRJ. Ela abordou o tema da intratabilidade e otimização, refletindo sobre como a matemática pode auxiliar na resolução de questões de alta complexidade, os chamados problemas intratáveis.

Em seguida, realizou-se a mesa-redonda A presença das mulheres na matemática, que reuniu Carolina Bhering de Araújo, pesquisadora do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa); Maria Eulália Vares, professora titular do Instituto de Matemática da UFRJ; e Tatiana Roque, também docente da UFRJ. Elas discutiram as dificuldades de se progredir num universo predominantemente masculino e refletiram sobre estratégias para atrair meninas para a carreira.

Laureada com o prêmio L'Oréal para Mulheres na Ciência em 2008, Carolina Bhering Araújo apresentou dados sobre a formação e a carreira acadêmica de homens e mulheres no Brasil. No ingresso à universidade, a proporção masculina e feminina é bastante semelhante. No entanto, em níveis mais altos da carreira, o percentual de mulheres cai em todas as áreas, principalmente nas Ciências Exatas. Para a pesquisadora, a baixa participação das mulheres nessas áreas relaciona-se com os papéis atribuídos socialmente às mulheres (beleza, recato, dedicação) e aos cientistas (inteligência, criatividade, inventividade).

Quando comparamos os estereótipos da mulher e do cientista, observamos que eles são praticamente incompatíveis. E esses estereótipos estão enraizados em nossa cultura e se manifestam em nossas ações”, reflete Carolina.

A matemática Tatiana Roque observou que a construção desses papéis aconteceu ao longo da história, com mais força em meados do século 19, quando surge o conceito de objetividade. “Nessa época, a prática científica passa a requerer a contenção da subjetividade e da afetividade. Os homens passam, então, a ter sua ação pública no mundo, enquanto a mulher se mantém em casa, cuidando da família. Daí vem sua relação maior com os saberes voltados para o cuidado”, explicou a pesquisadora.

Para Maria Eulália Vares, da UFRJ, além de desmontar mitos e visões esterotipadas sobre as mulheres, é preciso desenvolver ações para despertar maior motivação nas meninas e nas jovens para o ingresso na matemática e outros campos das Exatas. Ela mencionou algumas iniciativas do governo federal, como a criação, em 2004, do Programa Mulher e Ciência e do Prêmio Construindo a Igualdade de Gênero, o lançamento de sucessivas chamadas de pesquisa voltadas ao estudo das relações de gênero. Mas, segundo a pesquisadora, é preciso mais. “Precisamos promover ações inclusivas para as mulheres em comitês de avaliação e de pesquisa, e em comissões de organização de eventos científicos. Não podemos ter medo de propor essas iniciativas”.

Programação

O Matemática na Urca prossegue nesta quinta-feira, 20, a partir das 17h, com palestra, oficinas e apresentação de pôsteres, no campus do CCET. Na sexta-feira, 21, será realizada a mesa-redonda Os desafios da inclusão no Ensino da Matemática, a partir das 18h, no auditório Tércio Pacitti (CCET/Ibio). O evento será encerrado com o Quarteto de Saxofones da UNIRIO.


Acesso a Informação Capes CNPQ