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Evento do PPGEDU debate educação na América Latina

por Comunicacao UNIRIO publicado 16/12/2015 16h45, última modificação 17/12/2015 10h41

Assim como no Brasil, o sistema educacional do Uruguai enfrenta problemas relacionados à permanência dos estudantes até o fim do ciclo escolar. No caso deles, o principal gargalo é no ensino médio – apenas um em cada três jovens uruguaios consegue completar esse nível, embora haja uma alta taxa de ingresso. Uma das variáveis que interfere nesse resultado é a taxa de repetência no ensino fundamental, que é a mais alta da América Latina.

Os dados fazem parte de um estudo apresentado nesta quarta-feira, 16 de dezembro, em evento promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEDU), e que recebeu a socióloga Verónica Filardo, da Universidad de La Republica, Uruguai. Ela destacou alguns aspectos relacionados à juventude uruguaia – principalmente no que se refere à educação –, com base em duas pesquisas oficiais realizadas nos anos de 1990 e 2008.

A estrutura de ensino formal do Uruguai totaliza 14 anos, sendo dois de ensino infantil, seis de ensino fundamental e seis de ensino médio (três anos de ensino básico e três de ensino médio superior). A cobertura, desde o início do século XX, era universal até os três primeiros anos do ensino médio, e em 2008 passou a englobar os três últimos. Naquele ano, conforme os dados da pesquisa oficial, do total de ingressantes no ensino médio, apenas 32,9% concluíam os estudos.

“A lei de 2008, que instituiu a obrigatoriedade em todos os níveis de ensino, apresentou um grande desafio, pois propôs reverter um resultado muito ruim: de que somente um em cada três jovens termina o ensino médio”, observou Verónica.

Repetência

Segundo a pesquisadora, a comparação entre as pesquisas de 1990 e 2008 mostra que um dos fatores que mais prejudicam a permanência dos jovens no ensino médio é a repetência nos níveis anteriores. O Uruguai é o país da América Latina com o maior nível de repetência nos primeiros anos do ensino fundamental.

“Dentre aqueles que terminaram o ensino médio, a maior parte teve uma trajetória escolar sem registro de repetência. Já entre os estudantes que repetiram pelo menos um ano do ensino fundamental, apenas 3% concluíram o ensino médio”, explicou a socióloga. Para ela, a repetência é “um dispositivo que está instalado na cultura educacional do país”.

A avaliação do percurso escolar dos jovens uruguaios mostra ainda que 51% chegam a iniciar o ensino médio, mas abandonam os estudos. Entre os principais motivos apontados pelos jovens estão a falta de interesse e a necessidade de ingressar no mercado de trabalho.

Além disso, ressalta Verónica, parte dos jovens das classes baixa ou média optam por trajetórias de formação mais alternativas, voltadas para áreas como as artes, que não exigem necessariamente o ensino formal.

“Os jovens no Uruguai são cada vez mais distintos. Alguns chegam à Universidade, depois à pós-graduação e ao pós-doutorado, sem sair do sistema educativo. Outros seguem no ensino médio, mesmo depois de adultos, com uma trajetória de idas e vindas. E há aqueles que simplesmente abandonam os estudos, por diferentes motivações”, aponta a pesquisadora uruguaia. Na avaliação de Verónica, os formuladores de políticas públicas de cunho educacional e social devem estar atentos a estes perfis, que aparecem em diferentes países latino-americanos.

Intercâmbio

Verónica Filardo fará nova apresentação nesta quinta-feira, dia 17, às 14h, na sala do Mestrado em Educação (Av. Pasteur, 458, Urca). A vinda da pesquisadora à UNIRIO faz parte de uma parceria do PPGEDU com a Universidad de La Republica, que promove intercâmbio entre professores e estudantes das duas instituições.

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