Dissertações Defendidas 2026
TEATRO E ADOLESCÊNCIA: Uma busca pela presença em tempos digitais
Discente: Helena Borschiver de Medeiros
Esta dissertação investiga como a relação dos adolescentes com as aulas de teatro se transformou na última década, especialmente no que diz respeito aos seus afetos, olhares e escutas. O texto aborda, a partir de referenciais como Jonathan Haidt, os impactos das relações virtuais não corpóreas na vida dos adolescentes — sobretudo a fragilização dos vínculos, a dificuldade de presença e a sensação de não pertencimento. Propõe-se a reflexão sobre como o teatro, ao resgatar o sentido de comunidade e coletividade, pode se tornar um caminho para a reconstrução dos afetos, criando espaços de acolhimento e cooperação. A pesquisa se baseia em duas experiências pedagógicas distintas (2021 e 2024), nas quais utilizei o Teatro do Oprimido e a escrita autobiográfica como ferramentas para acessar as subjetividades dos jovens. Inspirada pelo Diário de Anne Frank e dialogando com Walter Benjamin (sobre a importância da narrativa e da transmissão de experiências), defendo que o teatro é uma linguagem urgente em um mundo marcado pelo isolamento, pelo bullying e pela falta de empatia.
TECA-TECA AMARELINHA AFRICANA: NO JOGO DA CONSTRUÇÃO DE CAMINHOS CÊNICOS.
Discente: Maria Carolina Ramos
A prática pedagógica desenvolvida articulou artes cênicas e decolonialidade. A ferramenta disparadora e estratégica para o processo pedagógico foi a brincadeira Teca-Teca amarelinha africana. A inserção dessa brincadeira contribuiu para o engajamento da turma nas atividades das aulas de teatro que ministrei no Lar de Maria Dolores, uma instituição comunitária localizada na região do Rocha e da Mangueira,no Rio de Janeiro. As brincadeiras possibilitaram a ativação de memórias de infância das participantes. No percurso, foram desenvolvidas atividades de estímulo corporal alinhadas com bem-estar e autocuidado, ao mesmo tempo em que trabalhamos reflexões e olhares críticos sobre os territórios onde vivem as adolescentes que frequentaram as aulas. Este trabalho buscou incorporar os Valores civilizatórios afro-brasileiros. Caminharam conosco: Milton Santos, Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus, Aline Motta e Rosana Paulino. A partir dessas referências, estruturou-se um Roteiro de Práticas Sensíveis organizado em 'Casas' que acionaram corpo, território e memória, tomando o brincar como rito e metodologia. O percurso permitiu que as alunas narrassem seus trajetos, materializando em cena vivências e escutas por meio de uma dramaturgia coletiva. Assim, ao enraizar o brincar no corpo, a sala de aula transmutou-se de simples espaço em lugar de memória, experiência e sentido.