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UNIRIO inicia processo para criação de uma Política de Permanência Parental

por Comunicação publicado 08/05/2026 21h06, última modificação 11/05/2026 12h48
Iniciativa visa acolher necessidades materno e paterno-infantis na Universidade, em especial das mães – que cada vez mais acumulam funções de cuidado com os filhos, estudo e trabalho

A proximidade do Dia das Mães, celebrado neste segundo domingo de maio, traz a oportunidade de pensar, para além das homenagens, nas dificuldades das mulheres que precisam conciliar estudo e/ou trabalho com as demandas maternas. A despeito de conquistas recentes, é preciso avançar no que se refere a políticas públicas de apoio às mães nas universidades.

Para dar início às discussões sobre a criação de uma política com esse objetivo na UNIRIO, será realizada na próxima terça-feira, 12 de maio, uma reunião para a qual foram convidados representantes das pró-reitorias acadêmicas (Graduação; Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação; e Extensão e Cultura), do Coletivo de Mães da UNIRIO, do projeto de extensão Acolhe UNIRIO: Hospitalidade para Mães, Pais e Filhos, e do Diretório Central de Estudantes (DCE).

A organização é da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) e da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão (Proaf). A intenção, segundo o pró-reitor Gustavo Naves, da Prae, é conversar sobre a possibilidade de formação de um Grupo de Trabalho (GT) voltado à elaboração da Política de Permanência Parental, em consonância com a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), que prevê a criação de infraestrutura física e de acolhimento direcionadas às necessidades materno e paterno-infantis das famílias de estudantes de instituições federais de ensino superior.

“Tendo como base a experiência até o momento bem-sucedida do GT da Política de Atenção à Saúde Mental Estudantil, que em breve apresentará seus resultados à comunidade, acredito que em um prazo de seis meses após a formação do GT será possível termos um avanço significativo nesta pauta”, avalia Gustavo.

Apoio para mães

Ainda que a PNAES mencione que as ações de acolhimento sejam dedicadas a “mães ou pais de filhos menores de 6 anos de idade”, observa-se um crescimento significativo no número de lares brasileiros chefiados por mulheres. Segundo dados do Portal da Transparência dos Registros Civis, mais de 1,7 milhão de crianças que nasceram na última década no Brasil possuem apenas o nome da mãe no documento – o que aponta para uma necessidade maior de ações diretamente voltadas a elas.

“Embora a parentalidade não seja uma questão exclusivamente das mulheres, os impactos sociais, acadêmicos e profissionais do cuidado ainda recaem de maneira profundamente desigual sobre as mães. Isso significa que políticas gerais de parentalidade são fundamentais, mas, sozinhas, não dão conta de enfrentar as assimetrias de gênero historicamente produzidas no ambiente universitário”, destaca Ana Paula Sciammarella, pró-reitora de Ações Afirmativas, Diversidade e Inclusão. 

Pesquisas mostram que mães universitárias enfrentam obstáculos específicos relacionados à falta de infraestrutura adequada, ausência de políticas institucionais de acolhimento e, muitas vezes, situações de invisibilização e até de violência simbólica dentro do ambiente acadêmico. Por isso, reflete Ana Paula, a discussão sobre políticas de parentalidade é uma agenda diretamente vinculada à redução das desigualdades de gênero na universidade.

A pró-reitora entende que essa política, em princípio voltada às mães estudantes, precisa contemplar medidas concretas de acolhimento e permanência, como a ampliação de redes de apoio, discussão sobre espaços adequados para cuidado infantil, flexibilizações acadêmicas em situações específicas, produção de dados institucionais sobre parentalidade na comunidade universitária e construção de protocolos e diretrizes que reconheçam as especificidades de mães, pais e cuidadores no ambiente universitário.

“A criação do GT sobre parentalidade na UNIRIO busca justamente abrir um espaço institucional de escuta, diagnóstico e formulação coletiva de políticas capazes de enfrentar desigualdades históricas e fortalecer uma universidade mais inclusiva, democrática e comprometida com a permanência de sua comunidade”, analisa.


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