UNIRIO concede títulos de doutor honoris causa, professor emérito e professor benemérito a seis docentes
A UNIRIO concedeu, no dia 14 de agosto, os títulos de doutor honoris causa, professor emérito e professor benemérito a seis docentes, em sessão solene dos Conselhos Superiores. A cerimônia foi realizada no Auditório Vera Janacópulos, na Urca, e reuniu docentes, discentes, técnicos administrativos, desembargadores e dirigentes de instituições, além de familiares e amigos dos homenageados.
“Há momentos em que as palavras parecem pequenas diante da grandeza de uma trajetória – e é certamente, hoje, um dia desses. Por isso, essa homenagem é também uma expressão da gratidão”, declarou a vice-reitora, Bruna Nascimento, na abertura da cerimônia. “Gratidão pelo conhecimento compartilhado, pela generosidade, pelo exemplo e pela inspiração”, completou.
O reitor, José da Costa Filho, não pôde estar presente por motivo de saúde, mas gravou em vídeo uma mensagem de saudação aos homenageados. “Quero dizer que considero muito significativa essa sessão solene de hoje, pois os dois centros tiveram atenção destacada nos últimos anos, na nossa Universidade”, apontou, referindo-se ao Centro de Ciências Biológicas e da Saude (CCBS) e ao Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP), ao qual se vinculam os docentes da UNIRIO contemplados com os títulos.
Em seguida, ele ressaltou a recente fusão do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) com o Hospital Federal dos Servidores do Estado, gerando o Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-UNIRIO), e a reabertura do casarão histórico do CCJP, após a finalização das obras de restauro, em outubro deste ano. “Nossa Universidade está em festa”, comemorou.
Também presente na mesa solene, o ex-reitor, Pietro Novelino, manifestou nostalgia ao referir-se à UNIRIO. “Existe um ditado antigo que diz que a saudade é o único paraíso do qual não podemos ser removidos”, destacou. “Ao entrar nesta casa, realmente, essa saudade foi imensurável”, acrescentou o professor, que esteve à frente da Universidade entre os anos de 2000 e 2004.
Doutores honoris causa
A solenidade prosseguiu com a saudação ao primeiro homenageado do dia, o pesquisador Jeffrey Todd Laitman, feita pelo docente da Escola de Medicina e Cirurgia (EMC) Ricardo Cavalcanti Ribeiro. “Laitman é professor emérito de distinção da Icahn School of Medicine at Mount Sinai. Ao longo das décadas, atuou com professor e diretor do Centro de Anatomia e Morfologia Funcional”, disse o orador. “Por meio dessas funções, contribuiu para a formação de gerações de médicos, cientistas e educadores, dando vida à anatomia como uma disciplina que conecta estrutura, função, desenvolvimento, evolução e prática clínica”.
O docente destacou, ainda, a trajetória científica do pesquisador. “Ele é reconhecido internacionalmente por suas contribuições ao estudo da evolução e do desenvolvimento do trato vocal humano, da laringe, da faringe, da base do crânio e do sistema aéreo-digestivo”, ressaltou, revelando que o pesquisador tem desenvolvido atividades em parceria com a Universidade de São Paulo, a Santa Casa de São Paulo e a UNIRIO.
Após ser condecorado com o título de doutor honoris causa, Laitman fez um breve discurso de agradecimento, contando que aquela já era a 16ª vez que visitava o Brasil. “Fico impressionado com a combinação de ciência extraordinária, medicina, comida, e a qualidade, compaixão e gentileza do povo. Tenho tentado devolver tudo que tenho recebido de vocês e ensinado o pouco que sei, em diferentes universidades”.
O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Neurologia (PPGNEURO), Sergio Luis Schmidt, fez o discurso de saudação ao pesquisador Kenneth Blum. O homenageado graduou-se pela Universidade de Columbia, em Nova York, cursou o mestrado em Ciências Médicas no New Jersey College of Medicine e o doutorado em Neurofarmacologia pelo New York Medical College. Posteriormente, completou seu treinamento de pós-doutorado em Genética no Instituto de Genética Comportamental da Universidade do Colorado.
“Entre suas contribuições mais importantes, está um artigo de referência, publicado na Jama, em 1990, em colaboração com seus colegas, descrevendo uma associação entre o gene do receptor D2, da dopamina DRD2, e o alcoolismo grave”, apontou. “Esse trabalho ajudou a estabelecer o campo moderno da genética psiquiátrica e estimulou décadas de pesquisas sobre as contribuições genéticas para os transtornos relacionados ao uso de substâncias e condições relacionadas”.
Segundo o docente, Blum também introduziu o conceito de “síndrome da deficiência de recompensa”, modelo conceitual que relaciona a susceptibilidade genética, os circuitos de recompensa, os sistemas dopaminérgicos e o surgimento de comportamentos de vício e compulsão. Para ele, também é importante reconhecer as contribuições do pesquisador para diversas outras áreas, como espiritualidade, transtorno de déficit de atenção, hiperatividade, transtorno do espectro autista e depressão, “sempre buscando compreender a relação entre suscetibilidade genética e comportamento humano”.
Schmidt salientou também sua relação com a UNIRIO. “O professor Blum tem dado uma contribuição significativa ao nosso Programa de Pós-Graduação em Neurologia”, ressaltou, revelando que o homenageado é docente colaborador do PPGNEURO.
Kenneth Blum recebeu o título e agradeceu a todos. “Eu não poderia estar mais grato, de uma forma tão humilde, e feliz por estar aqui, com essas pessoas maravilhosas da Universidade”, comemorou.

- Kenneth Blum é reconhecido pela associação entre o gene do receptor de dopamina D2 e o alcoolismo grave, divulgada em artigo no periódico Jama, em 1990 (Foto: Mariana Bianco - Decom/Emerj)
Professores eméritos
O docente da Escola de Medicina e Cirurgia (EMC) Rossano Kepler Alvim Fiorelli fez a saudação ao professor Agostinho Manuel da Silva Ascenção. “Esta distinção reconhece sua carreira de excelência e, sobretudo, uma vida inteira dedicada à medicina, ao ensino público e à nossa Universidade”, salientou.
Fiorelli resumiu a trajetória do docente, que se formou em medicina pela EMC, em 1978, e voltou à UNIRIO em 1982, como professor. “Em diferentes funções, serviu a Escola de Medicina e Cirurgia, ao hospital universitário e à Universidade, sempre compreendendo a vida institucional como compromisso coletivo”.
Ele abordou, ainda, o impacto da atuação do homenageado. “Nenhum currículo resume por inteiro o alcance de um mestre”, ponderou. “O legado do professor Agostinho vive nos médicos que ajudou a formar, nos residentes que orientou, nos programas que instituiu e nas gerações que acompanhou, ao longo de mais de quatro décadas, na pós-graduação em cirurgia geral. Vive também em sua atuação na saúde pública – especialmente no programa especial da saúde da Baixada, experiência que aprofundou sua defesa da medicina socialmente comprometida e dos princípios do Sistema Único de Saúde”.
Agostinho Ascensão foi condecorado com o título de professor emérito e fez o discurso de agradecimento. “Queria agradecer a essa Instituição, que, nesses 54, quase 55 anos em que eu aqui estou, me deu luz – e o que estava destinado à minha vida tornou-se realidade por quem eu aqui conheci: professores, como Josias de Freitas, Pietro Novellino e tantos outros”, apontou. “Devo a esta Escola, devo a esta Universidade muito mais do que o emprego, muito mais do que a profissão: eu devo a esta Universidade a luz; devo a essa Universidade um pouco da minha vida”.

- Agostinho Ascenção foi decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e diretor de Pós-Graduação da UNIRIO, do HUGG e da Escola de Medicina e Cirurgia (Foto: Mariana Bianco – Decom/Emerj)
A seguir, foi entregue o título de professora emérita à Ana Maria Paulino Telles de Carvalho, docente do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Neotropical (PPGBIO/UNIRIO), chefe do Laboratório de Biossistemática de Anfíbios (Laban) e curadora da coleção de anfíbios da Universidade.
O decano do CCBS, Carlos Henrique Caetano, proferiu à saudação à homenageada, destacando ser difícil falar da trajetória da docente sem mencionar seus estudantes, alguns deles presentes na plateia. “Uma professora não se mede apenas pelo número de artigos que publica, ou pelos cargos que ocupa. Mede-se, também, pelas pessoas que ajudou a formar. E os registros de sua carreira são eloquentes nesse aspecto”, salientou Caetano. O decano apontou como uma das maiores virtudes da carreira acadêmica de Ana Teles sua “capacidade de unir o rigor da ciência à generosidade da formação” e mencionou alguns fatos do percurso da docente no ensino e na pesquisa.
A professora Ana Telles expressou sua emoção, especialmente por ser a primeira professora das Ciências Biológicas a receber o título. Em sua fala, ela lembrou de momentos de sua carreira na UNIRIO, após deixar o Colégio Pedro II para lecionar na Universidade, e mencionou alguns alunos e professores que fizeram parte de sua trajetória. “Posso dizer que é um legado. Eu plantei trabalho, com amor e dedicação, e hoje colho colegas e amigos”, expressou a homenageada, sem deixar de agradecer o apoio de sua família para que fosse possível conciliar carreira e maternidade. “Que eu seja a primeira professora emérita da Biologia de muitas que virão”, declarou Ana.

- Ana Telles tornou-se a primeira docente da área de Ciências Biológicas a receber o título de professora emérita da UNIRIO (Foto: Mariana Bianco – Decom/Emerj)
Em seguida, foi a vez de Patrícia Ribeiro Serra Vieira, docente aposentada da Escola de Ciências Jurídicas (ECJ) da UNIRIO – de onde foi diretora entre 2009 e 2011 – e desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), receber o título de professora emérita.
A saudação à homenageada foi proferida pela professora Rosângela Maria de Azevedo Gomes, da ECJ. Após destacar que Patrícia Serra foi a primeira professora do CCJP a receber a emerência, ela apresentou um recorte da trajetória da homenageada, com foco em sua atuação como docente de Direito Civil na ECJ e da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. “Essas referências são relevantes para demonstrar a carreira exitosa da homenageada e seu compromisso ético com a justiça”, explicou Rosângela, acrescentando que Patrícia Serra tem a vocação sagrada do magistério. “Sua dedicação à ECJ, com afinco e esmero, imprimiu na memória afetiva do corpo discente e docente um modelo de profissional ético, comprometido e equilibrado”, resumiu.
Ao abrir sua fala, a professora Patrícia Serra afirmou que se sentia “uma imortal no lugar onde eu gosto de ser imortal, na Universidade”. Após registrar seu agradecimento ao reitor José da Costa Filho e à vice-reitora, Bruna Nascimento, ela fez menção ao ex-reitor Pietro Novelino, presente à mesa solene, que dirigia a UNIRIO quando foi criada a ECJ. E fez questão de registrar que não está se despedindo da Escola. “O título de professora emérita parece uma despedida. Mas quero pensar nessa Universidade como um lugar em que eu possa voltar o tempo inteiro, me sentir viva com meus colegas, como tenho me sentido”, afirmou Patrícia. Ela lembrou que, como filha de imigrantes portugueses, foi criada para educação, trabalho, ética e senso humanitário na vida pública, e que seguiu esses princípios em três instituições que estão “entrelaçadas em sua vida”: sua família, a UNIRIO e o TJ-RJ. E reforçou: “Ser professora emérita não significa chegar a um ponto final, ao contrário, representa um convite generoso para continuar contribuindo com a Universidade, com a educação e com a vida pública”.

- Desembargadora do TJRJ, Patrícia Serra conciliou suas atividades docentes na Escola de Direito da UNIRIO e na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro (Foto: Mariana Bianco – Decom/Emerj)
Professor benemérito
Por fim, foi concedido o título de professor benemérito ao docente Paulo César de Amorim Preza, que atuou como professor titular da EMC, com pesquisas no campo da Bioquímica.
Em sua saudação, o professor Jaime Lima, do Instituto Biomédico (IB), destacou que o homenageado formou-se na primeira turma de biomédicos do Estado do Rio de Janeiro, em 1968, na Uerj. “E, a partir de então, ele passou a formar novos profissionais, absolutamente dedicado a essa causa, formando jovens profissionais da área médica e das ciências biológicas. Centenas, talvez milhares de novos biomédicos”, relatou Jaime, que encerrou sua fala com o poema “Por quem os sinos dobram”, do inglês John Donne (1572-1631).
Emocionado, o professor Preza agradeceu à família pelo apoio, mencionando sua esposa há 56 anos, filhas, netos e bisneto. Para ele, o título representa um marco de sua trajetória. “A educação é um processo contínuo. Acredito profundamente em seu poder de transformar vidas, construir um futuro mais justo e humano. Levo comigo esse reconhecimento com humildade e responsabilidade, certo de que ele simboliza não apenas o que eu fiz, mas também o compromisso permanente com os valores que norteiam a minha atuação”, disse, ao elencar a ética, a dedicação e o amor pelo ensino e pela pesquisa como seus principais valores.

- Paulo César de Amorim Preza graduou-se na primeira turma de biomedicina do Estado do Rio de Janeiro, na Uerj, em 1968 (Foto: Mariana Bianco – Decom/Emerj)
Na fala de encerramento, a vice-reitora Bruna Nascimento observou que, na cerimônia, muito se falou sobre pontos de chegada ou ponto final. “Eu não gosto de pontos finais, gosto de pensar em portais. Acho que o que temos hoje é um grande portal se abrindo em nossa Universidade. A emeritude, professor benemérito, nossos doutores honoris causa, tudo isso agrega muito à nossa instituição”, disse. Ela agradeceu e parabenizou nominalmente cada homenageado, destacando brevemente alguns pontos de suas trajetórias.

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