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Grupo de trabalho formado pelo MEC discutiu planos para integração de serviços no HUSE-UNIRIO, transferência do IB e novo HUGG

por Comunicação publicado 17/07/2026 01h29, última modificação 21/07/2026 09h30
Colegiado, que conta com representantes da UNIRIO, dos ministérios da Educação e da Saúde, e do HU Brasil, acompanha a fusão do Hospital Universitário dos Servidores do Estado com o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle

O Ministério da Educação (MEC) instituiu um Grupo de Trabalho Interinstitucional para acompanhar a transição decorrente da descentralização da gestão e dos serviços de saúde do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE) para a UNIRIO, com a interveniência da empresa pública Hospitais Universitários Federais (HU Brasil), nova marca da antiga Ebserh. No último dia 8 de julho, uma reunião do Grupo foi realizada no Rio de Janeiro, e contou com visitas técnicas aos prédios do Instituto Biomédico (IB), do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) e do Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-UNIRIO). O secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinicius David, coordenador titular do Grupo, esteve presente.

De caráter temporário, consultivo e propositivo, o Grupo tem como objetivo acompanhar o processo de transição e produzir subsídios técnicos sobre os impactos da integração entre o HFSE e o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) nas atividades de ensino, pesquisa, extensão, preceptoria e formação especializada em saúde. O Colegiado também deve subsidiar a atuação do MEC no acompanhamento das negociações e das medidas institucionais relacionadas à política de formação em saúde no âmbito da Educação Superior. O Grupo não possui caráter deliberativo.

O Grupo de Trabalho é composto por representantes do MEC, do Ministério da Saúde, da UNIRIO e da HU Brasil. Pela Universidade, participam como membros titulares Sidney Cunha de Lucena, Paola Orcades Meirelles e Vinicius Pinheiro Israel, tendo como suplentes Luana Azevedo de Aquino, Francisco Wilson de Aguiar Costa e Gustavo Naves Franco.

A formação do Grupo pelo MEC veio após proposição da Reitoria da UNIRIO, que levou ao Ministério as preocupações debatidas internamente pela Universidade, tanto nos princípios norteadores contidos na resolução de aprovação da fusão, quanto pelo Grupo de Trabalho criado para o seu acompanhamento.

No encontro da última semana, também estiveram presentes Aristóteles Cardona, diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde; Marina Monteiro de Castro, diretora de Políticas de Acesso à Educação; José Tavares Neto, analista da Secretaria Executiva do MEC; Ingrid Magatti, assessora da vice-presidência da HU Brasil; e Luisa Frazão, coordenadora-geral de Atenção Hospitalar do Ministério da Saúde.

O início das atividades do encontro aconteceu no IB da UNIRIO. O reitor José da Costa Filho liderou a equipe na visita ao prédio, mostrando o trabalho desenvolvido nos laboratórios e relatando as dificuldades vividas pela comunidade acadêmica que frequenta o local.  O prédio está com problemas estruturais e a Universidade ainda enfrenta entraves burocráticos com a sua manutenção por não ser a proprietária do edifício.

Já no anfiteatro do IB, após um pronunciamento de abertura feito pelo reitor, o pró-reitor da Planejamento, Sidney Lucena, exibiu ao Grupo uma projeção com informações e dados atuais sobre a estrutura da Universidade. Na sequência, foram apresentados os projetos da UNIRIO para transferência do IB para o Anexo 4 do HUSE-UNIRIO e para o novo HUGG. 

A UNIRIO pretende manter no HUGG uma unidade assistencial com ambulatórios especializados e exames em nível de atenção secundária à saúde da população. Adicionalmente, em nível primário, pretende-se também implantar uma Clínica da Família e um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), em parceria que vem sendo discutida desde o ano passado com a Secretaria de Saúde do Município do Rio de Janeiro. Nos dois âmbitos, de atenção primária e secundária, haverá no HUGG a dimensão acadêmica da formação dos estudantes de graduação das escolas da saúde da UNIRIO, bem como da pesquisa e da pós-graduação. O projeto ainda prevê a manutenção de alguns serviços que existem hoje dentro do hospital, tal como o de atendimento aos idosos do tradicional Programa Renascer e alguns dos diferentes laboratórios de análises. 

Secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinicius David, fala durante encontro no Instituto Biomédico (Foto: Comso)
Secretário de Educação Superior do MEC, Marcus Vinicius David, fala durante encontro no Instituto Biomédico (Foto: Comso)

Marcus David, secretário de Educação Superior, foi o próximo a falar ao grupo. Ele elogiou a qualidade das pesquisas realizadas no IB e reconheceu a importância das demandas feitas pela UNIRIO ao MEC. Sobre a migração do IB para o complexo do HUSE-UNIRIO o secretário disse que "precisamos colher todas as informações técnicas e vamos continuar discutindo isso na comissão, mas eu diria que me parece um proposta muito boa. A demanda imediata, que é a autorização da contratação de um projeto, eu acho que pode ser uma recomendação da comissão e acredito firmemente que nós vamos ter uma autorização do Ministério da Educação", disse o secretário.

Em seguida, todos foram para o bairro da Tijuca, onde os membros do Grupo conheceram a estrutura do HUGG, incluindo uma visita ao Projeto Renascer. A atividade terminou no bairro da Saúde, com o reconhecimento da estrutura do Hospital Universitário dos Servidores do Estado, com destaque para as extensas instalações do Anexo 4, para onde a UNIRIO pretende transferir o Instituto Biomédico.

Após o encerramento das visitas, os membros do Grupo de Trabalho se dirigiram à sala de reuniões do HUSE-UNIRIO. O reitor Da Costa destacou que a integração entre o HFSE e o HUGG representa uma oportunidade para fortalecer a rede de assistência, ensino e pesquisa, mas também amplia os desafios institucionais que precisarão ser enfrentados ao longo do processo. "Quanto ao Hospital Gaffrée e Guinle, nosso antigo e tradicional hospital universitário, a intenção da Reitoria é lutar pela sua continuidade, mesmo que seja como um hospital com perfil diferenciado, quem sabe com atendimento especializado. Mas nós vamos prosseguir com a unidade assistencial Gaffrée e Guinle, com certeza", ressaltou o reitor.

A pró-reitora Paola Orcades apresentou as principais demandas decorrentes da integração, especialmente relacionadas à gestão de pessoas. Paola ressaltou que, mesmo com a gestão do hospital sendo do HU Brasil, a Progepe continuará responsável por parte das ações de gestão de pessoas, como os processos de afastamento de servidores e a oferta de apoio psicológico.

Membros do Grupo de Trabalho visitam o HUGG durante atividade do Programa Renascer (Foto: Comso)

Representando o Ministério da Saúde, Luisa Frazão registrou as demandas apresentadas pela Universidade e reconheceu a necessidade de maior aproximação da pasta com o processo de transição. Falando pela HU Brasil, Ingrid Magatti manifestou apoio à proposta de transferência do Instituto Biomédico para o Anexo IV do complexo hospitalar.

Marina de Castro destacou que o papel do Grupo de Trabalho é definir as responsabilidades de cada instituição envolvida na integração. "O GT tem a tarefa de olhar o que é de cada um. Nossa tarefa no MEC é apoiar a Universidade", afirmou. Já José Neto reafirmou o compromisso de defender, no âmbito do colegiado, as propostas apresentadas pela UNIRIO.

Aristóteles Cardona ressaltou o empenho das equipes envolvidas na integração. "Neste curto período, percebi toda a dedicação e o trabalho da gestão da UNIRIO e da HU Brasil para concretizar o processo de fusão. Esse grupo é um exercício fundamental de escuta e busca por mediações possíveis", declarou.

Como encaminhamento da reunião, foram definidos três eixos prioritários para os trabalhos do grupo: a migração do Instituto Biomédico para o Anexo 4, a elaboração de um plano de recuperação do HUGG e o planejamento da gestão de pessoas.

As reuniões do Grupo de Trabalho estão planejadas para acontecer uma vez por mês, em formato virtual ou híbrido. O colegiado também poderá convidar especialistas, pesquisadores, gestores hospitalares, representantes de comissões de residência, preceptores e outros profissionais para contribuir com as discussões. A previsão é que o grupo conclua suas atividades até novembro deste ano, quando deverá apresentar um relatório final com as conclusões e recomendações resultantes dos trabalhos.

Grupo de Trabalho durante reunião no HUSE-UNIRIO (Foto: Comso)

 

200 dias de fusão

A direção do HUSE-UNIRIO apresentou um balanço dos primeiros 200 dias da fusão entre o HFSE e o HUGG. Os números iniciais revelam a integração de 1.300 novos profissionais de saúde e apoio ao corpo de funcionários do HUSE-UNIRIO até o início de julho de 2026. Essa movimentação de pessoal foi acompanhada pela otimização dos recursos, gerando uma economia de R$ 8 milhões em contratos revisados, além de viabilizar a injeção de R$ 32 milhões em investimentos previstos e já executados na unidade.

O principal reflexo dessa transformação financeira se dá na ponta do atendimento, com a reativação de 124 leitos que estavam inoperantes, fazendo com que o hospital atinja a marca de 382 leitos ativos e operacionais neste mês de julho. Entre as obras e melhorias planejadas, destaca-se a contratação do projeto físico arquitetônico completo do hospital e do cabeamento estruturado da rede local (backbone), além de um aporte de cerca de R$ 800 mil voltado à conectividade dos prédios administrativo e ambulatorial, bem como da ala de radiologia.

Na prática médica cotidiana, o HUSE-UNIRIO viabilizou a reforma da Enfermaria 950 para a criação de 10 leitos dedicados à infusão oncológica, elaborou o projeto para uma nova cozinha central e efetuou a instalação de uma nova torre de resfriamento para o sistema de refrigeração do prédio principal. Para este mês, as metas assistenciais incluem a abertura de quatro novos leitos de UTI, nove leitos de Unidade de Pós-Operatório (UPO) e a consolidação de 14 salas cirúrgicas plenamente operacionais.

Toda essa evolução estrutural é amparada por um plano de compras governamentais que moderniza a tecnologia médica disponível no hospital. A gestão do HUSE-UNIRIO destinou R$ 11 milhões para a compra de 268 equipamentos médico-hospitalares de última geração e investiu R$ 3,7 milhões na renovação de cerca de 5 mil itens de mobiliário administrativo e assistencial. O parque tecnológico do hospital também recebeu melhorias substanciais com a compra de 766 aparelhos de informática, incluindo computadores e notebooks, que totalizaram R$ 4 milhões, além de R$ 1,3 milhão investidos em 225 novos aparelhos de ar-condicionado.

No campo dos exames de alta complexidade, o hospital integrou à sua rotina de diagnósticos um novo tomógrafo computadorizado e planeja investir mais R$ 12 milhões na aquisição futura de aparelhos de ressonância magnética, mamografia e gama câmara. Para dar suporte administrativo a essas aquisições e ao funcionamento do dia a dia, estão planejadas as aberturas de 83 licitações estratégicas ao longo do ano, cobrindo áreas vitais como lavanderia hospitalar com rastreio de enxoval por radiofrequência (RFID), segurança patrimonial, alimentação e controle de acessos.

A unificação entre as antigas estruturas do HUGG e o novo modelo do HUSE-UNIRIO exigiu ainda um complexo rearranjo na logística e na gestão de recursos humanos. Equipes da gerência de administração, ambulatórios especializados e programas de residência médica de áreas cruciais como Pediatria, Neurocirurgia e Oftalmologia foram transferidos e integrados à nova estrutura sob a governança da HU Brasil. Essa transição de servidores do Ministério da Saúde foi conduzida de forma transparente, incluindo a realização de reuniões com os setores e de audiências públicas informativas para esclarecer as diretrizes de movimentação funcional de pessoal.

Grupo de Trabalho e representantes da UNIRIO em frente da fachada do HUSE (Foto: Comso)
Grupo de Trabalho e representantes da UNIRIO no HUSE (Foto: Comso)

 

Histórico da fusão

Após meses de discussões e da realização de audiências públicas no anfiteatro do HUGG, no Instituto Biomédico (IB) e no Auditório Tércio Pacitti (Ibio/CCET) e de meses de estudos decorrentes do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Universidade, o Ministério da Saúde e a empresa pública HU Brasil, que resultaram em um relatório de diagnóstico integrado dos dois hospitaisos Conselhos Superiores da UNIRIO aprovaram a resolução que trata da fusão dos hospitais em 13 de junho de 2025.

A formalização do processo se deu em 18 de dezembro do ano passado, durante ato para as assinaturas realizado no Gabinete do Ministro da Educação no MEC.

 


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