Bacharelado em Enfermagem terá novo currículo, aprovado no Consepe
O curso de bacharelado em Enfermagem da UNIRIO terá novo currículo, com aumento da carga horária de atividades práticas. A proposta foi aprovada em sessão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) realizada na última segunda-feira, dia 23, no auditório Vera Janacópulos. Na mesma reunião, os conselheiros abordaram os problemas estruturais do campus do Instituto Biomédico (IB) e aprovaram o resultado de processos seletivos para professores substitutos de diversos departamentos.
Diante da falta de quórum para dar início à sessão, o reitor, José da Costa Filho, introduziu a discussão sobre os problemas estruturais do campus do IB. “Foi postado um vídeo na rede social oficial do IB mostrando o prédio caindo; um vídeo feito com inteligência artificial, que gerou uma série de outras postagens e matérias de TV”, apontou. “Acho que todos merecem ter a informação e a explicação a esse respeito”, ressaltou, passando a palavra ao pró-reitor de Administração, Jeremias Garcia.
“São vários problemas de infraestrutura que enfrentamos ao longo do tempo de gestão, que nos antecederam, e ficamos com uma ‘herança’ para resolver”, afirmou, enumerando defeitos nos elevadores, nas fachadas e nas instalações hidráulicas do campus. Ele acrescentou que, após assumir a Pró-Reitoria de Administração (Proad), no final de 2024, promoveu uma reunião com a empresa responsável pela manutenção predial da UNIRIO para entender como funcionavam os reparos.
Em abril do ano seguinte, foi lançado um sistema eletrônico de chamados para esse fim: o “GLPI da Manutenção Predial”. Até o momento, o sistema já registra mais de 100 atendimentos apenas no IB. De acordo com o pró-reitor, a equipe é pequena e responsável pela estrutura de todos os setores da Universidade. Ainda assim, a gestão vem empenhando esforços para tratar a infraestrutura dos campi. “Por exemplo, no CCJP [Centro de Ciências Jurídicas e Políticas] entregamos o casarão e, agora, entregamos uma reforma do auditório”, destacou.
“Uma das primeiras preocupações que tive, quando assumi, foi ir ao IB, para verificar como estava a situação lá. Imediatamente, pedi para que a Engenharia fosse ao local e fizesse um parecer sobre a estrutura, principalmente, das fachadas”, revelou, apontando em seguida os entraves dos trâmites burocráticos envolvidos em processos licitatórios. “Só que a gente está na administração pública. Na administração privada, simplesmente, se eu quero contratar alguém, escolho a pessoa, contrato e faz-se a obra. Na administração pública, existe todo um rigor técnico que a gente tem que seguir, especialmente com a nova lei de licitações”, explicou.
Conforme informou o pró-reitor, atualmente está em andamento o processo de licitação para contratação da empresa que instalará redes de proteção, com a função de aparadores, nos blocos A e B do Instituto Biomédico. A mesma empresa fará o mapeamento da fachada, para determinar a intervenção que deverá ser feita posteriormente. Paralelamente, já havia o projeto de impermeabilização e recuperação das fachadas do bloco D, cuja entrega estava prevista para junho, mas deverá ser antecipada, a pedido de Jeremias.
Em relação aos elevadores do IB, segundo ele, existem impedimentos jurídicos que inviabilizam a troca, mas será feita uma modernização. “Há um imbróglio entre os dois institutos, que são o IHB [Instituto Hahnemanniano do Brasil] e o IB, no mesmo local, em que a gente não tem a titularidade da propriedade”, disse, acrescentando: “Um dos itens do checklist da Procuradoria, quando a gente vai fazer a licitação, é comprovar, dentro do processo, a titularidade do imóvel, que a gente não tem”.
Jeremias encerrou sua fala ressaltando ter assumido o risco jurídico da contratação de uma empresa para intervir na fachada dos blocos A e B. “O gestor tem que assumir o risco – e eu assumi o risco em prol das pessoas”, enfatizou. “Isso está dentro do processo, fundamentado, com todas as questões”, completou.
Migração para o HUSE-UNIRIO
O pró-reitor de Planejamento, Sidney Cunha de Lucena, garantiu que permanecem os esforços para viabilizar a transferência do IB para o Anexo 4 do novo Hospital Universitário dos Servidores do Estado (HUSE-UNIRIO). Segundo ele, essa intenção já foi oficializada com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). “Em nenhum momento isso deixou de estar nos nossos planos principais”, assegurou, sem deixar de lembrar os desafios técnicos envolvidos na readequação do espaço.
Já o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Gustavo Naves, ressaltou a recente visita de estudantes de Medicina, membros do Diretório Acadêmico Benjamin Batista (DABB), ao HUSE-UNIRIO, na companhia de integrantes da gestão da Universidade e do novo hospital. “A ideia é marcarmos outra visita, incluindo os diretórios da Enfermagem, da Nutrição, do Serviço Social e da Biomedicina, para todos começarem a se familiarizar com o espaço”, adiantou. Ele garantiu, ainda, que a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) tem trabalhado para fazer adequações no restaurante dos residentes do HUSE-UNIRIO e para disponibilizar o transporte intercampi até o novo hospital.
O decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Carlos Henrique Soares Caetano, reconheceu a precariedade da estrutura do campus do IB e interpretou as postagens no Instagram do IB como um “clamor” pela busca de uma alternativa que possibilite a melhoria das condições físicas do prédio. Ele afirmou que, de certa forma, se sentia corresponsável pela situação de pouco atendimento ao IB, assim como teriam responsabilidade aqueles que aprovam a liberação de servidores para o gozo de licenças mesmo diante da limitação de pessoal no respetivo setor.
Em resposta, o reitor revelou ter ido a Brasília na semana passada, junto com a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Paola Meirelles, para se reunir com o secretário executivo do Ministério da Educação e cobrar a imediata criação de um grupo de trabalho interministerial cuja função seja acompanhar a Universidade em seu redimensionamento, no contexto da fusão dos hospitais. Um dos focos principais desse redimensionamento seria justamente a migração do IB para o Anexo 4 do HUSE-UNIRIO.
“O outro ponto central na reunião com o secretário executivo foi o futuro do Gaffrée e Guinle como unidade de assistência em saúde”, acrescentou, comprometendo-se a seguir em diálogo com os três segmentos universitários, em busca de soluções para os problemas estruturais enfrentados.
Votação do Consepe
Com o quórum atingido, o reitor deu início à sessão, reunindo em bloco sete pontos de pauta referentes a resultados de processos seletivos simplificados para professor substituto. Os docentes foram selecionados para os seguintes departamentos: Direito Positivo, do Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP); Engenharia de Produção, do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia (CCET); Estudos e Processos Museológicos, do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCH); Ciências Morfológicas, do CCBS; e Interpretação Teatral, do Centro de Letras e Artes (CLA). O bloco de itens foi aprovado por unanimidade.
Em seguida, a diretora da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP), Taís Vernaglia, apresentou a proposta de reforma curricular do curso de bacharelado em Enfermagem. Conforme ela apresentou, o currículo atual tem 4.065 horas, das quais 2.760 horas são de disciplinas obrigatórias. Já o novo currículo terá 4.886 horas, com 2.745 horas de disciplinas obrigatórias.
“Embora a gente faça, ao final, uma proposição curricular de acréscimo, mantêm-se cinco anos de execução de curso e aumenta-se a carga horária ao final desta formação, voltada para o internato”, ressalta. “Então, na proposição atual, temos o currículo com 900 horas de estágio curricular obrigatório, e na nova proposição temos o internato, não será mais estágio curricular."
Segundo ela, os alunos deverão concluir no oitavo período todas as disciplinas teóricas, sendo o nono e o décimo períodos dedicados ao internato, que terá uma carga horária de 1.470 horas. “Aumenta-se o percentual obrigatório destinado para o estágio”, salienta, acrescentando que o novo projeto pedagógico visa à formação acadêmica com base nas necessidades de saúde, a partir de uma pedagogia crítica social.
O projeto determina que 10% da carga horária sejam cumpridos com atividades de curricularização da extensão, dos quais 5% estarão inseridos diretamente na oferta das disciplinas e 5% serão cumpridos por demanda livre do aluno. Também devem ser cumpridas 245 horas de atividades complementares, e 90 horas serão destinadas às disciplinas optativas e de trabalho de conclusão de curso.
Em relação à oferta de disciplinas, foram criados cinco núcleos, com distintas competências pedagógicas. Haverá novas disciplinas, focadas em saúde e sustentabilidade na enfermagem no mundo globalizado, e em inovação e tecnologia. Há, ainda, disciplinas atualmente optativas que passarão a ser obrigatórias.
A diretora ressaltou o caráter coletivo da construção do projeto, da qual participaram o corpo docente e representantes discentes da EEAP, professores do IB e a Diretoria de Políticas, Normatização e Registros Acadêmicos de Graduação (Diprag), da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). A pauta foi aprovada por unanimidade.
A reunião prosseguiu com informes sobre temas acadêmicos e administrativos. Assista abaixo à sessão na íntegra.

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