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1. Nietzsche e Burckhardt: cultura, Estado e glorificação do humano
Como um povo afirma, cria uma identidade que lhe confere reconhecimento, força, orgulho e história? Ao tratar da política, é a esta pergunta que Nietzsche busca responder e uma importante resposta é encontrada na preocupação que o homem mantém com o que há de mais elevado. A presença de Burckhardt no pensamento de Nietzsche é imprescindível para entender o quanto seu pensamento político, assim como o pensamento estético e moral, não podem ser desvinculados de sua preocupação maior com a cultura. Coincide entre ambos a defesa de que a cultura tem poderes sobre o Estado e a Religião. O vigor da cultura liga forma e conteúdo, Estado, Religião e Arte, exterior e interior, essência e aparência. Por ser um empecilho para este vigor, o Estado moderno é um problema porque condiciona e domina tiranicamente a cultura. Neste trabalho pretendo mostrar que nas obras de Nietzsche, Estado e a política são vistos sob a ótica de um pensador da cultura, ocupado com as condições para a promoção da cultura.
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Andre Mota Itaparica (UFBR)
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3. O ressentimento como
um fenômeno social
O ressentimento, caracterizado inicialmente pela fraqueza
fisiológica, inibição da ação e dificuldade de digestão, quando considerado
como um fenômeno social, passa a designar um tipo de vontade de poder
impregnada pelo negativo, porém, extremamente atuante – para não dizer
“ativa” – e perspicaz em sua pretensão de tornar-se dominante. Se tal
pretensão parece
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6. Nietzsche e a
História: entre fictio e factio
O que é, atualmente, a história dos historiadores? Após a virada lingüística, diríamos que é um tipo de conhecimento que se expressa como literatura específica, mas é também parte da produção de uma memória particular, diferente de outros produtos da memória coletiva e de outros tipos de expressão literária. Para muitos historiadores, contudo, essas respostas são incômodas, pois fazem cair por terra suas pretensões de verdade. Historiadores ainda têm dificuldade de perceber que os instrumentos disponíveis para configurar a narrativa historiográfica, para configurar a teia dos fatos e dotar de sentido os “eventos” históricos, são técnicas da retórica que, por sua vez, são as mesmas usadas pelos literatos. Se o discurso histórico deve ser compreendido como produção de conhecimento que articula um lugar, uma prática e culmina numa determinada forma de escrita, deve ser analisado em sua estrutura retórica. Com o objetivo de trazer elementos para um debate, refletiremos sobre o desenvolvimento de algumas teses de Nietzsche que contribuíram para que a narrativa histórica deixasse de ser compreendida como um discurso neutro e objetivo, mas, sim, como um modo de discurso cujo conteúdo é também sua forma.
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7. Nietzsche ou o
elogio da beleza plástica
No § 61 do Anticristo, Nietzsche afirma: “Não houve até ao presente problema
mais crucial que o da Renascença – a minha questão é a mesma”, a saber, a da
transvalorização dos valores cristãos; “a tentativa empreendida com todos os
meios, com todos os instintos, com todo o gênio, para dar a vitória aos
valores contrários, aos valores nobres...”
Entre os valores nobres, Nietzsche atribui uma atenção peculiar ao
desabrochar do corpo; pois que os valores são crenças interiorizadas,
incorporadas, trata-se de revalorizar a existência corporal a fim de reativar
esse processo de transvalorização dos valores estimulado pela Renascença e
aniquilado pela Reforma luterana. É neste contexto que Nietzsche confere um sentido à existência terrestre e carnal, fazendo o elogio da beleza plástica, ao mesmo tempo em que manifesta sua vinculação com alguns pintores da Renascença, sobremodo com os que valorizaram a corporeidade contra a espiritualidade.
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8. Ciência, natureza e filosofia nos primeiros escritos de Nietzsche
Logo após O nascimento da tragédia, nos escritos póstumos de Nietzsche de 1872 a 1875, encontramos uma série de idéias acerca do que é a filosofia e seu parentesco com a ciência. Segundo Nietzsche, sem o olhar racional, científico, sobre a natureza, sobre o mundo em sua totalidade, não teria surgido a Filosofia no século VI na Grécia arcaica. Tales de Mileto, diz Nietzsche, por ser astrônomo e matemático, foi o primeiro a ver a natureza como natureza. Isto é, com sua visão "não-mítica" da realidade, ele viu as forças da natureza como elementos naturais e não mais como forças presididas por deuses antropomórficos. Dentre os elementos, ele destaca a água que, além de ser elemento natural, da physis, é o elemento primordial (arché) de toda a natureza. Nietzsche reconhece e exalta a nova atitude científica de Tales e dos outros "filósofos arcaicos" e, também, mostra que existe uma relação intrínseca entre o nascimento da filosofia e uma investigação científica da natureza.
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Francisco Farias e Jô Gondar (UNIRIO)
As atitudes de dois psicanalistas com relação a Nietzsche serão examinadas. A primeira caracteriza-se pela ambigüidade, mesclando temor e atração: segundo Freud, Nietzsche faria uma análise tão brilhante das forças relações entre Trieb (pulsão) e Seele (psiquê) que ele preferia não lê-lo, temendo que as idéias nietzschianas o contaminassem. A segunda atitude é a da afirmação explícita de uma influência: encontramos em Ferenczi, textualmente, referências a diversas noções e idéias de Nietzsche, das quais ele se serviria para fornecer uma inflexão muito particular à psicanálise. Veremos as conseqüências dessas diferentes atitudes no modo pelo qual foi construída, em Freud e em Ferenczi, a teoria psicanalítica.
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10. Corpo como a
realidade imediata Mostrar como realidade é sentido sempre já interposto. Este sentido sempre já interposto tem a forma ou a estrutura do súbito, do salto, do i-mediato. Pode-se compreender, pode-se tematizar este sentido, assim súbita ou imediatamente irrompido (daí círculo e afeto), como corpo, como o dar-se ou o acontecer de corpo, de corpo como sentir, isto é, como "aísthesis", a qual já é sempre um "ver", isto é, um perceber (noein) que é ver já desde e como sentido (lógos). Neste contexto se configura o que Nietzsche chama corpo como grande razão ou "próprio". Nietzsche e a epistemologia do domínio.
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11. Nietzsche e a
epistemologia do domínio
Ciente de que a teoria do conhecimento se esgota depois de Kant, Nietzsche inscreve o conhecimento numa perspectiva fisiológica e genealógica. Subverte, assim, o sentido do ato de conhecer: não mais para simplesmente conhecer, mas para dominar, ou se quisermos, para apropriar. Nessa direção, pretendemos analisar alguns fragmentos póstumos, em particular o fragmento 14 [152], da primavera de 1888, que traz logo no início a afirmação “vontade de potência como conhecimento”, com o objetivo de mostrar que na filosofia de Nietzsche opera aquilo denominamos de epistemologia do domínio.
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12. Nietzsche e a sociologia Em seus debates com teorias sociais em voga no século XIX, como o evolucionismo, o positivismo e o socialismo, Nietzsche preocupou-se em exaltar o que considerava o “verdadeiro problema” dessas teorias. Quanto ao socialismo, questionava a idéia de “igualdade” e a “filosofia da felicidade”, opondo outra cosmovisão sobre a diferença e a luta. Neste trabalho, pretendemos colocar estes conceitos, intrínsecos ao socialismo, no âmbito de uma genealogia e à luz dos debates atuais sobre multiculturalismo e teorias do reconhecimento social.
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13. Nietzsche e a
psicanálise As atitudes de dois psicanalistas com relação a Nietzsche serão examinadas. A primeira caracteriza-se pela ambigüidade, mesclando temor e atração: segundo Freud, Nietzsche faria uma análise tão brilhante das forças relações entre Trieb (pulsão) e Seele (psiquê) que ele preferia não lê-lo, temendo que as idéias nietzschianas o contaminassem. A segunda atitude é a da afirmação explícita de uma influência: encontramos em Ferenczi, textualmente, referências a diversas noções e idéias de Nietzsche, das quais ele se serviria para fornecer uma inflexão muito particular à psicanálise. Veremos as conseqüências dessas diferentes atitudes no modo pelo qual foi construída, em Freud e em Ferenczi, a teoria psicanalítica.
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14. Escepticismo y voluntad de poder : Nietzsche, lector de Lange En la ponencia se propondrá la hipótesis de que el escepticismo y el agnosticismo que Nietzsche conoció de F.A. Lange juegan un rol preponderante en toda su filosofía. Los argumentos a favor de la imposibilidad de conocer realidades últimas son perfectamente compatibles con la “fórmula” para caracterizar lo real: la “voluntad de poder”. El sentido de esa formulación está ya establecido en Sobre verdad y mentira en sentido extramoral, y es coherente con la filosofía que despliega después, también en los póstumos de los años 80. “Voluntad de poder” es una metáfora, una interpretación, una semiótica para una forma de vida humana. Tal interpretación se sostiene en un método que Nietzsche conoció en Lange: es posible abstenerse de pronunciarse sobre las realidades últimas y a la par explorar heurísticamente los fenómenos, como lo hacen las ciencias.
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16. Nietzsche e a cultura somática contemporânea: considerações extemporâneas
Certas perspectivas nietzschianas acerca do corpo e da saúde revelam-se, atualmente, oportunamente extemporâneas. Na contemporaneidade, “verdades” científicas amplamente difundidas, provenientes dos novos avanços das neurociências e da genética, tendem a se inscrever em novos roteiros de subjetivação que vão sendo progressivamente incorporados. Segundo alguns autores (tais como, na esteira de Foucault, Paul Rabinow, Nikolas Rose, Benilton Bezerra Jr e Jurandir Freire Costa), declina o homem psicológico moderno, dotado de interioridade e pautado pelo conflito entre pulsões do corpo e liames sociais, em favor de “individualidades somáticas”, de seres neuroquímicos ou de bioidentidades. Cada vez mais todas as esferas do que somos, pensamos e sentimos são remetidas ao plano molecular e bioquímico de um corpo por assim dizer “desespiritualizado”, em especial a hormônios, redes neuronais e genes. A partir da retomada dos temas nietzschianos do corpo, da saúde e do esquecimento, trata-se de ativar a potência extemporânea do pensamento de Nietzsche, apta a interpelar nosso tempo, estabelecendo um rico diálogo crítico com a atual cultura somática.
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Miguel Angel de Barrenechea (UNIRIO)
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18. Nietzsche, a
linguagem e a retórica Sabemos que ao se servir da retórica, Nietzsche procurou questionar a pretensão à verdade em voga no discurso da filosofia e da ciência. Mas não se trata de uma oposição que iria destituir a filosofia e a ciência de qualquer valor significativo e, sim, de reavaliar e, de certo modo, refrear o instinto do conhecimento; instinto inerente ao homem ou à condição humana, e que teria conduzido ao esquecimento da função originária da linguagem (função metafórica, trópica, modo de nomeação necessariamente impróprio e que equivaleria à transposição entre domínios absolutamente heterogêneos como o da excitação nervosa, o do som e o da imagem). O que ele pretende é retomar a filosofia e a ciência a partir de uma origem que não pode e não deve obnubilar a questão da linguagem, ou melhor, o problema da formação da linguagem. Aquilo mesmo que determinou a filosofia e a ciência, ou seja, o abandono do mito, da poesia, da eloqüência (todo o campo da linguagem que se considerou como o domínio da doxa), é revisto por Nietzsche e “revirado” a favor da própria filosofia e da ciência. O que pretendo neste ensaio é retomar a primeira reflexão nietzschiana sobre a linguagem, ou seja, aquela que está em questão nos escritos realizados em torno de 1870 (O livro do filósofo, as Considerações Intempestivas e textos e fragmentos do mesmo período), atendo-me, particularmente, ao Curso sobre a Retórica, proferido por Nietzsche em 1872.
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19. A política e a metafísica do gênio nas Extemporâneas de Nietzsche
Relacionando as duas teses “Só como fenômeno estético a
existência e o mundo aparecem eternamente justificados” e “a vida só se
justifica pela presença de indivíduos exemplares”, teses apresentadas para
investigação, poderíamos dizer que, para Nietzsche, uma justificação estética
da existência seria impossível sem a presença dos indivíduos exemplares. A
vida se justifica a si mesma, através da obra de arte, mas tal justificação
só é possível por meio da existência criadora do gênio, porque este produz
uma nova interpretação do mundo, um novo horizonte para outros significados
culturais e uma nova linguagem para a humanidade. Os gênios, através de sua
atividade, são instrumentos necessários para a transfiguração da natureza em
obra de arte.
Com a introdução do gênio na ordem política, Nietzsche quer
mostrar que nem o Estado, nem o povo, nem a humanidade existem por si mesmos,
todos estes segmentos precisam dos grandes homens, dos filósofos, dos
verdadeiros homens de ciência e dos artistas. Nietzsche acredita que a
humanidade se desenvolverá melhor sob a influência desses seres exemplares do
que sob a dos ideais liberais. Por isso, suas recomendações se fazem
fundamentalmente no sentido de que os recursos sociais se mobilizem para a
produção desses seres humanos superiores e a legislação política favoreça sua
aparição, criando as condições para que surja o gênio. |
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20. Nietzsche
e a filologia: questões de interlocução
Em torno de 1870, Nietzsche comenta que prepara um “livro-centauro”, talvez um organismo, formado a partir de três disciplinas: arte, ciência e filosofia. A ciência a que ele se refere no caso é a filologia. Filologia (e, portanto, ciência) e formação cultural (Bildung) se ligam na concepção de Nietzsche através da contextura da arte e da filosofia. Nesse ínterim, acadêmicos alemães buscam realizar um corte que institua a filologia como ciência, “modernizando-a”. Para isto, seria necessário “purificá-la”, separando-a de tudo aquilo que lhe fosse estanque. Em suma, questionam-se os “centauros” - ao mesmo tempo em que, supostamente, no entender de Nietzsche, perde-se o espírito da Bildung, da formação cultural. Interagindo com estudos recentes sobre o assunto, minha palestra visa a explorar tensões e interlocuções constituídas nesta região da trajetória nietzschiana em especial.
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21. Filosofia e ciência: Nietzsche como herdeiro do programa de Friedrich
Albert Lange
Nesta comunicação pretendo fornecer uma rápida caracterização
do programa neokantiano heterodoxo proposto por F. A. Lange em sua História
do Materialismo e Crítica de seu Significado para o Presente, cuja primeira
edição, de 1866, foi calorosamente acolhida por Nietzsche neste mesmo ano. Na
seqüência de minha argumentação sugiro a tese histórica de que Nietzsche, sob
muitos aspectos, deve ser descrito como um genuíno herdeiro de Lange. A
tensão entre esforço crítico e ímpeto especulativo, presente em boa parte da
obra de Nietzsche, ganha em inteligibilidade se interpretada à luz da
inovadora compreensão langeana das relações entre ciência e filosofia. |
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22. Nietzsche,
entre a física e a biología
Trata-se de mostrar que, na constituição de conceitos e idéias
centrais em sua filosofia, Nietzsche sempre recorre a contribuições das
ciências da sua época. Assim é que, ao introduzir o conceito de vontade de
potência, ele busca subsídios na biologia e, ao elaborar a doutrina do eterno
retorno do mesmo, encontra elementos na física. Investigar e avaliar por esse
viés de que maneira o filósofo se serve da física e da biologia da segunda
metade do século XIX e até que ponto seu pensamento delas permanece
tributário é o propósito deste trabalho. |
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23. Notas sobre a grande
saúde
De forma semelhante ao que ocorre com os conceitos de grande
política, grande estilo e grande razão, o conceito de grande saúde remete a
uma perspectiva que abole as dicotomias metafísicas. Ele não se opõe à
doença, mas a engloba: desse ponto de vista, a própria doença pode funcionar
como elemento para promover a saúde. Se nós podemos associar a doença ao
niilismo e a saúde à sua “superação”, a grande saúde aparece como a
possibilidade de fazer do próprio niilismo a experiência de uma afirmação.
Nesse sentido, a “superação do niilismo” não é um estado ou condição a ser
atingido, mas um processo permanente. Esta hipótese nos permite evitar uma
leitura essencialista e teleológica da reflexão nietzschiana sobre o
niilismo. |
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Valéria Wilke
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25. A interligação entre filosofia, psicologia e fisiologia no pensamento de
Nietzsche
O presente trabalho procura mostrar a proposição nietzschiana
de uma interligação entre as diversas áreas do saber mediante a exposição do
sentido e do alcance da psicologia no seu pensamento. Parte-se da afirmação
de uma necessidade premente de revisar o próprio conceito de filosofia
enquanto estudo que, a medida que se propõe a situar-se para além de bem e
mal, liga-se diretamente à psicologia e à fisiologia. Enquanto novo domínio
de compreensão do humano e do mundo, essa filosofia para além de bem e mal
tem como especificidade maior o dado de considerar as determinações profundas
não conscientes como prioritárias na determinação do agir; compreendendo, por
conseguinte, o âmbito valorativo, o extenso mundo da produção cultural como
construções explicativas e imposições de uma dada interpretação que remetem a
impulsos, forças e vontades de potência. Ao remeter a ação e a construção
humanas a uma dimensão profunda e não consciente como regente do seu
desenrolar, Nietzsche recusa a possibilidade de uma fundamentação no âmbito
das ciências. Há, efetivamente, a defesa de um primado da afetividade e uma
leitura do corpo como estrutura de multiplicidade de impulsos, forças,
vontades de potência que remete sempre a um afeto de comando e a presença da
hierarquia. No limite, o quanto de potência que se é subjaz a todo e qualquer
valor, cuja explicitação processual requer uma análise nas profundezas que
desvele as manifestações do corpo. Daí a necessidade da psicologia, a
consideração da fisiologia e a revisão do conceito de filosofia. Somente
assim se pode vislumbrar a realização da tarefa futura do filósofo requerida
por Nietzsche, pois cabe ao filósofo do futuro resolver o problema do valor e
determinar a hierarquia dos valores. |
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26. Sobre la Dominación Biopolítica en Nietzsche y Adorno/Horkheimer
Para Adorno y Horkheimer, Nietzsche “fue uno de los pocos después de Hegel que entendió la Dialéctica de la Ilustración” (Nietzsche hat wie wenige seit Hegel die Dialektik der Aufklaerung erkannt)” (Dialektik der Aufklaerung, p.44). En esta ponencia quiero destacar algunas de las afinidades que veo entre las nociones de verdad en Nietzsche y el concepto de Ilustración de Adorno y Horkheimer. En ambos casos el problema central de la verdad (y/o de la Ilustración) descansa en la dominación biopolítica de la naturaleza fuera y dentro el ser humano logrado a través de una separación entre vida humana y otras formas de vida mediante el pensamiento representativo. Por medio del contraste, la verdadera práctica de la Ilustración refleja una forma de pensar que recupera la naturaleza, reafirma la continuidad entre la vida humana y la naturaleza, o, parafraseando a Nietzsche, reconfirma (feststellt) la animalidad del ser humano (KSA 11:25[428]). En otras palabras, la renovación de la verdadera Ilustración, más allá de la dominación, llama a una biopolítica afirmativa.
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27. Nietzsche e
Benjamin: tradução e filologia
Walter Benjamin foi um leitor íntimo de Nietzsche. Desde seu
ingresso no Movimento Juvenil Alemão, Benjamin leu os textos nietzschianos
sobre a tragédia, a arte, a moral e a história, e de modo tão intenso que é
difícil – tanto quanto em Michel Foucault – avaliar o que ele extraiu de
Nietzsche e o que é seu próprio pensamento. Em minha intervenção pretendo
mostrar alguns cruzamentos dessa prática de leitura que podem ser encontrados
nos textos de Benjamin sobre arte e história. |