Conferencistas

 

Adriana Delbó (UFGO)

Andre Mota Itaparica (UFBA)

Antônio Paschoal (PUC/PR)

Charles Feitosa (UNIRIO)

Claudia Beltrão (UNIRIO)

Daniel Lins (UFCe)

Fernanda Bulhões (UFRN)

Francisco Farias (UNIRIO)

Gilvan Fogel (UFRJ)

Ivo da Silva Júnior - UNIFESP

Javier Lifchitz (UNIRIO)

Jô Gondar

José Thomaz Brum (PUC/RJ)

Katia Hanza (PUC/Lima - Perú)

Maria Cristina Franco Ferraz (UFF)

Miguel Angel de Barrenechea (UNIRIO)

Patricia Horvat (UNIRIO)

Paulo Pinheiro (UNIRIO)

Rogério Lopes (UFMG)

Rosa Maria Dias (UERJ)

Rosana Suarez (UNIRIO)

Scarlett Marton (USP)

Silvia Pimenta Rocha (UERJ)

Valéria Wilke (UNIRIO)

Vanessa Lemm (DEUT/CHILE)

Vania Dutra de Azeredo (UNIJUI)

Wolfgang Bock (WEIMAR e UNIRIO)

 
 

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1. Nietzsche e Burckhardt: cultura, Estado e glorificação do humano
Adriana Delbó - UFG

 

Como um povo afirma, cria uma identidade que lhe confere reconhecimento, força, orgulho e história? Ao tratar da política, é a esta pergunta que Nietzsche busca responder e uma importante resposta é encontrada na preocupação que o homem mantém com o que há de mais elevado. A presença de Burckhardt no pensamento de Nietzsche é imprescindível para entender o quanto seu pensamento político, assim como o pensamento estético e moral, não podem ser desvinculados de sua preocupação maior com a cultura. Coincide entre ambos a defesa de que a cultura tem poderes sobre o Estado e a Religião. O vigor da cultura liga forma e conteúdo, Estado, Religião e Arte, exterior e interior, essência e aparência. Por ser um empecilho para este vigor, o Estado moderno é um problema porque condiciona e domina tiranicamente a cultura. Neste trabalho pretendo mostrar que nas obras de Nietzsche, Estado e a política são vistos sob a ótica de um pensador da cultura, ocupado com as condições para a promoção da cultura.

 

 

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Andre Mota Itaparica (UFBR)

 

 

3. O ressentimento como um fenômeno social
Antonio Paschoal – PUC-PR

 

O ressentimento, caracterizado inicialmente pela fraqueza fisiológica, inibição da ação e dificuldade de digestão, quando considerado como um fenômeno social, passa a designar um tipo de vontade de poder impregnada pelo negativo, porém, extremamente atuante – para não dizer “ativa” – e perspicaz em sua pretensão de tornar-se dominante. Se tal pretensão parece
paradoxal, pois corresponderia à manifestação da força do fraco, nem por isto ela deixa de se realizar: a fraqueza, o ressentimento torna-se vitorioso, como se pode verificar considerando, por exemplo, “diante de quem os homens se inclinam atualmente na própria Roma...”

 

 

6. Nietzsche e a História: entre fictio e factio
Claudia Beltrão e Patricia Horvat - UNIRIO

 

O que é, atualmente, a história dos historiadores? Após a virada lingüística, diríamos que é um tipo de conhecimento que se expressa como literatura específica, mas é também parte da produção de uma memória particular, diferente de outros produtos da memória coletiva e de outros tipos de expressão literária. Para muitos historiadores, contudo, essas respostas são incômodas, pois fazem cair por terra suas pretensões de verdade. Historiadores ainda têm dificuldade de perceber que os instrumentos disponíveis para configurar a narrativa historiográfica, para configurar a teia dos fatos e dotar de sentido os “eventos” históricos, são técnicas da retórica que, por sua vez, são as mesmas usadas pelos literatos. Se o discurso histórico deve ser compreendido como produção de conhecimento que articula um lugar, uma prática e culmina numa determinada forma de escrita, deve ser analisado em sua estrutura retórica. Com o objetivo de trazer elementos para um debate, refletiremos sobre o desenvolvimento de algumas teses de Nietzsche que contribuíram para que a narrativa histórica deixasse de ser compreendida como um discurso neutro e objetivo, mas, sim, como um modo de discurso cujo conteúdo é também sua forma.

 

 

7. Nietzsche ou o elogio da beleza plástica
Daniel Lins - UFCE

 

No § 61 do Anticristo, Nietzsche afirma: “Não houve até ao presente problema mais crucial que o da Renascença – a minha questão é a mesma”, a saber, a da transvalorização dos valores cristãos; “a tentativa empreendida com todos os meios, com todos os instintos, com todo o gênio, para dar a vitória aos valores contrários, aos valores nobres...”
 

Entre os valores nobres, Nietzsche atribui uma atenção peculiar ao desabrochar do corpo; pois que os valores são crenças interiorizadas, incorporadas, trata-se de revalorizar a existência corporal a fim de reativar esse processo de transvalorização dos valores estimulado pela Renascença e aniquilado pela Reforma luterana.
 

É neste contexto que Nietzsche confere um sentido à existência terrestre e carnal, fazendo o elogio da beleza plástica, ao mesmo tempo em que manifesta sua vinculação com alguns pintores da Renascença, sobremodo com os que valorizaram a corporeidade contra a espiritualidade.

 

 

8. Ciência, natureza e filosofia nos primeiros escritos de Nietzsche
Fernanda Bulhões - UFRN

 

Logo após O nascimento da tragédia, nos escritos póstumos de Nietzsche de 1872 a 1875, encontramos uma série de idéias acerca do que é a filosofia e seu parentesco com a ciência. Segundo Nietzsche, sem o olhar racional, científico, sobre a natureza, sobre o mundo em sua totalidade, não teria surgido a Filosofia no século VI na Grécia arcaica. Tales de Mileto, diz Nietzsche, por ser astrônomo e matemático, foi o primeiro a ver a natureza como natureza. Isto é, com sua visão "não-mítica" da realidade, ele viu as forças da natureza como elementos naturais e não mais como forças presididas por deuses antropomórficos. Dentre os elementos, ele destaca a água que, além de ser elemento natural, da physis, é o elemento primordial (arché) de toda a natureza. Nietzsche reconhece e exalta a nova atitude científica de Tales e dos outros "filósofos arcaicos" e, também, mostra que existe uma relação intrínseca entre o nascimento da filosofia e uma investigação científica da natureza.

 

 

9.

Francisco Farias e Jô Gondar  (UNIRIO)

 

As atitudes de dois psicanalistas com relação a Nietzsche serão examinadas. A primeira caracteriza-se pela ambigüidade, mesclando temor e atração: segundo Freud, Nietzsche faria uma análise tão brilhante das forças relações entre Trieb (pulsão) e Seele (psiquê) que ele preferia não lê-lo, temendo que as idéias nietzschianas o contaminassem. A segunda atitude é a da afirmação explícita de uma influência: encontramos em Ferenczi, textualmente, referências a diversas noções e idéias de Nietzsche, das quais ele se serviria para fornecer uma inflexão muito particular à psicanálise. Veremos as conseqüências dessas diferentes atitudes no modo pelo qual foi construída, em Freud e em Ferenczi, a teoria psicanalítica.

 

 

10.  Corpo como a realidade imediata
Gilvan Fogel - UFRJ

Mostrar como realidade é sentido sempre já interposto. Este sentido sempre já interposto tem a forma ou a estrutura do súbito, do salto, do i-mediato. Pode-se compreender, pode-se tematizar este sentido, assim súbita ou imediatamente irrompido (daí círculo e afeto), como corpo, como o dar-se ou o acontecer de corpo, de corpo como sentir, isto é, como "aísthesis", a qual já é sempre um "ver", isto é, um perceber (noein) que é ver já desde e como sentido (lógos). Neste contexto se configura o que Nietzsche chama corpo como grande razão ou "próprio". Nietzsche e a epistemologia do domínio.

 

 

11. Nietzsche e a epistemologia do domínio
Ivo da Silva Júnior - UNIFESP

 

Ciente de que a teoria do conhecimento se esgota depois de Kant, Nietzsche inscreve o conhecimento numa perspectiva fisiológica e genealógica. Subverte, assim, o sentido do ato de conhecer: não mais para simplesmente conhecer, mas para dominar, ou se quisermos, para apropriar. Nessa direção, pretendemos analisar alguns fragmentos póstumos, em particular o fragmento 14 [152], da primavera de 1888, que traz logo no início a afirmação “vontade de potência como conhecimento”, com o objetivo de mostrar que na filosofia de Nietzsche opera aquilo denominamos de epistemologia do domínio.

 

 

12. Nietzsche e a sociologia
Javier Lifschitz - UNIRIO

Em seus debates com teorias sociais em voga no século XIX, como o evolucionismo, o positivismo e o socialismo, Nietzsche preocupou-se em exaltar o que considerava o “verdadeiro problema” dessas teorias. Quanto ao socialismo, questionava a idéia de “igualdade” e a “filosofia da felicidade”, opondo outra cosmovisão sobre a diferença e a luta. Neste trabalho, pretendemos colocar estes conceitos, intrínsecos ao socialismo, no âmbito de uma genealogia e à luz dos debates atuais sobre multiculturalismo e teorias do reconhecimento social.

 

 

13.  Nietzsche e a psicanálise
Jô Gondar e Francisco Farias - UNIRIO

As atitudes de dois psicanalistas com relação a Nietzsche serão examinadas. A primeira caracteriza-se pela ambigüidade, mesclando temor e atração: segundo Freud, Nietzsche faria uma análise tão brilhante das forças relações entre Trieb (pulsão) e Seele (psiquê) que ele preferia não lê-lo, temendo que as idéias nietzschianas o contaminassem. A segunda atitude é a da afirmação explícita de uma influência: encontramos em Ferenczi, textualmente, referências a diversas noções e idéias de Nietzsche, das quais ele se serviria para fornecer uma inflexão muito particular à psicanálise. Veremos as conseqüências dessas diferentes atitudes no modo pelo qual foi construída, em Freud e em Ferenczi, a teoria psicanalítica.

 

 

14. Escepticismo y voluntad de poder : Nietzsche, lector de Lange
Kathia Hanza - PUC-Lima-Peru

En la ponencia se propondrá la hipótesis de que el escepticismo y el agnosticismo que Nietzsche conoció de F.A. Lange juegan un rol preponderante en toda su filosofía. Los argumentos a favor de la imposibilidad de conocer realidades últimas son perfectamente compatibles con la “fórmula” para caracterizar lo real: la “voluntad de poder”. El sentido de esa formulación está ya establecido en Sobre verdad y mentira en sentido extramoral, y es coherente con la filosofía que despliega después, también en los póstumos de los años 80. “Voluntad de poder” es una metáfora, una interpretación, una semiótica para una forma de vida humana. Tal interpretación se sostiene en un método que Nietzsche conoció en Lange: es posible abstenerse de pronunciarse sobre las realidades últimas y a la par explorar heurísticamente los fenómenos, como lo hacen las ciencias.

 

 

16. Nietzsche e a cultura somática contemporânea: considerações extemporâneas
Maria Cristina Franco Ferraz – UFF

 

Certas perspectivas nietzschianas acerca do corpo e da saúde revelam-se, atualmente, oportunamente extemporâneas. Na contemporaneidade, “verdades” científicas amplamente difundidas, provenientes dos novos avanços das neurociências e da genética, tendem a se inscrever em novos roteiros de subjetivação que vão sendo progressivamente incorporados. Segundo alguns autores (tais como, na esteira de Foucault, Paul Rabinow, Nikolas Rose, Benilton Bezerra Jr e Jurandir Freire Costa), declina o homem psicológico moderno, dotado de interioridade e pautado pelo conflito entre pulsões do corpo e liames sociais, em favor de “individualidades somáticas”, de seres neuroquímicos ou de bioidentidades. Cada vez mais todas as esferas do que somos, pensamos e sentimos são remetidas ao plano molecular e bioquímico de um corpo por assim dizer “desespiritualizado”, em especial a hormônios, redes neuronais e genes. A partir da retomada dos temas nietzschianos do corpo, da saúde e do esquecimento, trata-se de ativar a potência extemporânea do pensamento de Nietzsche, apta a interpelar nosso tempo, estabelecendo um rico diálogo crítico com a atual cultura somática.

 

 

17.

Miguel Angel de Barrenechea (UNIRIO)

 

 

 

18. Nietzsche, a linguagem e a retórica
Paulo Pinheiro - UNIRIO

Sabemos que ao se servir da retórica, Nietzsche procurou questionar a pretensão à verdade em voga no discurso da filosofia e da ciência. Mas não se trata de uma oposição que iria destituir a filosofia e a ciência de qualquer valor significativo e, sim, de reavaliar e, de certo modo, refrear o instinto do conhecimento; instinto inerente ao homem ou à condição humana, e que teria conduzido ao esquecimento da função originária da linguagem (função metafórica, trópica, modo de nomeação necessariamente impróprio e que equivaleria à transposição entre domínios absolutamente heterogêneos como o da excitação nervosa, o do som e o da imagem). O que ele pretende é retomar a filosofia e a ciência a partir de uma origem que não pode e não deve obnubilar a questão da linguagem, ou melhor, o problema da formação da linguagem. Aquilo mesmo que determinou a filosofia e a ciência, ou seja, o abandono do mito, da poesia, da eloqüência (todo o campo da linguagem que se considerou como o domínio da doxa), é revisto por Nietzsche e “revirado” a favor da própria filosofia e da ciência. O que pretendo neste ensaio é retomar a primeira reflexão nietzschiana sobre a linguagem, ou seja, aquela que está em questão nos escritos realizados em torno de 1870 (O livro do filósofo, as Considerações Intempestivas e textos e fragmentos do mesmo período), atendo-me, particularmente, ao Curso sobre a Retórica, proferido por Nietzsche em 1872.

 

 

19. A política e a metafísica do gênio nas Extemporâneas de Nietzsche
Rosa Maria Dias – UERJ

 

Relacionando as duas teses “Só como fenômeno estético a existência e o mundo aparecem eternamente justificados” e “a vida só se justifica pela presença de indivíduos exemplares”, teses apresentadas para investigação, poderíamos dizer que, para Nietzsche, uma justificação estética da existência seria impossível sem a presença dos indivíduos exemplares. A vida se justifica a si mesma, através da obra de arte, mas tal justificação só é possível por meio da existência criadora do gênio, porque este produz uma nova interpretação do mundo, um novo horizonte para outros significados culturais e uma nova linguagem para a humanidade. Os gênios, através de sua atividade, são instrumentos necessários para a transfiguração da natureza em obra de arte.
Nietzsche, ao fundamentar a estética do gênio, mostra que este não é só o objetivo último da natureza, mas também o do Estado. A natureza alcança sua perfeição ao criar o gênio, cabe ao Estado acolher esses seres exemplares que são capazes de entrar em contacto com o querer mais íntimo do mundo e de ter uma experiência mais originária com a natureza e, ao mesmo tempo, de ter uma aproximação maior com a dor universal.
 

Com a introdução do gênio na ordem política, Nietzsche quer mostrar que nem o Estado, nem o povo, nem a humanidade existem por si mesmos, todos estes segmentos precisam dos grandes homens, dos filósofos, dos verdadeiros homens de ciência e dos artistas. Nietzsche acredita que a humanidade se desenvolverá melhor sob a influência desses seres exemplares do que sob a dos ideais liberais. Por isso, suas recomendações se fazem fundamentalmente no sentido de que os recursos sociais se mobilizem para a produção desses seres humanos superiores e a legislação política favoreça sua aparição, criando as condições para que surja o gênio.
 

 

20. Nietzsche e a filologia: questões de interlocução
Rosana Suarez - UNIRIO

 

Em torno de 1870, Nietzsche comenta que prepara um “livro-centauro”, talvez um organismo, formado a partir de três disciplinas: arte, ciência e filosofia. A ciência a que ele se refere no caso é a filologia. Filologia (e, portanto, ciência) e formação cultural (Bildung) se ligam na concepção de Nietzsche através da contextura da arte e da filosofia. Nesse ínterim, acadêmicos alemães buscam realizar um corte que institua a filologia como ciência, “modernizando-a”. Para isto, seria necessário “purificá-la”, separando-a de tudo aquilo que lhe fosse estanque. Em suma, questionam-se os “centauros” - ao mesmo tempo em que, supostamente, no entender de Nietzsche, perde-se o espírito da Bildung, da formação cultural. Interagindo com estudos recentes sobre o assunto, minha palestra visa a explorar tensões e interlocuções constituídas nesta região da trajetória nietzschiana em especial.

 

 

21. Filosofia e ciência: Nietzsche como herdeiro do programa de Friedrich Albert Lange
Rogério Lopes – UFMG

 

Nesta comunicação pretendo fornecer uma rápida caracterização do programa neokantiano heterodoxo proposto por F. A. Lange em sua História do Materialismo e Crítica de seu Significado para o Presente, cuja primeira edição, de 1866, foi calorosamente acolhida por Nietzsche neste mesmo ano. Na seqüência de minha argumentação sugiro a tese histórica de que Nietzsche, sob muitos aspectos, deve ser descrito como um genuíno herdeiro de Lange. A tensão entre esforço crítico e ímpeto especulativo, presente em boa parte da obra de Nietzsche, ganha em inteligibilidade se interpretada à luz da inovadora compreensão langeana das relações entre ciência e filosofia.
 

 

22.  Nietzsche, entre a física e a biología
Scarlett Marton - USP

 

Trata-se de mostrar que, na constituição de conceitos e idéias centrais em sua filosofia, Nietzsche sempre recorre a contribuições das ciências da sua época. Assim é que, ao introduzir o conceito de vontade de potência, ele busca subsídios na biologia e, ao elaborar a doutrina do eterno retorno do mesmo, encontra elementos na física. Investigar e avaliar por esse viés de que maneira o filósofo se serve da física e da biologia da segunda metade do século XIX e até que ponto seu pensamento delas permanece tributário é o propósito deste trabalho.
 

 

23.  Notas sobre a grande saúde
Silvia Pimenta - UERJ/Febf

 

De forma semelhante ao que ocorre com os conceitos de grande política, grande estilo e grande razão, o conceito de grande saúde remete a uma perspectiva que abole as dicotomias metafísicas. Ele não se opõe à doença, mas a engloba: desse ponto de vista, a própria doença pode funcionar como elemento para promover a saúde. Se nós podemos associar a doença ao niilismo e a saúde à sua “superação”, a grande saúde aparece como a possibilidade de fazer do próprio niilismo a experiência de uma afirmação. Nesse sentido, a “superação do niilismo” não é um estado ou condição a ser atingido, mas um processo permanente. Esta hipótese nos permite evitar uma leitura essencialista e teleológica da reflexão nietzschiana sobre o niilismo.
 

 

24.

Valéria Wilke

 

 

 

25. A interligação entre filosofia, psicologia e fisiologia no pensamento de Nietzsche
Vânia Dutra de Azeredo – PUC Campinas

 

O presente trabalho procura mostrar a proposição nietzschiana de uma interligação entre as diversas áreas do saber mediante a exposição do sentido e do alcance da psicologia no seu pensamento. Parte-se da afirmação de uma necessidade premente de revisar o próprio conceito de filosofia enquanto estudo que, a medida que se propõe a situar-se para além de bem e mal, liga-se diretamente à psicologia e à fisiologia. Enquanto novo domínio de compreensão do humano e do mundo, essa filosofia para além de bem e mal tem como especificidade maior o dado de considerar as determinações profundas não conscientes como prioritárias na determinação do agir; compreendendo, por conseguinte, o âmbito valorativo, o extenso mundo da produção cultural como construções explicativas e imposições de uma dada interpretação que remetem a impulsos, forças e vontades de potência. Ao remeter a ação e a construção humanas a uma dimensão profunda e não consciente como regente do seu desenrolar, Nietzsche recusa a possibilidade de uma fundamentação no âmbito das ciências. Há, efetivamente, a defesa de um primado da afetividade e uma leitura do corpo como estrutura de multiplicidade de impulsos, forças, vontades de potência que remete sempre a um afeto de comando e a presença da hierarquia. No limite, o quanto de potência que se é subjaz a todo e qualquer valor, cuja explicitação processual requer uma análise nas profundezas que desvele as manifestações do corpo. Daí a necessidade da psicologia, a consideração da fisiologia e a revisão do conceito de filosofia. Somente assim se pode vislumbrar a realização da tarefa futura do filósofo requerida por Nietzsche, pois cabe ao filósofo do futuro resolver o problema do valor e determinar a hierarquia dos valores.
 

 

26. Sobre la Dominación Biopolítica en Nietzsche y Adorno/Horkheimer
Vanessa Lemm - Universidad Diego Portales, Chile

 

Para Adorno y Horkheimer, Nietzsche “fue uno de los pocos después de Hegel que entendió la Dialéctica de la Ilustración” (Nietzsche hat wie wenige seit Hegel die Dialektik der Aufklaerung erkannt)” (Dialektik der Aufklaerung, p.44). En esta ponencia quiero destacar algunas de las afinidades que veo entre las nociones de verdad en Nietzsche y el concepto de Ilustración de Adorno y Horkheimer. En ambos casos el problema central de la verdad (y/o de la Ilustración) descansa en la dominación biopolítica de la naturaleza fuera y dentro el ser humano logrado a través de una separación entre vida humana y otras formas de vida mediante el pensamiento representativo. Por medio del contraste, la verdadera práctica de la Ilustración refleja una forma de pensar que recupera la naturaleza, reafirma la continuidad entre la vida humana y la naturaleza, o, parafraseando a Nietzsche, reconfirma (feststellt) la animalidad del ser humano (KSA 11:25[428]). En otras palabras, la renovación de la verdadera Ilustración, más allá de la dominación, llama a una biopolítica afirmativa.

 

 

27. Nietzsche e Benjamin: tradução e filologia
Wolfgang Bock - Weimar,  UNIRIO

 

Walter Benjamin foi um leitor íntimo de Nietzsche. Desde seu ingresso no Movimento Juvenil Alemão, Benjamin leu os textos nietzschianos sobre a tragédia, a arte, a moral e a história, e de modo tão intenso que é difícil – tanto quanto em Michel Foucault – avaliar o que ele extraiu de Nietzsche e o que é seu próprio pensamento. Em minha intervenção pretendo mostrar alguns cruzamentos dessa prática de leitura que podem ser encontrados nos textos de Benjamin sobre arte e história.