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'África será o futuro', diz ex-ministro Celso Amorim em conferência no CCJP

por Comunicacao UNIRIO publicado 25/05/2015 22h50, última modificação 27/05/2015 08h43

“Temos a segunda maior população de afrodescendentes do mundo, atrás apenas da Nigéria.” Assim o diplomata e ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores Celso Amorim salientou a proximidade entre Brasil e África na conferência realizada na tarde desta segunda-feira, dia 25, no Centro de Ciências Jurídicas e Políticas (CCJP). A atividade integrou a 7ª Jornada de Ciência Política da UNIRIO, evento comemorativo do Dia da África promovido pelo Grupo de Relações Internacionais e Sul Global (Grisul).

Além da relevância cultural e humana dos países africanos para o Brasil, Amorim ressaltou, também, a questão econômica. “A importância econômica da África sempre foi subestimada, mas projeções indicam que, em pouco tempo, ela será a quarta ou quinta maior economia do mundo”, ressaltou. Segundo ele, o continente já representa cerca de 7% das negociações no comércio internacional brasileiro, posição que o coloca atrás, apenas, dos Estados Unidos, do Mercosul e da União Europeia.

Aproximação

Ao relatar diversos episódios de sua vida pessoal e profissional – somente durante o governo Lula, quando esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores, fez 68 visitas à África –, o diplomata traçou um panorama histórico das relações entre o Brasil e aquele continente. “Percebi que havia na África uma ‘sede de Brasil’”, revelou. “Nosso país era visto como um país muito parecido com os de lá, mas que já se desenvolveu mais.”

Para Amorim, um dos principais desafios que se impunham, naquela época, à aproximação com o continente era a resistência da elite brasileira e de parte da mídia, que questionavam a finalidade das ações e insinuavam que o governo estaria apoiando regimes autoritários de países africanos. “O preconceito era muito grande”, apontou, observando que esse tipo de questionamento não costumava ser feito em visitas a outros continentes.

Ele lembrou, ainda, a visita de Lula em 2005 à Ilha Gorée, no Senegal, ponto de partida dos navios negreiros para as Américas, quando o ex-presidente pediu perdão pela escravização dos negros no Brasil. “Acredito que aquele tenha sido o momento mais importante nas relações de nosso país com a África”, disse.

A partir da política de aproximação implementada no governo do ex-presidente, 19 embaixadas brasileiras no continente africano foram inauguradas ou reabertas. “Isso condiz com nossos laços históricos e culturais, mas, também, com uma visão dinâmica, porque a África será o futuro”, sentenciou Amorim. De acordo com ele, a intensa cooperação do Brasil com o continente tem perdurado ao longo dos anos, seguindo o princípio da “não intervenção” pelo qual as soluções são encontradas por meio do consenso.

UNIRIO e a África

O reitor da UNIRIO, Luiz Pedro San Gil Jutuca, ressaltou a importância da realização de eventos como esse, de formação complementar. “Como dirigente, é gratificante ver que as Escolas se preocupam com o complemento à educação formal dos nossos estudantes”, disse.

Jutuca destacou, ainda, que a Universidade conta com 37 alunos vinculados ao Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), que oferece oportunidade de formação superior a cidadãos de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos culturais e educacionais – como é o caso dos africanos. Ele salientou, ainda, a parceria entre a UNIRIO e a Universidade Pedagógica de Moçambique, que possibilita que alunos da instituição africana cursem as disciplinas ofertadas pela Coordenação de Educação a Distância (Cead).

Da esquerda para a direita: coordenadora da Escola de Ciência Política, Cristiane Batista Santos,  decana do CCJP, Rosângela Gomes, ex-ministro Celso Amorim, reitor Luiz Pedro San Gil Jutuca e coordenadora do Grisul, Enara Echart (Foto: Comso)

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