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MORPHEUS

Revista Eletrônica em Ciências Humanas
- Conhecimento e Sociedade -

publicação on-line semestral - ISSN 1676-2924

Informação e

Sociedade

A REPRESENTAÇÃO DO FILME DOCUMENTÁRIO INSTITUCIONAL: TESTEMUNHO HISTÓRICO-CIENTÍFICO NO ESPAÇO INFORMACIONAL ACADÊMICO
Rosale de Mattos Souza

QUISSAMÃ SOMOS NÓS: RECURSOS INFORMACIONAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE HIPERTEXTO SOBRE IDENTIDADE CULTURAL
Carmelita do Espírito Santo

Teorias da Cultura

AS CIDADES DE BAUDELAIRE E HUGO NA PARIS MODERNA DE WALTER BENJAMIN
Antonio Carlos Gaeta
AS CONTRIBUIÇÕES DO FILME “O PIANISTA” PARA A TEORIA DA MEMÓRIA
Joana D’Arc Fernandes Ferraz
Rogério Ferreira de Souza

Práticas Educativas, Comunicação e Tecnologias

PELAS VEREDAS DE PAULO FREIRE E PIERRE LÉVY : COMPILANDO PENSAMENTOS NA (RE)CONSTRUÇÃO DE UMA EDUCAÇÃO POPULAR
Genoveva Batista do Nascimento
A EDUCAÇÃO COMO COMPONENTE BÁSICO PARA DIRECIONAR O TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO MUNICÍPIO DE SEDE NOVA/RS
Mara Adriane Scheren

Resenhas

“O COLAPSO DA MODERNIZAÇÃO: DA DAERROCADA DO SOCIALISMO DE CASERNA À CRISE DA ECONOMIA MUNDIAL” DO LIVRO DE ROBERT KURZ.
Maro Lara Martins

Ponto de Vista

REDES, AMBIENTES VIRTUAIS E O GESTOR DA INFORMAÇÃO.
Diego Salcedo
 

EXPEDIENTE
A revista MORPHEUS é uma publicação do Laboratório de Linguagens e Mídias, do Centro de Ciências Humanas da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, e objetiva disseminar a produção científica acadêmica, optando pela interdisciplinaridade e pela multiculturalidade, tanto na abordagem como com relação aos objetos.


Editores
Evelyn Goyannes Dill Orrico; Cláudia Cerqueira do Rosário; Leila Beatriz Ribeiro; Mônica Cerbella Freire Mandarino;  Valéria Cristina Lopes Wilke; Carmen Irene C. de Oliveira; Guaracira Gouvêa de Souza.

Conselho Editorial
Angela Maria Martins (UNI-RIO)
Antonio García Guttierez (Universidad de Sevilla)
Denise Sardinha M. S. de Araújo (UNI-RIO)

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Webmaster
Alexandre de L. Antunes/ Caroline Barros

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“ A REPRESENTAÇÃO DO FILME DOCUMENTÁRIO INSTITUCIONAL: testemunho histórico científico no espaço informacional acadêmico.”

Rosale de Mattos Souza
Mestre em Ciência da Informação - (UFRJ/ECO/IBICT)
Chefe do Serviço do Arquivo Permanente, do Arquivo
Central, do Núcleo de Documentação, da UFF


RESUMO
Problematiza-se a Norma Internacional de Descrição Arquivística – ISAD(G) quanto à representação de documentos especiais, em particular o Audiovisual, numa estrutura relacional de sentido ou espaço informacional acadêmico – representação multinível. Busca a construção conceitual dos recursos informacionais da Arquivística, do Cinema, do Jornalismo, e da História de forma interdisciplinar junto à Ciência da Informação no que tange à normalização da representação do filme documentário Institucional, destacando-se o seu potencial de fonte-testemunho Histórico-Administrativo e Científico, associado às Tecnologias da Informação. O trabalho pretende guiar-se pela ISAD(G), determinando o nível de descrição e os elementos descritores, possibilitando novas ferramentas à técnica descritiva nacional frente aos desafios da comunicação de um mundo mais globalizado.

 

ABSTRACT
The International Standard of Archivistic Description – ISAD (G) is problematized in relation to the representation of especial documents, especially the audiovisual, in a relacional strutucture of academic informational sense or space – a multilevel representation. It seeks the conceptual construction of the informational resources of Archivistic, Movies, Jornalism, and History in an interdisciplinary connection with the Information Science , in relation to the standartization of the representation of the Institutional Documentary Film, highlighting its potential of Historic-administrative and Scientific source of testimony, associated with the technologies of information. This work is going to follow the ISAD (G), determining the level of description and descriptive elements, allowing new tools to the national descriptive technique, facing the challenges of communication in a world more globalized.

 

INTRODUÇÃO

Os meios de comunicação de massa: rádio, televisão, cinema, internet e as mídias documentais são construções discursivas, espaços de mediação ideológica. Considera-se tradicionalmente na Arquivística como documentação especial toda aquela que seja composta por gêneros documentais, e que denominaremos neste trabalho como não textuais, tais como: a documentação filmográfica, audiovisual, a documentação fonográfica, e iconográfica. Assinala-se que ARQUIVO é o conjunto de documentos produzidos e recebidos , acumulados no decurso de atividades públicas ou privadas, independente da sua natureza, suporte ou formato.

“ [ ...] as películas cinematográficas, por exemplo, quando produzidas ou recebidas por uma administração no cumprimento de funções específicas, podem ser consideradas arquivos. Este é o caso de filmes para registrar atualidades, tais como, filmes de cenas de combate durante a guerra, ou para influenciar a opinião pública, ou ainda para treinar o pessoal civil ou militar.“
( Schellenberg,1974, p.22 )
O “estado-da-arte” da representação Arquivística, numa perspectiva histórica, demonstra que a primeira preocupação com normas de descrição datam de 1888 nos EUA. Na década de 1960, Doroty Arbaugh, uma Arquivista norte-americana relata os procedimentos de recebimento, análise, seleção, controle, organização, catalogação, e preservação dos filmes produzidos e recebidos oficialmente pelos órgãos da Administração Pública no Arquivo Nacional dos EUA. A Arquivista Luciana Duranti revela que somente na década de 1970 se passou a utilizar a expressão descrição na Arquivística. Na década de 1980 passou a haver movimentos de discussão em países de origem anglo-saxônica, surgindo a Corrente Arquivística Canadense Anglófila e Francófila, do Quebec. Houve também as correntes Inglesa e a Norte-americana. Na década de 1990 surge finalmente a Norma Internacional de Descrição Arquivística (ISAD)G, com versões de 1992, 1994 e 2000.No Brasil são poucas as experiências com a ISAD(G), existindo somente propostas de adequação, faltando fixar normas nacionais e uma Câmara Técnica de Descrição no CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS - CONARQ. Problematiza-se a Norma Internacional de Descrição Arquivística ISAD(G), pois ainda não fechou a questão sobre a representação descritiva dos documentos especiais, em particular o Audiovisual, e de que maneira este documento se insere numa estrutura relacional de sentido dentro do seu espaço informacional – representação multinível, com seus vários pontos de acesso. Sub-problemas - Qual é o grau de testemunho e/ou informacional de um Audiovisual associado à conceitos como evidência, aderência, pertinência, e autenticidade documental Arquivística, e ainda quais sãos os diversos testemunhos, se vão do testemunho histórico ao científico. Como Objetivo principal - compreender e contribuir para o desenvolvimento de uma base conceitual acerca da representação documentária nos domínios da Arquivística, da normalização descritiva, da transferência da informação Arquivística adequada às novas tecnologias da informação junto à Ciência da Informação. Desta forma, visa potencializar o acervo de filmes documentários institucionais, possibilitando um diálogo introdutório entre áreas do conhecimento, tais como a Comunicação Social, o Jornalismo, o Cinema, a Arquivologia, a História, e a Ciência da Informação. Como Objetivos Específicos – fazer uma análise acerca dos “Arquivos Especiais”, e Arquivos de Filmes, Arquivos de Filmes Institucionais; Filmes Documentários e suas linguagens específicas); Filmes Documentários Institucionais, comparativamente Filmes Documentários relativos aos movimentos de pró-criação de órgãos cinematográficos oficiais no Brasil, como foi o caso do Instituto do Cinema Educativo – INCE, e o da antiga Secretaria de Informação do Ministério da Agricultura.
METODOLOGIA CONCEITUAL
Na epistemologia dos Sistemas de Pensamento, principal teórico utilizado foi Michel Foucault. Na História utilizou-se de conceitos de Le Goff, Marc Ferro e Pierre Sorlin. Na Arquivística contemporânea Canadense - Carol Couture, Rousseau, Turner, Gilbert Comehaut, Norte- americana Charles Dollar, e em Portugal Armando B. Malheiros da Silva. Na Ciência da Informação com os seus precursores Harold Borko e Gernot Wersig. Borko observou toda a trajetória e as características da informação, procurando entender a informação enquanto processo, com suas características dinâmicas ,suas propriedades, visando analisá-la desde a sua geração, armazenamento, organização, processamento e de intercâmbio de dados e informações. E o trabalho * foi ainda analisado conforme as seguintes Categorias de Análise Investigativa:
Memória Coletiva, Ufanista, Nacionalista Narrativa, linear, Historiografia positivista. Diversos tipos de Memória: da consciência individual até a memória artificial, não linear, expandindo os saberes. Historiografia da “Escola dos Annales”
Totalizante Fragmentado
Continuidade Descontinuidade
Periodização Crítica ao critério serial como fator de ordem
Testemunho tradicional Novos caminhos para os testemunhos
Autenticidade documental Questionamento à autenticidade documental e à evidência
Documento-monumento Crítica ao documento-monumento
Documento: suporte + conteúdo Informação
________________________
* Dissertação de Mestrado defendida e aprovada em 27.08.001. Esse trabalho ainda foi apresentado na Faculdade de Letras, Secção de Ciências Documentais, da Universidade do Porto, Portugal, em 15.11.2002, e na 7as Jornades Imatge i Recerca, em Girona, na Catalunha, Espanha, em novembro do mesmo ano. No final do ano de 2003 o resumo dessa Dissertação foi apresentado como palestra para o evento “ Memória e Informação “, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

CONTRAPONTO ENTRE DUAS POSTURAS CONCEITUAIS ARQUIVÍSTICAS:

Científica.

PARADIGMAS DA ARQUIVÍSTICA TRADICIONAL NOVOS PARADIGMAS DA ARQUIVÍSTICA
Visão eurocêntrica Visão anglo-saxônica: canadense e norte-americana
Fundo documental Processo da Informação:Desde a sua gênese até a destinação final; Gestão da informação; Sistemas de Informação;Configurações de sistemas de informação;Conhecimento e comunicação associado às redes de informação;Infovias
Proveniência Multiproveniência
Ordem original Se possível mantê-la.
Unicidade Quebra do conceito de unicidade documental
Autenticidade Novos atributos/ a busca de códigos para autenticidade do documento eletrônico.
Arquivística como disciplina auxiliar da História Arquivística ganhando autonomia teórica e voltada para as mais diversas pesquisas do conhecimento e científicas: diversificando os testemunhos
Instrumentos de Pesquisa: Guias, Inventários, Catálogos, Repertórios, Índices. Instrumentos de Pesquisa como ponto de acesso num sistema de informação.
Suportes documentais tradicionais Novos suportes documentais: Documentos especiais, Discos Magnéticos, Discos Óticos etc
Arquivo Custodial Interdisciplinaridade, transdisciplinaridade, Arquivo dinâmico e Científico associado à Ciência da Informação.

METODOLOGIA OPERACIONAL QUALITATIVA

Revisão da pesquisa bibliográfica; Da pesquisa documental em fontes primárias encontradas no Arquivo Central da UFF; Entrevistas com professores ligados à área de Cinema e Vídeo da UFF acerca do Documentário, suas linguagens e suas categorias organizativas; Visitas à instituições que têm acumulação de audiovisuais no decorrer de suas atividades orgânicas específicas, comparando seus acervos e estágios de evolução; Amostragem das principais categorias no acervo do Núcleo Audiovisual - NAV, da UFF ;Revisão às normas Internacionais de descrição arquivísticas, considerando que a representação e a descrição da amostragem do documentário institucional seguiu os parâmetros da Norma Internacional de Descrição Arquivística - ISAD(G) quanto à escolha dos elementos descritivos que mais se aproximaram do documento especial fílmico.

O FILME DOCUMENTÁRIO E O POTENCIAL INFORMACIONAL

O Filme documentário é um espaço conceitual heterogêneo de conflitos e divergências. O documentário para alguns autores é considerado "natural", por outros" filme de fatos", e ainda denominado " cinema-verdade ". Existe um grande número de definições sobre filmes documentários, mas de uma forma geral assinalam que no filme documentário existe essa tensão entre o cinema-verdade e a ficção, entre o real e o imaginário. A importância do Filme Documentário enquanto discurso jornalístico, que na tentativa de se aproximar da simultaneidade dos fatos é instrumento informador ( dar forma a ), e formador de opinião pública.

A Ciência da Informação, com a sua capacidade analítica poderá verificar o processo produtor da informação – seu contexto material e abstrato desde a sua gênese, considerando as instituições agenciadoras da informação, repercutindo na cognição e na representação individual e coletiva. Wersig viu a informação como fenômeno de transformação sócio-política, e que partir dela se pode chegar a uma "consciência”, geradora de ação.

CATEGORIAS ORGANIZATIVAS DOS FILMES DOCUMENTÁRIOS
Expositivo (documentário clássico) diretos
Observacional imagem evidência do mundo real

Reflexivo afirma a não autenticidade do som e da imagem

Além do Reflexivo: pontos de fuga - Rompimento com os grandes acontecimentos e os grandes homens, em favor dos acontecimentos fragmentados e homens comuns. Para os professores entrevistados da Área de Cinema e Vídeo são categorias que se interagem umas com as outras.

Institucional - Na bibliografia consultada o termo utilizado é o seguinte: Filme Institucional. O termo Filme Documentário Institucional não é utilizado como categoria de forma explícita. O Filme documentário institucional tenta retratar a realidade tal como ela se apresenta, mantendo uma relação de semelhança com a realidade, e se estiver inserido na produção documental no decorrer das atividades organizacionais específicas de uma determinada instituição, por sua característica de acumulação tende a ter um caráter Arquivístico. Para a maioria dos professores entrevistados da Área de Cinema e Vídeo o filme institucional serve à publicidade institucional.

[...]Os filmes cinematográficos do governo são realizados para fins educativos, para a divulgação de informação destinada a melhorar a vida e a atividade dos cidadãos americanos, ou para informar o público sobre os serviços governamentais disponíveis. (...) Os documentários e cenas relativas a investiduras presidenciais, expedições científicas, conferências, processos industriais, obras públicas, e assuntos semelhantes. Arbaugh (1964, p. 215-216)
DAS INSTITUIÇÕES VISITADAS

ARQUIVO NACIONAL DO BRASIL – acervo da Agência Nacional, órgão sucessor do Departamento de Imprensa e Propaganda – DIP, no período de Getúlio Vargas; CASA DE OSWALDO CRUZ - Destacam-se os filmes provenientes do Instituto Oswaldo Cruz sobre o combate à malária durante a modernização do Rio de Janeiro, na Gestão do Ex-Prefeito Francisco Pereira Passos, e outros conjuntos documentais relacionados à saúde;CINEMATECA BRASILEIRA – Maior Centro de Documentação Cinematográfica da América Latina, referência internacional de Conservação e Restauração de Filmes. Ver acervo do DIP, em São Paulo;UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UERJ - Acervo Memória audiovisual da UERJ, o processo institucional da Universidade; no Núcleo Audiovisual de Imagem, referência em imagens antropológicas - acervo proveniente da Seção e Comissão de Cinematografia Rondon; UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde – NUTES. Perspectiva educacional do filme documentário institucional de forma explícita. Experiências na Pós-graduação com linguagens mediadoras e a cognição; UNIVERSIDADE DE CAMPINAS - UNICAMP – Acervo voltado para a evolução institucional acadêmica, e o progresso científico.

Somente o ARQUIVO NACIONAL DO BRASIL e a CASA DE OSWALDO CRUZ desenvolviam propostas de descrição de documentos durante o período que estava sendo realizada a pesquisa, e as outras Instituições como UERJ, UFRJ, e CINEMATECA BRASILEIRA trabalhavam com técnicas Biblioteconômicas para a recuperação da informação. Na UNICAMP existe um Sistema de Arquivos – SUARQ, mas não havia nenhuma proposta de descrição à época que tenha se utilizado da Norma ISAD(G).

O universo da pesquisa é o Núcleo Audiovisual - NAV, da UFF, órgão inicialmente subordinado ao Gabinete do Reitor - GAR, como órgão suplementar, criado com Regimento Interno aprovado pela Resolução número 154/75 do Conselho Universitário - CUV e com atribuições regulamentadas pela Norma de Serviço 145/77, era órgão setorial subordinado diretamente ao Reitor. A partir de 15.05.97 o NAV foi desativado, e suas atividades foram absorvidas pelo Instituto de Artes e Comunicação Social - IACS da Universidade.Funções: Supervisionar, planejar, orientar, coordenar e executar as atividades de pesquisa em relação à comunicação audiovisual no âmbito da universidade; atividades administrativas e industriais de produção de recursos audiovisuais de interesse da Universidade.

O NÚCLEO AUDIOVISUAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Do espaço informacional que é o Núcleo Audiovisual da Universidade Federal Fluminense – NAV/UFF, adotou-se como objeto de observação o acervo audiovisual, que é de cerca de mil filmes documentários institucionais, analisou-se uma (amostragem), cerca de 50% ( cinquenta por cento) do acervo, procurando analisar Assuntos e/ou categorias. Quanto ao 1o Gráfico os filmes Documentários Institucionais voltados para o Conhecimento Científico dentro da Universidade é predominante em relação à Política Institucional e/ou Publicidade Institucional - PI, predominando por sua vez testemunhos/registros primeiramente da Área de Ciências Biomédicas, em segundo lugar de Ciências Humanas, e em terceiro lugar de Ciências Exatas. As Áreas do Conhecimento no âmbito da Universidade foram dividas em três grandes categorias, conforme a seguir, com as seguintes siglas atribuídas no 1o Gráfico: ( CH – Ciências Humanas, CE – Ciências Exatas, e CB – Ciências Biomédicas.)


Quanto ao 2o Gráfico, existe uma predominância dentro destas três categorias dos filmes documentários institucionais na Política Institucional, no olhar da universidade sobre ela mesma, e com o comprometimento da UFF com a comunidade de Niterói, e nos temas voltados para a Política Nacional, Manifestos Populares e outros temas debatidos pelo país, o que demonstra a sua abertura para a sociedade em geral, e em menor proporção aqueles filmes de Publicidade Institucional. As siglas atribuídas ao 2o Gráfico significam as seguintes categorias: ( POI – Política Institucional, PUB – Publicidade Institucional, e POL – Política; ACO – Áreas do Conhecimento.)

Um outro enfoque que cabe compreender é que existem duas categorias pré-existentes no “Catálogo do Audiovisual do Nav “, uma categoria relacionada a DOC - Documentários , com cerca de 36% da Amostragem, e com cerca de 64%, outra categoria, considerada como EVT - Eventos, que pode vir a ser considerada como uma Sub-categoria de Documentário. Nesta Categoria Eventos considera-se desde a Cobertura de Atos Solenes, tais como o processo eleitoral ( denominado Eleições para Reitor) e o final deste processo com as respectivas Posses de Reitores; Congressos, Seminários, Encontros, Palestras de Áreas do Conhecimento dentro da Universidade ; Cobertura de Festivais de Música, a Orquestra Sinfônica da UFF tocando música Erutida, e outros Eventos.

A REPRESENTAÇÃO DA IMAGEM EM MOVIMENTO E A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Em Sorlin (1985, p.130 - 131) o conceito de plano no filme é entendido como um encadeamento lógico de alguns fotogramas, uma tomada de vista na continuidade do filme, cujo conjunto detém um determinado sentido dentro da narrativa fílmica. O autor faz uma análise fílmica por planos, enumerando-os, e de acordo com campos a serem preenchidos num quadro esquemático: os ângulos, o tempo de duração, enquadramento, iluminação, profundidade do campo, movimento das câmeras, descrição de personagens, objetos, lugares, sonoridades como a música, o diálogo e os ruídos.

A Representação da imagem em movimento numa perspectiva da Ciência da Informação por Cordeiro (1998, p.102 -117) - critérios de leitura - pela linguagem sonora, escrita e imagética; da margem de polissemia à possibilidade de diminuição da ambigüidade, o que se coloca sobre a competência dos usuários em apreender a mensagem - e ainda a influência do perfil dos usuários para o planejamento do Sistema de Recuperação da Informação - (SRI). Para os dois autores é importante o contexto que envolve a produção fílmica - o seu conjunto documental.

A REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA ARQUIVÍSTICA

Na tentativa de estudar com maior profundidade a questão da representação arquivística de filmes, sugere-se levar em consideração algumas questões: 1) A noção de simulacro da imagem - a linguagem analógica - como apenas um " reflexo" do real ; 2) da trama narrativa; 3) do roteiro solicitado pela produção e direção do filme 4) do seu processo de construção, desde a seleção dos ângulos a serem filmados, seleção e montagem de imagens, até se chegar ao produto final; 5) do seu formato; 6) do seu suporte documental- acetato, nitrato, etc; 7) do seu valor como "testemunho" ou dos seus diversos níveis e combinações com outros testemunhos; 8) dos seus planos e sequências dentro de uma perspectiva hipertextual; 9) da sua representação numa linguagem informática e/ou digital; 10) do seu sentido arquivístico, no qual existe o interelacionamento entre os documentos e informações de forma a ser o reflexo do contexto, ou seja, das atividades e funções institucionais, caracterizando-se portanto as informações contextuais ou orgânicas, etc.

São quatro as regras para a descrição Multinível da Norma ISAD (G): 1)Descrição do geral para o particular; 2) Informação relevante para o nível de descrição; 3) Relação entre descrições; 4) Não repetição das informações. (CIA, 2000, p.6)

No plano descritivo foram consideradas as Sete Áreas de informação, conforme a amostragem do audiovisual da UFF – UMA INSTITUIÇÃO ACADÊMICA BRASILEIRA, que por sua vez foi descrito com a Aplicação da ISAD(G), procurando desenvolver uma descrição do conteúdo através de categorias classificatórias e da decupagem fílmica e/ou audiovisual.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No locus documental - proximidade entre os conceitos de aderência, evidência, testemunho: o referente adere como carga potencial testemunhal e informacional encontrada nos registros, independente do seu suporte documental. Na evidência, constatação dos fatos/informações verifica-se em vários níveis, nos quais Sorlin, Barthes e Foucault relacionam com empatias, identidades, compartilhamento dos códigos sociais. Estes conceitos vão depender dos contextos informacionais, da competência de apreensão/cognição do indivíduo, ou ainda dos sistemas de especialistas. Em Foucault existe uma instabilidade no discurso e uma fragilidade no olhar. O discurso é um processo no tempo, e o ato de representar acompanha as mudanças ocorridas não só na linguagem, mas nos valores, no cotidiano do homem. A função faz o sentido, e a informação contextual está associada aos sentidos institucionais, e dessas em relação ao seu papel social. As instituições elaboram seus discursos, produzindo seus sinais de evidência, de testemunho, de autenticidade, dando-lhe legitimidade.
Nos reportando aos modelos/categorias de documentários , pode-se justificar e se constituir numa nova categoria oficial e explícita de documentários - a de Filme Documentário Institucional, que possui sua gama de informações/conteúdo a ser tão valorizada quanto às demais categorias. Do discursos dos Filmes Documentários Jornalísticos aos demais Filmes documentários se constituem em escolhas de linguagens e formatos que podem se interagir. Existe uma problematização de categorias junto ao filme-documentário como verdade, objetividade, fidedignidade e mecanicidade que influem na sua produção.
O mérito de Sorlin não se trata somente como historiador, mas também como analista da informação fílmica, que se preocupa com a sua visão hipertextual, do conjunto documental no qual o filme está inserido, assim também Cordeiro que se preocupa com o conjunto documental dentro de uma perspectiva da famíla e gênese dos documentos fílmicos. Ambos os autores parecem ter uma visão da informação contextual dos documentos fílmicos de forma bem nítida, considerando o seu espaço de produção e de sentido no qual o filme foi produzido. Como também no Arquivista canadense Comeault na preocupação com a descrição fílmica, não se podendo deixar de destacar como uma experiência anterior na importância da decupagem fílmica – termo que tem origem no verbo em francês – découper – recortar - ( análise por planos) para a sua descrição. Percebeu-se a necessidade no desenvolvimento da pesquisa de compilar e averiguar futuramente o que as outras organizações internacionais como a FIAF, e a FIAT têm hoje como norma/manual de descrição fílmica, pois somente a Norma ISAD(G) não fornece solução para os procedimentos que lhes são específicos , remetendo para os seus Manuais. É preciso que esses órgãos se afinem e troquem experiências técnicas com o CIA e a comunidade arquivística internacional no tocante à descrição da imagem em movimento. No Brasil, que a Câmara Técnica de Descrição, ligada ao Conselho Nacional de Arquivos – CONARQ, abra espaço para a discussão da representação fílmica.
Na norma ISAD(G) quanto à descrição documental da imagem em movimento, determinou-se uma categoria/palavra-chave ou descritor para o assunto principal, como ponto de acesso, fazendo parte de um vocabulário controlado , conforme o previsto na Norma; e analisou-se os principais planos /segmentos fílmicos, visando fornecer informações referentes ao conteúdo do documento fílmico, indo além dos elementos descritivos Suporte e Dimensão do documento especial, sugerindo-se que estas informações estejam inseridas em elementos descritivos dentro da Área de Estrutura e Conteúdo da Norma. Entretanto, o nível de detalhamento da descrição também dependerá da política do sistema de recuperação da informação de cada instituição, do estudo de necessidades das demandas de informação e do perfil dos usuários.
Identificação dos países de origem da Ciência da Informação com os países da visão anglo-saxônica da Arquivística Sistêmica e Científica. Borko analisou o processo, o comportamento, o fluxo, a organização, o tratamento da informação, identificando-se com a Gestão da Informação Arquivística, na medida em que se acompanha a informação desde o momento que a informação é produzida até sua destinação final no Arquivo Permanente(Informativo/Histórico), alterando atividades Arquivísticas como a descrição documental. Wersig, que vê a Ciência da Informação como Ciência Pós-Moderna que pode colaborar com as demais na solução dos problemas tecnológicos, e levando o homem à uma informação transformadora, que o leve à ação.
A Universidade Federal Fluminense - UFF tem na sua maioria filmes documentários numa linguagem direta, mais expositiva, necessitando desenvolver ainda as outras linguagens dos Documentários, diversificando temas e abordagens estéticas, possibilitando experiências a partir de linguagens mediadoras, a fim de facilitar o processo comunicacional, cognitivo e de aprendizagem. O acervo audiovisual do NAV/UFF vai além da Publicidade Institucional, servindo a um mosaico de visões científicas, espaço de opiniões convergentes e divergentes, o contexto acadêmico não cabe um discurso unívoco, contando também com o registro de Manifestações populares, Sindicais e Estudantis, Debates, muitas das vezes formando massa crítica e opinião pública. Apresenta ainda, as origens da Universidade , a sua vocação de interiorização, levando o ensino para regiões do interior, seu comprometimento com a comunidade e com a sociedade em geral, levando à discussão de temas sobre a política nacional, o seu processo de expansão e modernização no tempo.O acervo audiovisual do NAV/IACS/UFF obterá maior visibilidade acadêmica do seu potencial informacional com uma interface com outros órgãos da UFF, como é o caso do Arquivo Central do NDC da UFF, por intermédio dos seus instrumentos de pesquisa, Bases de Dados, via Internet, num complexo multimídia, com textos, imagens fotográficas e imagens em movimento, que combinadas constituir-se-ão num grande manancial hipertextual acadêmico de informações históricas e científicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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