PATRIMÔNIO E MEMÓRIA DIGITAL
Vera
Dodebei
dodebei@terra.com.br
Somos criaturas ordeiras. Desconfiamos do caos. As
experiências chegam até nós sem um sistema reconhecível,
sem
motivo inteligível, com generosidade cega e
descuidada. Contudo,
diante da própria evidência do
contrário, acreditamos na lei e
na ordem.
Alberto Manguel
INTRODUÇÃO
O
caráter efêmero e circunstancial dos recursos que transitam no
ciberespaço aponta para a discussão conceitual sobre uma nova
categoria de patrimônio, a do patrimônio digital. Esse
novo patrimônio é constituído por bens culturais criados somente
em ambiente virtual ou por bens duplicados na representação da
web e cobre materiais digitais que incluem textos, bases de
dados, imagens estáticas e com movimento, áudios, gráficos,
software, e páginas web, entre uma ampla e crescente
variedade de coleções que representam desde objetos pessoais a
acervos tradicionais de instituições de memória. A discussão
aqui apresentada assinala a existência de tensões conceituais
entre patrimônio e patrimônio digital e as semelhanças
existentes entre a preservação do patrimônio por meio da
oralidade mítica (tradição oral), com a circulação volátil dos
recursos de memória, representada pela virtualidade
imagética. Especificamente, procura-se demonstrar que a
preservação do patrimônio transforma-o em objeto informacional,
que a forma de representá-lo digitalmente garante sua proteção
contra o perigo da perda, assim como garante sua autenticidade,
sem negar sua condição de circunstancialidade processual.
A
perspectiva de observar o patrimônio como categoria
informacional e circunstancial, no sentido processual -
patrimônio como processo - vem se atualizando em ‘conversas’
mantidas no Programa de Pós-Graduação em Memória Social da
UNIRIO, especialmente no âmbito da linha de pesquisa Memória
e Patrimônio e na linha de pesquisa Memória,
Subjetividade e criação[i].
Na prática da pesquisa, o grupo (CNPq), Coleções e Retratos
do Brasil, de natureza interdisciplinar, reúne discentes,
docentes e pesquisadores antropólogos, museólogos,
historiadores, cientistas da informação, bibliotecários,
arquivistas e comunicadores sociais preocupados com as questões
do patrimônio na contemporaneidade, e é nesse ambiente que se
desenvolve a pesquisa “Patrimônio digital, memória social e
teoria da informação: configurações e conceituações”.
Essa pesquisa, de certo modo, dá continuidade aos
resultados apresentados por minha tese de doutoramento sobre o
sentido e o significado de documento para a memória
social, em que concluí que o conceito de /documento/ pode
ser o produto da soma de três atributos inerentes ao objeto que
transita nos espaços-temporais de criação da memória social:
unicidade - os documentos que são os objetos de estudo da
memória social não são diferenciados em sua essência ou seja,
não se agrupam em categorias específicas, tal como os exemplos
tradicionais: o livro para bibliotecas, o objeto tridimensional
para museus e o manuscrito para arquivos;
virtualidade
- a atribuição de predicáveis ao objeto submetido ao observador
dentro das dimensões espaço-tempo é seletiva, o que
proporcionará, arbitrariamente, uma classificação desse
objeto; e
significação - a transformação dos objetos do cotidiano em
documentos é intencional, constituindo estes uma categoria
temporária e circunstancial.
Alguns pressupostos orientam a condução desta
proposta. O primeiro apóia-se em dois conceitos de patrimônio:
patrimônio como categoria de pensamento, como defende o
antropólogo Reginaldo Santos Gonçalves[ii]
e patrimônio como processo, em Maria Cecília Londres
Fonseca[iii].
O segundo pressuposto pauta-se na leitura bergsoniana da
memória em que esta é uma atividade unificadora que prolonga
o passado no presente[iv].O
terceiro considera as propriedades da informação na
contemporaneidade, principalmente quando discutidas no âmbito
da preservação cultural. Mas, muito ao gosto da explicação pela
metáfora dos paradoxos, uma questão se coloca: seriam as três
categorias: unicidade, virtualidade e significação adequadas à
idéia de patrimônio? Como lidar com os contrários do guardado e
do perdido, da intervenção e da emergência, do singular e do
coletivo, do público e do privado, do estável e do instável, da
ordem e da desordem se agora o espaço em que o patrimônio se
constitui não é mais um espaço físico, mas é um espaço simulado,
quer dizer, ao mesmo tempo lógico, simbólico, instável e
temporário representado pelo ciberespaço? De que modo o
confronto entre memória e esquecimento na constituição dos
patrimônios virtuais pode gerar uma tensão positiva para o
fortalecimento dos laços sociais, para a valorização das
diferenças culturais, e para o surgimento de um novo tipo de
memória social ainda mais dinâmica do que aquela emergida dos
pólos da oralidade e da escrita?
DESORDEM: A WEB COMO ESPAÇO MÍTICO DA
MEMÓRIA
Há muito se vem
discutindo modelos teóricos e conceituais de interseção entre os
lugares tradicionais de memória, notadamente os museus, as
bibliotecas e os arquivos, principalmente com a criação dos
chamados centros culturais, posteriormente designados por casas
de cultura ou por centros de memória, em substituição às
configurações institucionais criadas a partir da década de 50 do
século passado em que a memória do conhecimento era organizada e
disseminada em “centros de documentação” e “centros de
informação”. Traçar um percurso histórico sobre a evolução
dessas “casas” é trabalho já desempenhado com louvor, desde
Suzanne Briet[v]
com o texto Qu’est-ce la docummentation?, atualizado
por pesquisadores que demonstraram a preocupação com o
confronto dos pares conceituais documento/informação,
ciência/técnica, como Pinheiro[vi],
até à reflexão epistemológica de Rafael Capurro[vii].
É bem verdade que havia
uma separação, nem sempre muito nítida, entre o bem cultural, o
bem informacional e o bem documental. Assim, deixava-se a
cultura para os museus, a informação para a biblioteca e os
documentos administrativos para os arquivos. Mas quando os
centros culturais ou centros de memória surgiram[viii]
e se multiplicaram, esses tipos de “bem” foram absorvidos pelo
que hoje se pode chamar de patrimônio cultural. Todas essas
casas passam a ser “casas de patrimônios”, quer dizer, um pouco
museus, um pouco arquivos, um pouco bibliotecas, um pouco
espaços de lazer e encontros presenciais. Na década de 90 do
século passado, alguns estudos foram empreendidos na tentativa
de compreender o processo pelo qual a sociedade enfrentaria o
desafio da informatização na esfera dos registros organizados da
memória social. A busca de traços identitários entre essas
instituições que abrigavam objetos com conteúdo cultural obrigou
os especialistas a estudar os procedimentos teóricos,
conceituais e metodológicos de cada uma das disciplinas
tradicionais que tinham a memória como centro de estudo[ix].
O núcleo da interseção entre as três áreas ora se inclinava para
o caráter de valor documental de seus objetos ora para os
processos de identificação, descrição e comunicação de
seus conteúdos informacionais. Não há dúvida de que naquela
época já havia indicações da importância dos estudos
informacionais para a sobrevivência não só das instituições
como, principalmente, dos meios de circulação dos bens
culturais.
Os meios de produção do
conhecimento na contemporaneidade alternam-se entre os três
pólos da tecnologia da inteligência, descritos por Lévy[x]
e também considerados os três tempos do espírito, quer
dizer: a oralidade primária ou mítica, a escrita e a informática
ou imagética. Embora o documento escrito seja ainda dominante
nos estoques de informação de instituições de memória, essa
tecnologia vem sendo abalada em sua hegemonia pelas facilidades
que as tecnologias da informação e da comunicação proporcionam à
sociedade. A indústria eletrônica se esmera na produção de
equipamentos que aproximam virtualmente os indivíduos por sons e
imagens. O correio eletrônico tradicionalmente produzido pela
tecnologia da escrita, ainda que virtualizado imageticamente,
vem sendo substituído pela câmera digital adicionada a
microfones para transmissão de voz, o que sintetiza em um único
aparato - o computador -, a maioria das relações sociais. A
oralidade sombreia a escrita e traz como conseqüência dessa
mudança a reformatação da informação em seus contextos de
produção, de armazenamento e de recepção. Quer seja por meio da
oralidade primária (comunicação que antecede a tecnologia da
escrita) ou pela oralidade secundária (estatuto da palavra que é
complementar ao da escrita) a produção de conhecimentos importa
as configurações da tradição oral, principalmente no seu aspecto
processual.
De certo modo, a tradição
oral implica o posicionamento filosófico de que o que se
transmite é uma forma de verdade, especificamente para o
indivíduo que pertence ao grupo social no qual e para o qual o
processo de transmissão ocorre. Estar preso ao grupo,
identificar-se a ele reforça as tradições e garante a
continuidade dos saberes, das crenças e das técnicas de produção
de uma dada comunidade. O receptor da herança cultural vai
adicionar à memória do grupo a sua própria experiência,
reformatando a informação recebida para devolvê-la ao composto
da tradição ou do mito. Vernant[xi]
nos explica que um mito, pontualmente um mito grego, é um
relato. A maneira pela qual os mitos se constituíram e se
estabeleceram ou foram transmitidos e se atualizam na memória
coletiva pode ser compreendida pelos textos que só chegaram a
nós dispersos e fragmentados, à exceção das obras literárias
tais como a Ilíada e a Odisséia. À reunião dessas
tradições múltiplas deu-se o nome de mitologia grega.
A diferença entre o relato
mítico e outros tipos de relatos, por exemplo o literário e o
histórico, pode ser evidenciada sob alguns aspectos. O primeiro
deles diz respeito à autoria. O relato mítico segundo Vernant[xii],
não resulta da invenção individual nem da fantasia criadora,
mas da transmissão da memória. Assim, o mito só vive se for
contado, de geração em geração, na vida cotidiana e as condições
de sua sobrevivência são, exatamente, a memória, a oralidade, a
tradição. O segundo aspecto é relativo à sua integridade
informacional ou unicidade. O mito não está fixado numa forma
definitiva. Esta vai variar, sempre, em decorrência do agente -
“contador de estórias”, os aedos - ou do processo, a
transmissão, a qual incorpora novas analogias e abandona outras,
tecendo-se, assim, um continuum formado por lembranças e
esquecimentos, sempre atualizado na memória coletiva.[xiii]
O
mito sempre comporta variantes, versões múltiplas que o narrador
tem à sua disposição, e que escolhe em função das
circunstâncias, de seu público, de suas preferências, podendo
cortar, acrescentar e modificar o que lhe parece conveniente.[xiv]
A terceira diferença do
mito com relação a outros relatos pode ser vista a partir da
perspectiva do espaço/tempo. As musas, filhas de Mnemosyne
(memória), têm por tarefa a apresentação da criação
do mundo desde que ao Kháos (Caos) se contrapôs Gaîa. Gaia, ou a
Terra, é nítida, firme e estável, significando o oposto do Caos,
embora tenha emergido dele. E é nela que os deuses, os homens e
os bichos podem viver com segurança, iniciando-se, assim, a
estória das origens. No entanto, a origem do cosmos relatada
pela mitologia[xv]
não deve ser vista em um quadro de sucessão no tempo., tal como
em Vernant:
esta gênese do mundo, cujo decurso narram as Musas, comporta o
que vem antes e depois, mas não se estende por uma duração
homogênea, por um tempo único. Ritmando este passado, não há uma
‘cronologia’, mas ‘genealogia’[xvi].
Quanto à experiência do
que é espacial, a mitologia a representa, além do próprio mito
de origem: Caos – instável, infinito, espaço em queda, e Gaia –
estável, definida e fixa -, pela figura do casal Héstia,
simbolizando o centro e Hermes o contrapondo com o movimento.
Esses polos, mais dinâmicos que opostos, ultrapassam em muito a
noção ordinária de espaço e movimento, e exprimem o que Vernant
denomina de tensão que se observava na representação arcaica do
espaço:
o
espaço exige um centro, um ponto fixo, com valor privilegiado, a
partir do qual se possam definir direções, todas diferentes
qualitativamente; o espaço porém se apresenta ao mesmo tempo
como lugar do movimento, o que implica uma possibilidade de
transição e de passagem de qualquer ponto a um outro[xvii].
A união de centro e
movimento aliada à circularidade temporal conduz à idéia de um
só conceito - espaço/tempo. E tal como na mitologia, ele pode
ser imaginado como uma dimensão na qual, a partir da leitura do
presente, celebram-se os acontecimentos que transitam no passado
e no futuro. A função criativa do mito reside, exatamente, no
fato de que este pode ser interpretado à luz do quadro
conceitual do presente e, embora a oralidade mítica tenha cedido
espaço ao pólo da escrita, suas características de relato
singular - autoria, forma e espaço/tempo - podem ser encontradas
na transmissão do conhecimento na atualidade e,
conseqüentemente, na configuração, também atual, da memória
social. Sobre a persistência da oralidade primária nas
sociedades modernas Lévy[xviii]
argumenta que numa sociedade oral primária, quase todo edifício
cultural está fundado sobre as lembranças dos indivíduos e,
assim, inteligência e memória se confundem. As tradições orais
são estudadas na atualidade como forma de se entender os
procedimentos pelos quais a memória individual utiliza para
armazenar e processar informações. Curiosamente, a apreensão do
conceito de oralidade tem fornecido indicadores para se pensar
os processos pelos quais se formam os estoques de informação em
espaços virtuais.
No ciberespaço a
acumulação do conhecimento se dá no domínio coletivo no qual a
informação é permanentemente construída e reconstruída. Mas, se
o processamento contínuo de novas informações gera uma economia
de espaço de armazenamento, ele causa em reverso, a sua
reformatação. Essa reformatação, representada pela fusão,
complementação e descarte de informações da memória que as está
processando impede a recuperação dos formatos originais de
ingresso. Daí dizer-se que as memórias informacionais geridas e
gerenciadas em ambiente virtual não são mais bancos de dados,
nem bases de dados mas, centros de conhecimento. Do mesmo modo,
dizemos que só a informação é passível de ser transferida pois o
conhecimento é processado no interior desses centros, cujo
modelo é, sem dúvida, o da memória quer seja ela individual ou
coletiva. A idéia de centro (caótico porque em permanente
processo) ao invés de banco (ordenado pela idéia de acumulação)
permite representar essa possibilidade de processar inscrições
que, por estarem sempre em movimento, impedem a formação de
depósitos arqueológicos de informações. Nesse centro de
cálculo, conforme Latour[xix]
não há lugar para a soma; apenas para o produto da
interseção.
A web vista como
espaço mítico da memória social cria um fértil terreno de
pesquisas sobre o comportamento e as propriedades dos meios de
produção do conhecimento, quer sejam eles de natureza história,
artística ou técnica. Alguns estudos, que temos acompanhado de
perto no Programa de Pós-Graduação em Memória Social, tem sido
conduzidos pelo interesse de recortar os meios de produção de
subjetividades na web sob os enfoques da história e da memória.
Blogs e portais de depoimentos como o Museu da Pessoa oferecem
essa oportunidade de registrar as memórias individuais, de
transformar o privado em público, de autorizar a reformatação
das memórias, e acima de tudo, de dividir a autoria. O coletivo
parece ser atributo principal que faz da web um grande centro
virtual da memória do mundo.
MEMÓRIA DIGITAL
A passagem acelerada
do patrimônio cultural para o território do ciberespaço, com a
criação dos museus virtuais, das bibliotecas digitais e dos
documentos eletrônicos (de arquivo) fortalece a discussão sobre
a qualidade, a quantidade e a diversidade das informações
geradas por essas instituições. No mundo todo ocorre uma demanda
crescente acompanhada de oferta de recursos financeiros para
digitalizar os conteúdos culturais armazenados em museus,
bibliotecas e arquivos e considerados de alta qualidade
educacional e cultural em vista da avalanche de “lixo” jogada da
web todos os dias[xx].
Entretanto, algumas questões merecem atenção nessa transformação
da sociedade analógica para a sociedade digital.
A primeira questão
diz respeito à salvaguarda da produção intelectual armazenada
nas memórias documentárias. Essa produção é representada
pela descrição singular dos registros textuais, imagéticos e
sonoros o que vai configurar uma diversidade de métodos de
representação de conteúdos, caracterizando a “infodiversidade”
se comparada à biodiversidade do ecossistema. A infodiversidade
é a resposta evolucionária natural e apropriada para o
ecossistema informacional diverso e, sobretudo, dinâmico. A
heterogeneidade das informações produzidas pelos museus,
bibliotecas e arquivos, embora com algumas coincidências, dizem
respeito ao tipo de coleção, às políticas institucionais, aos
temas das disciplinas, à modulação descritiva (generalidade e
especificidade), à estrutura dos dados e aos valores de conteúdo
da descrição. Considerando a memória da digitalização para os
recursos bibliográficos, museológicos e arquivísticos, o
contexto bibliográfico foi o primeiro a adotar um modelo de
descrição legível por máquina (MARC Machine-Readable Cataloging
Records) que se tornou o padrão de descrição entre as
bibliotecas do mundo inteiro por conta da cooperação
catalográfica, de vez que o livro e o periódico são de natureza
multicópia. Em seguida, o conjunto dos fundamentos
teórico-metodológicos da organização de arquivos nos presenteou
(para o contexto digital) com a dinâmica da circulação do
documento arquivístico. Não basta preservar apenas o documento
eletrônico quando de sua criação, importa para a arquivologia o
seu trâmite, seu percurso de vida. A gestão eletrônica de
documentos (GED) se ocupa dessa dinâmica documental, registrando
cada passo do percurso do documento e sua interação com o
ambiente contextual. A característica dominante na gestão desse
recurso digital é o acompanhamento e o registro dos dados
modificadores do conteúdo a cada deslocamento. Essa estratégia é
a que vai sustentar metodologicamente o campo da preservação
digital. Os museus entram mais tarde na era digital e vão se
beneficiar com a experiência das bibliotecas no que se refere à
descrição de coleções, assim como dos arquivos no tocante ao
acompanhamento da vida social de seus objetos.
A segunda questão,
que nasce em decorrência da dispersão conceitual gerada pela
diversidade de padrões de registro do patrimônio cultural, se
situa na possibilidade de fazer os recursos patrimoniais
digitais conversarem entre si, de modo a garantir ao
pesquisador acesso a uma rede de informações culturais
independentemente de sua natureza institucional, material e
histórica. Ao ingressar no ciberespaço o documento se transforma
em recurso informacional e passa a fazer parte do estoque
informacional que constitui a memória virtual da web. Assim é
que sua nomenclatura muda; de documento para recurso, no caso do
acesso, e de documento para objeto informacional, no caso de sua
representação digital. A solução de interoperabilidade[xxi]
dos recursos informacionais digitalizados pode ser acompanhada
pelo desenvolvimento da chamada websemântica[xxii],
que tenta minimizar os efeitos da dispersão conceitual durante o
processo de busca informacional entre campos com afinidade de
pesquisa, a partir da construção de pontes conceituais
representadas pela criação de taxonomias e ontologias
conceituais[xxiii].
A análise de domínio é o primeiro passo para a modelização de
ontologias e no caso do patrimônio cultural digital o projeto de
sua construção vai exigir equipe interdisciplinar que estabeleça
as categorias pelas quais o recurso possa ser encontrado. O
modelo conceitual referencial do CIDOC-ICOM-UNESCO é um projeto
em desenvolvimento que usa tecnologia de ontologia de domínio
orientada a objeto para o intercâmbio de dados sobre
patrimônio cultural. Arrola em sua estrutura hierárquica 81
classes (superclasses) interligadas a 132 propriedades.
A terceira questão se
refere à leitura hipertextual dos recursos organizados em
páginas, sites e portais na web. O hipertexto é fruto da
era tecnológica nomeada de informática mediática por Levy
(1993, p. 127) ou de imagética para Virilio (1994, p. 9) e sua
constituição e seu uso podem ser discutidos sob várias
perspectivas e por diversos campos do conhecimento. O espaço
casual construído pelo movimento infinito dos percursos de
acesso à informação dificilmente é memorizado e,
conseqüentemente, propicia a dispersão e a fragmentação do
propósito inicial, gerando ansiedade no pesquisador. Essa
ansiedade pode ser representada pela perda dos elos de
raciocínio da busca, quer dizer a reprodutibilidade de todo o
processo (fim do processo), como também pela descoberta de novos
objetos de tanta ou maior importância circunstancial,
configurando o suposto excesso de informação (processo sem fim).
No caso da leitura linear de um texto, a finitude do processo
pode ser consentida pelo “ponto final”, embora o leitor vá
estabelecer outras redes de informação construídas com as
referências do autor, além das suas pessoais. Mas o que confere
o caráter de finito ou infinito não é a potencialidade de criar
redes de informação, e sim a velocidade e a oportunidade de
criá-las em tempo real. A idéia de percurso inclui os conceitos
de espaço, tempo e movimento. Os espaços da leitura podem ser
lineares quando são considerados somente os objetivos
predefinidos de percurso, quer dizer o roteiro do texto que foi
delineado pelo autor, caracterizando uma ordem com princípio,
meio e fim. A leitura pode ser casual quando é dada ao leitor a
opção de roteirizar seu percurso, independentemente da moldura
proposta pelo autor, significando um movimento desordenado em
relação à imagem (estrutura aparente) do texto. Nesse segundo
caso os objetivos da leitura vão sendo construídos e
(des)construídos a cada intervalo de percurso, gerando novos
espaços entre o princípio e o fim. Com efeito, ler é um processo
que considera duas propriedades principais no âmbito das
estruturas conceituais do pensamento. A primeira é a capacidade
preditiva do leitor que extrai do texto mais do que está nele
expresso de modo lingüístico, graças às ações mentais efetuadas
para a decodificação de mensagens (processo da semiose), bem
como as estratégias de leitura adotadas. Quer dizer que o
movimento rizomático das redes, das relações, das analogias
está presente também no interior desse processo. A segunda
propriedade é a tendência natural de reduzir o cenário para
reter as informações principais, isto é operar cadeias de
sínteses informativas que permitam selecionar e reter na memória
aquela parcela do cenário que vai responder de imediato às
questões motivadoras da leitura, uma vez que conhecer é um
processo que reúne generalização e redução. Nesse sentido,
podemos imaginar o movimento de ampliar/ reduzir como necessário
ao domínio do desconhecido, tal como Lewis Carroll propôs à
Alice. Na leitura linear, representada nestas reflexões pela
leitura do texto convencional, o ator constrói e retoma espaços
guiado pela estrutura finita do objeto. Uma das imagens que se
pode ter da máxima linearidade é a do livro em forma de rolo
(volumen) que ocupava as duas mãos do leitor, impedindo que este
fizesse uso de anotações explicativas ou complementares ao
texto. Jacob (2.000 p. 54-68), comenta que o livro em forma de
rolo se prestava mais a uma leitura contínua e a um movimento
linear (para frente e para trás), que a procura de passagens
precisas. A leitura dos rolos exigia, por exemplo, índices em
separado, recurso utilizado para guiar o leitor no percurso do
texto. A aproximação da técnica do manuscrito à do hipertexto é,
neste particular, a de rolagem remetendo aos índices, com a
diferença da inserção no tempo. Se para os rolos as relações
temáticas se processavam mediante a consulta em “tempo linear”
aos índices ou catálogos, para o hipertexto, a consulta é
realizada em “tempo real”. No que se refere aos instrumentos de
retenção da informação, a rede de remissivas elaboradas pelo
leitor no livro paginado, e representada pelas anotações nas
margens do próprio texto, configuram uma prática adotada como
auxílio à memória. Já no hipertexto, essa rede é construída pelo
processo de reflexão do leitor, levando-o a percorrer o
ciberespaço ao acaso. Sem um fio condutor, nem de ida e nem de
volta, capaz de reproduzir objetos do saber, o leitor acaba por
interromper o processo sem concluir o percurso inicial,
iniciando novo percurso, e assim, sucessivamente. O estado de
ansiedade do pesquisador é, neste sentido, conferido pelo volume
de informações que a web oferece de forma necessariamente
desordenada, dada a sua característica de rede em permanente
construção.[xxiv]
A
quarta questão diretamente relacionada à condição hipertextual
da leitura contempla a possibilidade de indexar e recuperar
os recursos informacionais com auxílio de programas lógicos que
substituem o trabalho humano de representação dos objetos
informacionais mas que permitem a leitura dos objetos tanto por
humanos como por softwares. A experiência da representação
de documentos no âmbito da Ciência da Informação demonstrou que
os metadados representam todas as informações importantes para a
localização de um recurso informacional. Desde as anotações nas
margens dos rolos de pergaminho remetendo o leitor aos índices e
aos catálogos da biblioteca, passando pelas fichas
catalográficas dos livros ainda em uso na atualidade, até aos
complexos procedimentos da indexação automática de recursos na
web, o princípio de representação continua inalterado em sua
essência. Os dados sobre um recurso constituem os pontos de
acesso pelos quais eles podem ser localizados individualmente e,
ao mesmo tempo, servem de ponto de conexão (links) com
conceitos similares semântica e estruturalmente relacionados.
Autor, assunto, endereço, formato etc. Além destes dados sobre o
objeto em si outros dados são permanentemente anexados ao objeto
na medida em ele é usado. São dados referentes aos eventos,
situações que o receptor impõe ao objeto no processo de uso. Os
conjuntos informacionais representados pelos metadados formam os
quatro grupos de complexidade informativa: conteúdo,
permanência, referência, proveniência e contexto.
Os programas
desenvolvidos para a descrição de recursos na web privilegiam
hoje a possibilidade de leitura desses dados pela máquina e
também pelas pessoas. É o caso da linguagem XML (Extensible
Markup Language) em que são explicitados, além dos conteúdos dos
documentos, a sua estrutura. Esta linguagem tem um alto poder de
“conversação”, diferente, por exemplo, do formato .DOC
(Microsoft Word).[xxv]
Os metadados são hoje recursos indispensáveis para as
instituições que digitalizam suas coleções, como também para as
empresas de softwares que criam ferramentas de indexação
automática de recursos na web.
A quinta questão se refere à preservação das
memórias que circulam na web. A existência do patrimônio
digital e sua permanência na memória virtual do mundo estarão
intimamente ligadas às condições de preservação que forem
proporcionadas por aqueles que se responsabilizarem pela
inclusão e manutenção de um objeto na rede mundial. E é a partir
das discussões sobre preservação que vamos analisar o patrimônio
digital como um valor agregado informacional. No capítulo
referente às dimensões tecnológicas da obra Bibliotecas
Digitais Luis Fernando Sayão inicia a discussão sobre
preservação digital com o subtítulo “A era do esquecimento”.
O dilema que se instala é que a tecnologia digital coloca a
humanidade sob o risco de uma amnésia digital, que já está em
curso, ao mesmo tempo em que abre oportunidades extraordinárias
em todos os campos – da ciência à arte, do trabalho ao lazer[xxvi].
Ao lado do excesso de informação que funciona como uma
“desinformação”, nas palavras de Virilio[xxvii]
a digitalização é ao mesmo tempo a salvação e a destruição dos
patrimônios da humanidade.
O ciberespaço é uma
dimensão da natureza da velocidade, em que não há garantia de
acumulação da informação e, portanto, das memórias virtuais.
Nele, os objetos se criam, circulam, são assimilados e se
recriam tal qual o clássico modelo do círculo da informação
aponta, com a diferença de que a percepção (humana) não
acompanha o trajeto de seus movimentos em todas as intensidades.
A circulação de objetos no ciberespaço é pertinente à sua
natureza criativa, eruptiva como diria Henry-Pierre Jeudy[xxviii]
acerca das memórias do social. A acumulação e a garantia da
existência dessas memórias já não faz parte do espaço simulado:
ao mesmo tempo lógico, simbólico, instável e temporário.
Embora cientes
dessa quase impossibilidade de preservação da informação em meio
digital, os esforços da humanidade se dirigem para a
transformação dos objetos no mundo atual em agregados de valor
informacional, na tentativa de dotar a memória virtual do
ciberespaço com capacidades próximas da tecnologia da escrita
com seu sentido acumulador de informação, em oposição ao pólo da
oralidade mítica, no qual a narrativa é o elo de transmissão de
informação de geração em geração. Essa comparação quer
demonstrar que se nada fizermos para preservar nossos
patrimônios eles naturalmente desaparecerão ou se adaptarão a
novos volumes de informação mais hegemônicos e, tal como o
processo da transferência de informação mítica, a memória nem
mais seletiva seria, configurar-se-ia apenas como uma massa
processual atual, sem recursos de busca retrospectiva. Onde
estariam os estoques de informação? Ou como construir esses
estoques?
Seria suficiente
apenas transformar textos analógicos em textos digitais? Imagens
analógicas em imagens digitais? Sons analógicos em sons
digitais? Para essa questão já temos a certeza de que os
suportes digitais são muito mais frágeis do que o papel, o
filme, o plástico entre outros. Mas, em contrapartida, a
velocidade com a qual se pode renovar o objeto digitalizado com
camadas de informação tem sido a forma de protegê-lo, assim como
se protege um bem ao patrimonializá-lo. Digitalizar um objeto é
dotá-lo de conjuntos de significado pois como diz Sayão o que
se espera da preservação digital é, em última análise, preservar
o conteúdo intelectual de um objeto digital[xxix].
Preservar então significa reter significados de modo a que
se possa recriar a forma original ou a função do objeto para
assegurar sua autenticidade e acessibilidade.
As estratégias da
preservação vão desde a criação de museus tecnológicos, passam
por emuladores de equipamentos antigos, migração de equipamentos
e softwares até, como salienta Sayão, a abordagens que
constituem autêntica regressão tecnológica, ou seja migrar do
digital para o convencional. Mas, preservar o objeto digital
implica: preservação física; preservação lógica; preservação
intelectual; preservação do aparato (metadados); e preservação
do uso (monitoramento e instrumentalização da comunidade, do
domínio)[xxx].
ORDEM:
PATRIMÔNIO COMO OBJETO INFORMACIONAL
O
conceito de objeto informacional não difere da conceituação
antropológica dos objetos materiais produzidos na sociedade. A
diferença entre eles reside no fato de que no espaço virtual sua
dinâmica de circulação implica a agregação de valores traduzida
por informação descritiva de sua mobilidade naquele espaço. Essa
informação descritiva ou metadado é o que vai constituir os
agregados informacionais que deverão conferir valor patrimonial
ao objeto. Ultrapassando a união de locais e ações, pode-se
vislumbrar o patrimônio como um acontecimento. E, como tal, ele
pode ser elevado a uma categoria mais abstrata que todo o
conjunto de categorias já elaborado para explicá-lo ou
defini-lo. A informação patrimonial seria uma dessas camadas que
encapsulam o objeto na sua trajetória. Como assinala José
Reginaldo em texto sobre a antropologia dos objetos:
Na medida em que os objetos
materiais circulam permanentemente na vida social, importa
acompanhar descritiva e analiticamente o seu deslocamento e suas
transformações (ou reclassificações) através dos diversos
contextos sociais e simbólicos: sejam as trocas mercantis, sejam
as trocas cerimoniais, sejam aqueles espaços institucionais e
discursivos tais como as coleções, os museus e os chamados
patrimônios culturais. Acompanhar o deslocamento dos objetos ao
longo das fronteiras que delimitam esses contextos é em grande
parte entender a própria dinâmica da vida social e cultural,
seus conflitos, ambigüidades e paradoxos, assim como seus
efeitos na subjetividade individual e coletiva. Os estudos
antropológicos produzidos sobre objetos materiais, repercutindo
esse quadro, têm oscilado seu foco de descrição e análise entre
esses contextos sociais, cerimoniais, institucionais e
discursivos.[xxxi]
Para observar o ciclo de
vida ou trajeto dos patrimônios digitais, a dimensão da
simulação ou o polo da informática-midiática tem predominância
sobre as outras porque o espaço da simulação abriga não só os
patrimônios criados virtualmente, como também aqueles gerados
pelas tecnologias intelectuais da oralidade e da escrita e
posteriormente digitalizados. Assim, a condição de estar
patrimônio na contemporaneidade é dada, de certo modo, pela
tecnologia intelectual da simulação, quer dizer, pela atribuição
constante de conteúdos informacionais ao núcleo do objeto
simulado no ciberespaço.
O
conceito em uso de patrimônio digital tangencia a idéia de
patrimônio virtual, quer dizer, o patrimônio intangível ou
imaterial circulando na web[xxxii],
em contraposição ao conceito de patrimônio edificado, de “pedra
e cal”. O patrimônio intangível, assim como qualquer categoria
que toma o patrimônio como seu substantivo, é formado pela
escolha, decisão ou determinação daquilo que, em detrimento de
outras possibilidades, passará a representar para um grupo
fragmentos de sua memória. A atribuição de valor patrimonial
impede o desaparecimento do bem, protege o seu uso, e garante a
sua propriedade. O atributo de valor patrimonial, mais extenso
do que aquele representado pelo valor documental, transforma
esse bem em patrimônio. Poder-se-ia então estabelecer uma
seqüência de leitura para o bem patrimonial considerando as
ordens: (objeto Ø
((documento Ø
(((patrimônio.
Patrimônio pode ter esse sentido de sobre-valor que ultrapassa e
envolve ao mesmo tempo os valores documentais e informacionais,
trazendo os bens culturais amarrados com um novo feixe, o
patrimonial. A essa amarra ou cobertura do “recheio cultural”
pode-se adicionar outras como, por exemplo, a instalação de
mostras e exposições com as imagens dos bens patrimoniais. E
ainda, os comentários, as críticas produzidos por ocasião da
veiculação do evento na mídia, e todas as subseqüentes
informações geridas sobre aquele objeto. As sucessivas camadas
de informação que envolvem o objeto durante o seu trajeto social
podem ser indicadoras da possibilidade de existência do
patrimônio e de sua condição de mobilidade.
A
circulação social de um determinado bem, incluindo aí o
cultural, se faz por uma operação cumulativa de mídias textuais–
jornal e revistas; mídias sonoras – rádio; mídias televisivas –
cinema e televisão; e mídias virtuais – Internet. E a cada
transposição de uma mídia para outra, a imagem vai deixando de
ser a ilustração do objeto concreto, e passa a ter existência
própria. No lugar de um “bem durável” (patrimônio em seu sentido
mais tradicional) encontramos um bem efêmero, uma imagem
digital, reformada, transformada. A importância e o papel dessas
mídias se encontra no fato de que elas passam a ‘midiatizar’ não
só representações de bens concretos, mas também de bens criados
especificamente para cada uma delas. A imagem virtual já pode
ser criada independentemente do objeto concreto. Nesses casos,
não há mais representação, há criação.
Se a compreensão
que temos hoje do mundo se molda mais à criação do que à
representação, o que seria patrimônio na contemporaneidade?
Caberia pensar a inexistência de bens patrimoniais? Poderia um
bem patrimonial deixar de sê-lo? A quem caberia a tarefa de
atribuir valores patrimoniais aos objetos criados em uma
sociedade globalizada e virtualizada? Haveria ainda lugar para a
existência de patrimônio como herança cultural local? Como
preservar o patrimônio no mundo virtual com as garantias de
autoria, autenticidade e pertencimento?
Com a certeza de que não conseguiremos responder a
todas essas questões, o que nos interessa nesta pesquisa é
verificar a possibilidade de existência do patrimônio no mundo
virtual, a partir do pressuposto que patrimônio é uma categoria,
e que o meio digital favorece o entendimento do bem patrimonial
como um objeto informacional em constante desenvolvimento, ao
mesmo tempo circunstancial, único e virtual. Sugere-se um
continuum na leitura dos conceitos: objeto – documento –
patrimônio, para pensar o patrimônio como uma categoria
circunstancial e, ao mesmo tempo, considerar patrimônio como um
valor, especificamente como um agregado de valor simbólico
informacional. Aldo Barreto[xxxiii]
indica que as estruturas de informação são armazenadas ou
estocadas no que, denominamos de agregados de informação:
unidades que produzem e armazenam o conhecimento
produzido. Estas unidades elaboram os diferentes estoques de
saber acumulado nas diferentes áreas do conhecimento humano.
Agregados de informação e conhecimento podem ser pessoas,
inscrições de informação (documentos), conjunto de documentos em
diferentes formatos, acervos, metodologias, constructos teóricos
ou de aplicação prática.
Por fim, para o estudo do comportamento do valor
patrimonial em suas configurações contemporâneas considerar-se-á
o cenário em que é produzido. Esse cenário pode ser a
atualidade, quando um patrimônio eclode de espaços primitivos ou
quando se estabelece em sociedades complexas, ambos na
cartografia física territorial. Ou o patrimônio pode surgir na
virtualidade, desterritorializado, quando sua criação se dá e se
transforma continuamente em momentos compartilhados no
ciberespaço. Em qualquer situação, nascido digital ou
posteriormente digitalizado, o patrimônio não deve ser
apreendido apenas como um objeto mas, como um valor agregado de
informações sobre o objeto, seja esse objeto de natureza
material ou imaterial.
Baseado e texto de discussão na Mesa Redonda “Patrimônio
digital: os desafios do cientista social” realizada no
XXIX Encontro Anual da ANPOCS, 25 a 29 de outubro de
2005, Caxambu, MG. Proposta n. 210 Cadastro 603.
[ii]
GONÇALVES, J. Reginaldo Santos. O patrimônio como
categoria de pensamento. In: ABREU, Regina; CHAGAS,
Mário (Orgs.) Memória e Patrimônio. Ensaios
contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p. 21-29.
[iii]
FONSECA, Maria Cecília Londres. Para alem da pedra e
cal: por uma concepção ampla de patrimônio cultural. In:
ABREU, Regina; CHAGAS, Mário (Orgs.) Memória e
Patrimônio. Ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro:
DP&A, 2003. p. 57-76.
[iv]
BERGSON, Henri. Introdução à metafísica. In: _____Cartas,
conferências e outros escritos. São Paulo: Abril
Cultural, 1979. p. 11-39 (Os pensadores)
[vi]
PINHEIRO, Lena Vânia Ribeiro. A ciência da informação
entre sombra e luz: domínio epistemológico e campo
interdisciplinar. Tese (Doutorado em Comunicação e
Cultura)- Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ,
1997. (Orientadora: Gilda Maria Braga)
[vii]
CAPURRO, Rafael. Epistemologia e Ciência da
Informação. In: Encontro Nacional de Pesquisa em
Ciência da Informação, V (ENANCIB), Belo Horizonte
(Brasil) 10 de Novembro de 2003. Trad. de Ana Maria
Rezende Cabral, Eduardo Wense Dias, Isis Paim, Ligia
Maria Moreira Dumont, Marta Pinheiro Aun e Mônica
Erichsen Nassif Borges.
http://www.eci.ufmg.br/enancib . Acesso em
24/07/2005.
[viii]
GRUNBERG, Gérald. TIC e bibliotecas: o exemplo da Bpi
do Centro Georges Pompidou. In: Sociedade da
Informação: novo paradigma para as bibliotecas. Rio de
Janeiro: Goethe-Institut; Aliança Francesa; CRB-7, 19-20
de maio de 2005.
Segundo Grunberg o Centro George
Pompidou, em Paris (França), é considerado modelo de
organização informacional e inspirou a criação de
similares em todo o mundo. Essa vem sendo a razão pela
qual seus organizadores avaliam o decréscimo de público
que visita a instituição nos dias atuais, pois ela
divide com outros o serviço informacional que outrora
era singular para a população.
[ix]
Cf. DODEBEI, Vera. O sentido e o significado de
documento para a memória social. Rio de Janeiro,
1977. (Tese de doutoramento, UFRJ) e CHAGAS, Mario de
Souza. Em busca do documento perdido: a problemática da
construção teórica na área da documentação. Cadernos de
Ensaios, Rio de Janeiro, n.2, p.41-53, 1994
[x]
LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o
futuro do pensamento da era da informática. Rio de
Janeiro: Ed. 34, 1993.
[xi]
VERNANT, Jean-Pierre. O universo, os deuses, os
homens. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
[xii]
VERNANT, J. Op. cit. p. 12
[xiii]
Cf. DODEBEI, Vera. Espaços mítico e imagético da memória
social. In: THIESEN, Icléia; GONDAR, Jô (Orgs.)
Memória e espaço. Rio de Janeiro: 7Letras, 2000.
[xv]
Cf. em VERNANT.op.cit. p.19 o nascimento de Chronus,
filho de Gaia e Urano, que instaura o tempo na terra.
[xvi]
VERNANT, Jean-Pierre. Aspectos míticos da memória e do
tempo. In : ______. Mito e pensamento entre os gregos.
São Paulo : Difusão Européia do Livro/EDUSP, 1973. p.
71-112.
[xvii]VERNANT,
Jean-Pierre. A
organização do espaço. In : ______. Mito e pensamento
entre os gregos. São Paulo : Difusão Européia do
Livro/EDUSP, 1973. p. 113 -206.
[xix]
LATOUR, Bruno. Redes que a razão desconhece:
laboratórios, bibliotecas, coleções. In: BARATIN, Marc,
JACOB, Christian. (Coord.). O poder das bibliotecas:
a memória dos livros no Ocidente. Rio de Janeiro,
Editora UFRJ, 2000. p.21-44.
[xx]
GILL, Tony. Building semantic bridges between museums,
libraries and archives: the CIDOC Conceptual Reference
Model. First Monday, v. 9, n. 5, Maio, 2004.
Disponível em
http://firstmonday.org. Acesso em 09/10/2005.
[xxi]
Interoperabilidade é a habilidade que diferentes tipos
de computadores, redes, sistemas operacionais e
aplicativos têm de trabalhar efetivamente juntos, sem
prévia comunicação, objetivando trocar informações de
modo útil e significativo. Há três aspectos de
interoperabilidade: semântica, estrutural sintática.
[xxii]
BERNERS-LEE, Tim et. al. The semantic web. Scientific
American, May, 2001. Disponível em:
http://www.sciam.com. Acesso em 13/04/2004.
[xxiii]
O Comitê Internacional de Documentação do ICOM (Conselho
Internacional de Museus – UNESCO) está desenvolvendo uma
ontologia que pretende atender à representação e à busca
de informações sobre Patrimônio Cultural na web, além de
pretender transformar essa metodologia em Norma Técnica
ISO. Cf. CIDOC-CRM-SIG official website at
http://cidoc.ics.forth.gr. Acesso em
10/10/2004.
[xxiv]
DODEBEI, Vera. Ciberespaço e percurso no acesso à
informação. In: Anais... Congresso Brasileiro de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, XX.
Fortaleza, 2002.
[xxv]
Cf. MARCONDES, Carlos Henrique. Metadados: descrição e
recuperação de informações na web. In: MARCONDES, Carlos
Henrique et. Al. (Orgs.) Bibliotecas digitais:
saberes e práticas. Salvador, BA: EDUFBA; Brasília:
IBICT, 2005.
[xxvi]
SAYÃO, Luis Fernando. Preservação digital no contexto
das bibliotecas digitais: uma breve introdução. In:
MARCONDES, Carlos Henrique et. Al. (Orgs.)
Bibliotecas digitais: saberes e práticas. Salvador,
BA: EDUFBA; Brasília: IBICT, 2005. p. 115
[xxvii]
VIRILIO, Paul.
Estratégia da decepção. São Paulo: Estação
Liberdade, 2000.
[xxviii]
JEUDY, Henri-Pierre. Memórias do social. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 1990.
[xxix]
SAYÃO, op. Cit. p. 121.
[xxx]
Dois documentos são fundamentais na conceitualização do
problema: o relatório Preserving Digital Information
(TASK FORCE, 1996) e a norma Open Archival
Information System–OAIS (CONSULTATIVE COMMITEE,
2002)
[xxxi]
GONÇALVES, José Reginaldo Santos. Antropologia dos
Objetos:coleções, museus e patrimônios. Rio de
Janeiro, Julho de 2005.
[xxxii]
Este artigo usa as seguintes definições dos termos
Internet e Web. Internet: rede informática mundial
constituída de um conjunto de redes nacionais, regionais
e privadas, ligadas pelo protocolo TCP-IP, que cooperam
tendo por objetivo oferecer uma interface única a seus
usuários. Sem ser um suporte eletrônico (não é físico),
a Internet pode ser considerada como um suporte virtual
já que ela permite o acesso ao conjunto de dados
digitais ligados à rede. A palavra vem do inglês
INTERconnected NETworks. Web: Sistema baseado no uso do
hipertexto (links), que possibilita a pesquisa, o acesso
e a visualização de informações na Internet. Também
chamada, em francês, de teia de aranha mundial ou
hiperteia. Definições do Ofício Canadense da Língua
Francesa:
http://www.olf.gouv.qc.ca
[xxxiii]
BARRETO, Aldo de Albuquerque. As aplicações da
informação: estratégias de atuação. Disponível em:
abarreto-l@listas.alternex.com.br Recebida em
13/05/2004 às 10:28.
Barreto indica que as estruturas
de informação são armazenadas ou estocadas no que,
denominamos de agregados de informação: unidades que
produzem e armazenam o conhecimento produzido. Estas
unidades elaboram os diferentes estoques de saber
acumulado nas diferentes áreas do conhecimento humano.
Agregados de informação e conhecimento podem ser
pessoas, inscrições de informação (documentos), conjunto
de documentos em diferentes formatos, acervos,
metodologias, constructos teóricos ou de aplicação
prática.