INFORMAÇÃO E DIVERSIDADE
CULTURAL EM UM MUNDO INTERCONECTADO
Carmen Irene C. de
Oliveira
Resumo: Trabalhar a questão
informacional na dinâmica cultural e identitária contemporânea,
considerando as novas configurações decorrentes da centralidade
das novas tecnologias de comunicação e informação. A partir de
dois teóricos de formação e tendência diferenciadas, Manuel
Castells e Stuart Hall, discute-se a relação
cultura-identidade-globalização, e destacam-se os pontos comuns
presente na discussão de ambos sobre o cenário contemporâneo.
Introduz-se a discussão sobre a informação na confluência de
tais questões e da circulação e consumo de produtos culturais.
Nesse trabalho, são focalizados produtos culturais específicos,
os filmes, tendo em vista o fenômeno de refilmagens ou
remakes como são mais conhecidas as produções fílmicas que
retomam filmes já produzidos. A discussão proposta é a de
focalizar, do ponto de vista informacional, essas histórias que
são recontadas de tempos em tempos tendo como pano de fundo a
diversidade cultural e a hegemonia dos produtos culturais
cinematográficos holywoodianos.
Palavras-chave: informação –
cultura – identidade – filmes
Abstract: This
paper deals with the informational issue in the contemporary
cultural and identity dynamics, taking new theoretical
frameworks into consideration deriving from the centrality of
new communication and information technologies. Based on the
work of two theoreticians who show different theoretical biases,
Manuel Castells and Stuart Hall, the relationship
culture-identity-globalization is examined, and overlapping
points in their discussion about the contemporary scene are
identified. In this paper specific cultural products are focused
upon, movies, especially remakes, the production of movies which
have already been made before. Our objective is to focus on
these stories, from an informational point of view; stories
which are retold from time to time, having as a background
scenario the cultural diversity and hegemony of hollywoodian
movie cultural products.
Key-words:
information – culture – identity - films
Introdução
As teorias culturais conheceram
o auge em meados do século XX enriquecidas com os trabalhos
pioneiros de Jacques Lacan, Claude Lévi-Strauss, Louis
Althusser, Michel Foucault, Roland Barthes, Raymond Williams,
Pierre Bourdieu, Jacques Derrida e Jurgen Habermas entre outros.
Como nos diz Eagleton (2005, p. 13), depois destes nomes, aos
demais pesquisadores restou aprofundar e aplicar o pensamento
que se construiu em torno dos objetos e práticas culturais. A
estas teorias, juntaram-se as contribuições marxistas e
estruturalistas (e pós-estruturalistas) que constituíram um
amálgama que procurava, no âmbito do conceito de cultura –
envolvendo todo seu processo constitutivo -, discutir algumas
tensões que emergiam, ou se faziam perceber, nesse período.
Sem dúvida, após a
denominada belle époque, que coroava um processo de
desenvolvimento tecnológico e científico, com reflexos no campo
das ciências humanas e sociais, o choque provocado pelas
conseqüências da Primeira Grande Guerra, que já seria grande
mesmo que não houvesse seguido um período de grande otimismo no
futuro da ciência e da técnica para resolver os problemas
humanos, determinou o início do fim de uma época. Não é à toa
que Hobsbawn marca o começo do século XX após este evento, em
seu livro A era dos extremos. A “pá de cal” viria com a
Segunda Grande Guerra e a potencialidade das armas atômicas em
por fim à vida humana. Nunca o epílogo da vida humana esteve tão
próximo e concretamente viável.
As teorias
culturais, que ensejam a construção de modelos explicativos de
uma realidade que começa a se deixar perceber como diferente
daquela estabelecida no quadro iluminista, iniciam sua
trajetória articulando às questões antes não abordadas pelas
áreas culturais, notadamente a teoria literária, o
estruturalismo emergente e a leitura marxista das relações do
homem na constituição de sua história. Paralelamente, o avanço
tecnológico, apesar das conseqüências danosas para alguns
especialistas, não parou e após a Segunda Grande Guerra sua
centralidade na sociedade contemporânea, paulatinamente
construída desde fins do século XIX, toma forma completa.
Considerando esta trajetória
desde seu início, podemos atribuir a este desenvolvimento um
papel importante no fomento de dois eventos, dentre outros: a)
uma produção tecnológica e científica cada vez maior e a
circulação dos resultados e informações sobre tais processos, o
que criou as condições de possibilidade de uma ciência que toma
como objeto de investigação a informação e seu comportamento no
âmbito da ciência e tecnologia, áreas focalizadas com imenso
cuidado e interesse pelas grandes potências; b) o incremento das
tecnologias de comunicação de massa com repercussões no campo
social, cultural, econômico, e, segundo alguns especialistas,
até mesmo cognitivo.
O presente trabalho
procura, nesse contexto, focalizar a questão informacional na
dinâmica cultural e identitária da contemporaneidade, tendo em
vista as novas configurações advindas da centralidade adquirida
pelas tecnologias na denominada sociedade da informação. A
relação entre tais elementos - informação, cultura, tecnologia -
pretende ser construída a partir de dois teóricos, Manuel
Castells e Stuart Hall. Sendo assim, procuro articular o que
inicialmente denomino ação informacional ou
agenciamento informacional no contexto de uma dinâmica de
produção cultural estreitamente relacionada a questões
identitárias. Os produtos culturais sobre os quais me debruço
são os filmes e um fenômeno a eles relacionado, o remake,
e o pano de fundo são as transformações globais. O que
apresento neste artigo constitui um recorte nas questões que
abordo em minha pesquisa de doutorado que está em andamento e
que tem como objetivo estabelecer o status de um conteúdo
informacional que se reatualiza nos remakes, considerando
que tal processo de reescritura, cuja especificidade pode ser
encontrada nas condições da pós-modernidade ou modernidade
tardia, possibilita a existência do mesmo e do diferente
articulados em uma formação discursiva que traz no seu bojo o
antigo e o novo.
1. A
identidade em questão
Na
contemporaneidade, o foco sobre as formas de construção da
identidade entrelaça-se com as preocupações acerca das produções
culturais e a circulação e troca de seus produtos. Sem dúvida,
os teóricos que se dividem sobre estarmos ou não vivendo um novo
período, posterior ao fim da modernidade, têm em comum alguns
posicionamentos sobre a cultura, que parece ter se constituído a
categoria-chave das análises críticas e das explicações sobre as
transformações globais que se fazem sentir a partir do século
XX. Tanto Castells quanto Hall apontam para esta questão, sendo
o primeiro mais explícito que o segundo quanto ao papel das
tecnologias no processo de globalização, que é indicado como o
deflagrador das mudanças.
As
identidades na sociedade da informação: projeto e resistência
Castells já inicia sua obra O
poder da identidade afirmando que
Nosso mundo e nossa via vêm
sendo moldados pelas tendências conflitantes da globalização e
da identidade. A revolução da tecnologia da informação e a
reestruturação do capitalismo introduziram uma nova forma de
sociedade, a sociedade em rede. (2002, p. 17)
Na base de sua
argumentação estão a revolução tecnológica e a
transformação do capitalismo. Em um trabalho que afirma ser
de rompimento como etnocentrismo, obsessivamente multicultural e
de base sociológica, Castells vai focalizar as formas de
construção identitária e o desenvolvimento dos movimentos
sociais em paralelo ao que ele denomina esfacelamento das
fronteiras do Estado-nação e redimensionamento das formas e
relações de poder, no âmbito da Sociedade da Informação e
explora um entrecruzamento de fatores intimamente ligados: “a
globalização induzida pela tecnologia, o poder da identidade (em
termos sexuais, religiosos, nacionais, étnicos, territoriais e
sociobiológicos) e as instituições do Estado”. (2002, p. 18) Tal
posicionamento, como pretendo apontar mais adiante, vai, por
vias diferentes, levar às mesmas considerações levantadas por
Stuart Hall e sua teorização acerca da identidade na
pós-modernidade, que tem no processo de descolonização sua
principal causa e alinhar sua análise à concepção dos estudos
que focalizam a cultura não mais a partir do centro e sim das
fronteiras; não mais a partir de categorias sócio-econômicas ou
nacionalistas e sim da diáspora. Nesse sentido, Castells aventa
a hipótese de que
[...] quem constrói a identidade
coletiva, e para quê essa identidade é construída, são em grande
medida os determinantes do conteúdo simbólico dessa identidade,
bem como de seu significado para aqueles que com ela se
identificam ou dela se excluem. (2002, p.23-24)
Esse processo de
construção social de uma identidade coletiva, ele considera que
ocorre sempre em um contexto de relação de poder. Sua distinção
entre três formas de construção identitária, tendo em vista a
sociedade da informação, já se tornou referencial em vários
estudos na área. A identidade legitimadora é introduzida
pelas instituições dominantes da sociedade no intuito de
expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores
sociais. Este tipo de identidade dá origem a uma sociedade
civil, ou seja, um conjunto de organizações e instituições, bem
como uma série de atores sociais estruturados e organizados,
que, por vezes de modo conflitante, reproduzem a identidade que
racionaliza a estrutura social. A identidade de resistência
é criada por atores que se encontram em posições/condições
desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela lógica da dominação,
construindo, assim, trincheiras de resistência. Origina
estruturas organizacionais semelhantes a comunas ou comunidades.
Para Castells, esta talvez seja a forma mais importante de
constituição identitária, já que desenvolve um tipo de
identidade que reforça os limites da resistência e reverte os
valores dominantes gerando uma “exclusão dos que excluem pelos
excluídos” (os excluídos que formam tais comunidades, excluem
delas aqueles que os excluem dos demais espaços). Seus exemplos
são o do fundamentalismo religioso, a da auto-afirmação
nacionalista e o das comunidades territoriais. Finalmente, a
identidade de projeto refere-se à construção de uma nova
identidade, por parte dos atores sociais, com a utilização de
qualquer tipo de material cultural ao seu alcance. Essa nova
identidade deve ser capaz de redefinir sua posição na sociedade
e, ao fazê-lo, tais atores buscam transformar toda estrutura
social. Produz sujeitos, que na sua concepção “são o ator
social coletivo pelo qual indivíduos atingem o significado
holístico em sua experiência” (2002, p. 26). Nesse caso, a
identidade se constrói na base de um projeto levado a efeito por
indivíduos que, nesse processo, tornam-se sujeitos. A proposta,
nesse tipo de identidade, tem um foco diferenciado: a mudança
por uma opção de vida diferente. Por exemplo: a reconciliação de
todos os seres humanos como fiéis e irmãos de acordo com as leis
de Deus ou Alá. Acredito que a identidade nascida como paradigma
ecológico possa situar-se nessa categorização.
Como Castells
ressalta, não importa qual o tipo, o entendimento sobre as
políticas de identidade não pode ser desvinculada do contexto
social, devendo ser situada historicamente. Por isso, ele
sustenta que o surgimento da sociedade em rede faz emergir os
processos de construção identitária que ocorreram (e ocorrem)
durante esse período e produz, assim, novas formas de
transformação social. Para ele, isso é decorrente de uma
“disjunção sistêmica” entre o local e o global (o que eu entendo
como uma não manutenção de liames equilibrados entre estes dois
pólos, no que se refere a trocas e influências culturais e
circulação de bens econômicos) e de uma separação entre poder e
experiência em diferentes estruturas de tempo e espaço. Nesse
contexto, os grupos não encontram mais as condições,
estruturalmente bem sedimentadas, das relações de poder e das
representações de classe e associações, que funcionavam como
horizonte de adesão ou oposição na constituição identitária no
passado: “A maior parte das ações sociais organiza-se ao redor
da oposição entre fluxos não identificados e identidades
segregadas”. (2002, p.27)
Castells apresenta
então outra hipótese: a de que a constituição dos sujeitos (a
identidade de projeto), na sociedade em rede, dá-se de forma
diferenciada daquela que marcou o período da modernidade, desde
seu início até a sua fase mais tardia.
[...] sujeitos, se e quando
construídos, não são formados com base em sociedades civis que
estão em processo de desintegração, mas sim como um
prolongamento da resistência comunal. [...] na sociedade em
rede, a identidade de projeto, se é que se pode desenvolver,
origina-se a partir da resistência comunal. [...] A análise
dos processos, condições e resultados da transformação da
resistência comunal em sujeitos transformacionais é o terreno
ideal para o desenvolvimento de uma teoria de transformação
social na era da informação. (grifo nosso) (2002, p. 28)
Nesse ponto, unem-se
dois dos três tipos de construção identitária estabelecidos por
ele: a construção dos sujeitos (identidade de projeto), na
sociedade da informação, se possível, só pode desenvolver-se a
partir da resistência comunal (que já é condição ou conseqüência
do processo de identidade de resistência).
A identidade
cultural: a diáspora
Stuart Hall tem
inúmeros trabalhos acerca da questão identitária, tendo em vista
sua trajetória dentro dos Estudos Culturais, e suas preocupações
orbitam em torno das relações entre os meios de comunicação, a
globalização e a cultura. Em um livro A identidade cultural
na pós-modernidade (1998), também já clássico quando se
objetiva tratar de tais questões na modernidade tardia, ele
procura mostrar, a partir da discussão da crise das velhas
formas de construção identitária, ligadas ao período moderno,
como em tempos de globalização a nova identidade se caracteriza
como cultural, já que se pauta no pertencimento a culturas
diferenciadas: étnicas, raciais, lingüísticas, religiosas e,
acima de tudo, nacionais.
A estrutura
argumentativa de seu estudo se inicia com a apresentação de três
concepções diferentes de constituição identitária, para depois
apresentar como a identidade moderna está sendo deslocada e
descentrada em um processo no qual a nova noção de sujeito deve
ser entendida a partir de conceitos como diferença, fluxo e
diáspora.
A primeira concepção
de identidade refere-se à idéia de sujeito do período Iluminista
baseada em uma noção de indivíduo totalmente centrado,
unificado, dotado das capacidades da razão e de consciência. A
segunda, diz respeito à idéia de sujeito no âmbito da
sociologia, que já aponta para a crescente complexidade do mundo
moderno, pois entende que este sujeito se formava a partir da
relação com outras pessoas, que mediavam para ele valores,
sentidos e símbolos (cultura). Assim, na concepção sociológica
clássica a identidade é formada na interação entre o eu e a
sociedade. Finalmente, a terceira concepção situa-se nas
questões da contemporaneidade, na qual a identidade unificada e
estável está se tornando fragmentada, compondo-se por várias e
diferentes identidades, por vezes contraditórias. A identidade é
entendida, nesse processo, como uma “celebração móvel”: “formada
e transformada continuamente em relação às formas pelas quais
somos representados ou interpelados pelos sistemas culturais que
nos rodeiam” (1998, p. 13) Nesses novos tempos, a identidade é
definida historicamente, e não biologicamente, e o sujeito pode
assumir diferente identidades conforme os diferentes momentos
vivenciais de sua trajetória.
Após estabelecer as
noções de construção identitária num crescendo que vem do
Iluminismo até à contemporaneidade, Hall situa tal processo no
cerne da globalização, procurando explorar como este fenômeno
tem afetado as identidades culturais. Ele é objetivo ao afirmar
que o que está “tão poderosamente deslocando as identidades
culturais nacionais” é “o complexo de processos e forças de
mudança, que, por conveniência, poder ser sintetizado sob o
termo ‘globalização’.” (1998, p. 67) Nesse sentido, dois pontos
devem ser fixados: a) a noção de globalização distancia-se da
idéia sociológica clássica de sociedade como um sistema bem
delimitado, na medida em que coloca o desenvolvimento da vida
social como um processo atrelado à relação espaço-tempo; b) a
globalização não é um fenômeno recente; suas raízes têm sido
rastreadas até o período dos descobrimentos, sendo, portanto,
uma característica da modernidade. No entanto, o ritmo
acelerado de integração global – viabilizado pelas novas
tecnologias de comunicação e informação – tornou mais crítico,
acirrado e agudo este processo. Dessa forma, Hall mostra como
tais aspectos influenciaram as identidades culturais e
acarretaram três possíveis conseqüências:
-
A
desintegração das identidades nacionais, como resultado da
homogeneização cultural.
Para Hall, “quanto mais a vida social se torna mediada pelo
mercado global [...] mais as identidades se tornam
desvinculadas – desalojadas – de tempos, lugares, histórias
e tradições específicos e parecem flutuar livremente” (1998,
p. 75) Homogeneização cultural é, então, o processo pelo
qual as distinções culturais que outrora definiam as
identidades torna-se fraco devido à globalização, e as
tradições e identidades tornam-se traduzíveis globalmente.
No entanto, Hall considerada simplista e limitado este
posicionamento da homegeneização cultural solapando a
identidade nacional, de forma unilateral. Assim, ele coloca
a discussão em torno da relação entre global e local.
-
O
reforço das identidades nacionais e outras identidades
locais ou particularistas, pela resistência à globalização.
Hall nos mostra que não há substituição do global pelo
local, mas sim um redimensionamento da relação entre estes
dois pólos, e que a globalização não destruirá a identidade
nacional, como categoria, mas produzirá novas identificações
globais e novas identificações locais. Considerando o
caráter desigual da globalização e o fluxo cultural, também
desequilibrado, entre o Ocidente e o Resto, Hall mostra que
há uma “fantasia colonial” sobre a periferia culturalmente
intocada. Na verdade, a globalização está produzindo seus
efeitos, em ritmos e formas diferenciados conforme a região,
tanto na periferia quanto no centro.
-
O
declínio das identidades nacionais, sendo substituídas por
novas identidades híbridas.
A migração que ocorreu após a Segunda Guerra Mundial e a
descolonização são fatores preponderantes para entender como
se constituiu a dialética entre identidades da periferia e
do centro. “A formação de enclaves étnicos minoritários no
interior dos estados-nação no Ocidente levou a uma
pluralização de culturas nacionais.” (1998, p. 83)
Como conclusão provisória, Hall
aponta o fato de que a globalização tem tido a capacidade de
contestar e deslocar as identidades centradas e fechadas, mas
tem provocado, também, outras reações.
A conseqüência de todo esse
processo é relativamente complexa, pois ao mesmo tempo que as
identidades locais emergem, a reação se forma em torno daquelas
do tipo fundamentalistas e étnico-nacionalistas. Além disso, os
grupos pertencentes às identidades híbridas abriram mão de
“qualquer tipo de pureza cultural ‘perdida’ ou de absolutismo
étnico” (1998, p. 89), fazendo com que no cerne do seu processo
de construção identitária houvesse uma substituição do conceito
de Tradição para o de Tradução: de identidades tradicionais para
identidades traduzidas. Frutos da nova diáspora criada pelo
pós-colonialismo, as identidades híbridas constituem, para Hall,
um dos diversos tipos de identidade produzido na era da
modernidade tardia. O destaque de Hall à questão do
espaço-tempo da globalização deve-se ao fato de ele colocar este
binômino no cerne do conceito de representação que, por sua vez,
é fundamental às teorizações acerca da cultura.
O que é importante para nosso
argumento quanto ao impacto da globalização sobre a identidade é
que o tempo e o espaço são também as coordenadas básicas de
todos os sistemas de representação. Todo meio de
representação – escrita, pintura, desenho, fotografia,
simbolização através da arte ou dos sistemas de telecomunicação
– deve traduzir seu objeto em dimensões espaciais e temporais.
[...] Diferentes épocas culturais têm diferentes formas de
combinar essas coordenadas espaço-tempo. (1998, p. 70)
Dessa forma, a
cultura emerge como o elemento condensador das formas de
analisar e pensar as construções identitárias que se operam em
tempos de globalização, pois a circulação de produtos culturais
– representações dessas culturas – tem com as noções de espaço e
tempo uma nova forma de relação em virtude das tecnologias, que
comprimiram as distâncias e redimensionaram a relação com o
presente e o futuro.
2. As novas identidades: os
exemplos comuns e as ênfases diferenciadas
Do panorama
apresentado acerca das concepções de Castells e Hall sobre as
transformações identitárias na contemporaneidade, algumas
questões podem ser destacadas como comuns e outras como
diferenciadas. Para sustentar suas hipóteses, Castells vai
analisar três paraísos comunais: o fundamentalismo religioso,
tanto o islâmico quanto o cristão; os nacionalismos, no caso da
desintegração da URSS e no caso catalão; as identidades étnicas,
como a identidade afro-americana contemporânea. Ele termina com
algumas considerações acerca da identidade territorial. Hall, em
contrapartida, focaliza as diásporas pós-coloniais das antigas
colônias européias.
Tanto Hall quanto
Castells, em suas afirmações sobre as formas de constituição
identitária e como elas se desenvolvem, têm como central a
relação de poder e as transformações globais decorrentes da
centralidade das tecnologias e das conseqüências da nova ordem
política global. Estes dois fenômenos são enfatizados sob
aspectos diferenciados, ou seja, o primeiro fala em globalização
e pós-colonialismo; o segundo, em sociedade em rede ou sociedade
da informação e transformação do capitalismo.
Castells exemplifica
com o fenômeno do fundamentalismo religioso e o colapso da URSS,
que acabou trazendo à tona os particularismos étnicos por tanto
tempo sufocado pelo regime comunista. Ele e Hall também
destacam o papel da resistência na constituição de um tipo de
identidade.
No entanto, enquanto
Castells aborda toda essa discussão sob uma perspectiva
sociológica, trabalhando com conceituações clássicas da área,
Hall traz a concepção deleuziana de diferença e termos como
diáspora, fluxo, global-local para dar conta das novas formas de
constituição de identidades culturais.
Tanto para Castells quanto para
Hall, as novas formas de identidade que se constroem nesse
contexto refletem a desigualdade de trocas culturais e
econômicas oriundas de uma globalização centrada em um avançado
aparato tecnológico e em um sistema controlado de fluxo
informacional. Dominantes e dominados – geopoliticamente,
economicamente, socialmente, informacionalmente etc.- ainda
coexistem, mas suas relações não são mais entendidas ou
explicadas a partir das categorias que prevaleciam até o século
XIX. Um exemplo significativo é o de raça, que sustentou
práticas excludentes e na contemporaneidade é redefinida em
função de movimentos identitários de resistência. Nesse
sentido, podemos compreender porque para Castells as comunas
culturais são apresentadas como o espaço privilegiado para a
constituição de identidades na era da informação. Ele destaca
que a constituição das comunas não é um fenômeno arbitrário,
pois depende da forma de trabalhar a matéria-prima fornecida
pela história, geografia, língua e ambiente e se caracteriza,
sobretudo, pela reação defensiva à globalização, à formação de
redes; à crise da família patriarcal. A informação, nesse
contexto, é trabalhada conforme a proposta de reação defensiva:
se é nos fluxos informacionais que estão embutidos os processos
de dominação aos quais às comunas querem se opor, elas vão se
estruturar com base no fluxo reverso de informação. No caso dos
fundamentalista, por exemplo, à dinâmica veloz de circulação
informacional opõem-se às verdades “eternas” de Deus, que não
podem ser representadas dentro do contexto da realidade
virtual. Essa verdade está dentro dos crentes; não está
dissolvida nos fluxos de informação que circula nas redes
globais. Dentro dessa mesma dinâmica, pode-se entender a
língua, no caso catalão e as imagens comunais das identidades
arraigadas das ex-repúblicas soviéticas. A perenidade dos
elementos constitutivos das novas identidades versus o
fluxo e a dinâmica informacional da globalização e da sociedade
em rede.
3. Cultura de massa: cultura
para um mundo interconectado
Não resta dúvida que
a informação tem merecido, desde meados do século XX[i],
uma focalização maior e diferenciada. As razões deste movimento
nos interessam, aqui, menos do que suas conseqüências. Em
virtude desta atenção, a informação começa a ser problematizada
e definida em função de seu uso, armazenamento, potencial
comunicativo, inscrição/preservação, organização, recuperação,
seleção, produção etc. Cabe ressaltar, então, que há conceitos
de informação que se diferenciam conforme o enfoque adotado. No
entanto, eles sempre oscilarão em torno da idéia de algo
que fornece um diferencial em relação a um status anterior. A informação é algo que ainda não se tem, que se
busca, mas para isso é necessário, sobretudo, identificá-la como
tal; ou seja, a informação só é informação para aquele que sabe
fazer uso dela.
Como nos diz SILVA (1999), a
informação depende do processo que a produz, dai ser de
fundamental importância atermo-nos, também, aos procedimentos
que vão de sua produção à sua materialidade pela representação.
Nos termos em que cultura e identidade estão sendo
perspectivadas neste trabalho, isso significa uma problemática
relacionada aos contextos de produção de tais representações em
veículos de comunicação de massa e em contextos de contatos
culturais dinâmicos e complexos.
A relação entre culturas, que
fique bem claro, não é um fenômeno recente. O que a coloca em
pauta nas agendas dos estudos em ciências humanas e sociais e
nas discussões da Unesco é a agudização dos processos culturais
em contexto de fluxo informacional dinâmico e de desigualdade de
condições econômico-tecnológicas. Diante da intensificação da
interação cultural, em virtude do desenvolvimento dos meios de
comunicação de massa, tal questão começou a ser enfocada
seriamente pela Unesco, que, em 1976, aprovou alguns
posicionamentos, nos quais se recomendava que os meios de
comunicação de massa “não devem ameaçar a autenticidade das
culturas ou empobrecer a sua qualidade; eles não devem agir como
instrumentos de domínio cultural, mas servir ao mútuo
entendimento e à paz” e que os governos deveriam garantir que “o
critério de lucro não exerça uma influência decisiva nas
atividades culturais”. (HAMELINK, p. 116) A oposição dos países
ocidentais foi grande, e durante as reuniões preparatórias e a
Conferência Geral da Unesco, eles expressaram sua preocupação de
que tais recomendações restringissem o livre fluxo de
informação. Os Estados Unidos se opuseram de forma contundente,
se retiraram das discussões e anunciaram que não adotariam tais
medidas, caso elas fossem aprovadas. (HAMELINK, p. 116) Os dois
exemplos sugerem que a questão da informação não é equilibrada:
o país que domina as diferentes instâncias produtoras e
midiáticas na Sociedade da Informação entende que a
democratização dos processos representa uma ameaça à sua
governabilidade em nível global. A sua política de domínio
baseia-se no controle do desenvolvimento das tecnologias e
competências informacionais. (OLIVEIRA, RIBEIRO, WILKE et al.,
2005)
Em recente artigo,
Aldo Barreto traz uma discussão que enseja a oportunidade de
localizar minhas questões. Segundo o teórico,
[...] é pela interpretação que,
na realidade dos receptores de informação, um texto pode se
transformar em lenda. Lenda porque, a ele texto se agregam pela
leitura, a interpretação de diferentes indivíduos com diferentes
intenções. (In)tensão, sendo, conceito forte, que ao mesmo tempo
mostra direção e tensão; uma direção de propósitos destinada ao
conhecimento; uma tensão dos rituais de passagem no processo de
distribuição, a tensão da desarmonia entre mundos de
competências simbólicas diferenciados. Esta “(in)tensão”, misto
de rumo e tensão, acontece nos dois extremos de um sistema de
estoques de informação. (BARRETO, 2005)
O produtor cultural
aqui enfocado é uma produção textual oriunda de processos
industriais-culturais, já que para dar conta do novo estatuto
dos bens culturais as teorizações da Escola de Frankfurt
(especificamente Adorno e Horkheimmer) estabelecem o conceito de
indústria cultural, com o qual procuravam afastar do conceito de
cultura de massa qualquer idéia de uma manifestação cultural
“nascida espontaneamente do povo” e desnudar o contexto em que
as mercadorias culturais produzidas para as massas, delas se
afastavam em virtude dos processos e interesses
econômicos-produtivos que as originavam. (OLIVEIRA, RIBEIRO,
WILKE; 2004) Conforme as idéias dos teóricos de Frankfurt, a
indústria cultural é um conceito que diz respeito ao moderno
processo histórico-filosófico em que se deu a transformação da
cultura em bem de consumo, mercadoria. O filme torna-se, então,
um artefato produzido com um estatuto específico de bem de
consumo, mas, também, texto culturalmente localizável em função
da produção e circulável, em função das condições tecnológicas
que interconectam diferentes “mundos culturais”.
Na mesma condição, a
informação passa também a sofrer os efeitos de tal
redimensionamento econômico-tecnológico e seu estatuto de bem de
consumo – que aqui não será aprofundado – constrói-se com base
nessa visão de mundo que se delineia na sociedade
pós-industrial, ou de consumo, ou de controle, ou pós-moderna,
ou...
4. O cinema norte-americano:
produtos culturais ou entretenimento?
O projeto de difusão
cultural em termos globais é um aspecto salientado na literatura
sobre o cinema como indústria. A indústria cinematográfica
norte-americana inicia suas atividades no início do século XX e
rapidamente incorpora as práticas do fordismo-taylorismo em suas
formas de produção. No entanto, historicamente, ela foi
“beneficiada” (se assim podemos dizer), por dois acontecimentos
que impulsionaram seu parque industrial e paralisaram quase que
completamente a produção cinematográfica européia (à época a
única em condições de fazer-lhe frente): as duas grandes guerras
mundiais. Não somente em termos de estrutura financeira e
técnica; o prejuízo também em valores humanos ocorreu com a
migração de atores, diretores e demais profissionais da sétima
arte para os Estados Unidos nos períodos que antecederam a estes
conflitos. Dessa forma, o continente que contribui com a
constituição da linguagem cinematográfica, com nomes como Geoges
Meliès, Sergei Eisenstein e Dziga Vertov Fritz Lang F. Murnau
Robert Wiese Louis Delluc, Jean Epstein, Sigfried Krakauer e
André Bazin, dentre outros, precisou, após a Segunda Guerra
Mundial, recuperar a sua indústria cinematográfica em termos de
condições materiais de produção. Nesse tempo, Hollywood já havia
produzido textos fílmicos propagandísticos a favor dos aliados,
contando para isso com auxílio governamental[ii],
e os grandes estúdios americanos já garantiam sua grande fatia
no mercado cinematográfico com produtos ideológicos que se
constituíam em veículos do american way of life.
Lary May nos diz que
muitos estudiosos se ocupam de investigar a importância dos
Estados Unidos em termos de poderio militar, econômico e
político sobre outras nações, ao passo que o aspecto cultural –
incluindo aí um viés diplomático – ficou restrito a alguns
estudos especializados e continua sendo pouco explorado. A
força de penetração dos produtos culturais norte-americanos,
durante as primeiras décadas do século XX, foi a razão de
movimentos das elites na França, Alemanha, Grã-Bretanha e
Bélgica contra produtos que veiculam o que deles denominavam
“influências da cultura dos judeus” que se sobrepunham às
tradições nacionais (MAY, 2003). Atualmente, à luz dos debates
sobre a globalização e as trocas culturais é importante
recolocar a questão da indústria cinematográfica hollywoodiana e
seus produtos.
No Relatório do
Desenvolvimento Humano de 2004 – Liberdade Cultural e Mundo
Diversificado -, algumas questões relativas à problemática
da globalização e das escolhas culturais são, sem dúvida, de
grande interesse. Inicialmente, a dúvida se os filmes e produtos
audiovisuais devem ser considerados bens culturais ou
entretenimento. Como bens/produtos culturais, eles são colocados
no âmbito do mercado e propensos às leis de proteção do
comércio; mas também são “símbolos de modos de vida, portadores
poderosos dos estilos de vida e transmitem mensagens sociais.
Podem ter um impacto cultural poderoso. Na verdade são
discutidos precisamente por causa do seu impacto nas escolhas em
matéria de identidade” (PNUD, 2004, p. 97). Tais considerações
inserem-se em uma perspectiva de domínio norte-americano do
mercado cinematográfico, conforme os números apresentados, que
indicam os filmes que ocuparam o primeiríssimo lugar entre
aqueles distribuídos nas salas internacionais. O poder econômico
vale-se de duas condições: primeiramente, os bens culturais são
bens que só podem ser consumidos por intermédio da experiência,
ou seja, a natureza subjetiva de tais produtos determina que
somente após consumi-los é que os consumidores saberão se
gostaram ou não. Com isso, o valor pago por um filme, por
exemplo, não reflete a qualidade; em segundo lugar, os pequenos
produtores não se beneficiam da economia de escala que
caracteriza a indústria cultural.
Para
finalizar...
A informação é uma
imaterialidade que depende de um suporte no qual se inscreva e
uma linguagem pela qual se expresse. Tal suporte e tal linguagem
podem ser de natureza variada e podem determinar, aliados a
outros fatores, as formas de circulação, troca e apropriação
dessa informação e também a sua ação no âmbito do fazer cultural
humano. Falamos de sua ação, porque da depreensão de diferentes
enunciados acerca do que é informação é possível vê-la sempre
“modificando” ou “reforçando” um estado de coisas; “alterando”
ou “transformando” o nosso mapa cognitivo; “reduzindo” o nível
de incerteza, enfim, “afetando” o comportamento de quem a recebe
e a identifica como informação. No entanto, das mesmas
definições de informação concluímos que esta faceta actancial só
é delineável por intermédio de sua materialidade. Daí, ao se
associar à idéia de informação o seu aspecto material podemos
entendê-la como algo de que “necessitamos”, de que nos
“apropriamos”, que “trocamos” como o mundo exterior.
Nesse sentido, não se dissocia, nos estudos informacionais, esta
imaterialidade [informação] daquilo que lhe dá forma e lhe
permite agir: suporte e linguagem. E, da mesma forma, não se
descontextualiza estas formas materiais concretas e estas formas
de expressividade de seus contextos culturais, sociais e
econômicos de produção. Dessa forma, a informação que fundamenta
minhas reflexões está relacionada a essa dinâmica e às condições
de constituição de uma memória (cultural e discursiva) que ela
possibilita.
Entendo que o
remake é um fenômeno que possibilita a constituição de uma
família de filmes e a proposta de um “mapeamento” desse ramo
familiar coloca a questão informacional no âmbito do sistema
interno de vinculação entre as diferentes produções. Outrossim,
a discussão dos remakes sob o pano de fundo das trocas
culturais e construção identitária situa a questão informacional
no nível das discussões que envolvem a globalização e as
políticas de nacionalidade, as questões de mercado e
distribuição dos produtos cinematográficos e o conflito entre a
diversidade cultural e a hegemonia de produtos culturais
norte-americanos. As identidades de resistência de Castells e as
da diáspora de Hall baseiam suas formas de constituição,
manutenção e propagação em elementos culturais identificáveis
como comuns. Se os grupos fundamentalistas norte-americanos
identificam elementos desejáveis em produções fílmicas que
reintroduzem as representações do american way of life, o
mesmo não pode ser dito dos grupos fundamentalistas islâmicos,
para os quais tais elementos representam o poder econômico
capitalista e o projeto religioso protestante; ou mesmo dos
grupos étnicos ou homossexuais que identificam nestas mesmas
produções elementos de uma visão de mundo sexista e
segregatória.
O fortalecimento de
vínculos entre os elementos de um grupo passa pelo processo de
constituição de um campo comum de significação simbólica, dentro
do qual as trocas culturais e informacionais, além dos processos
de identificação, tornam-se não só mais fáceis como quase que
necessárias. Nesse sentido, o empreendimento de aproximação das
questões informacionais, culturais e identitárias em contextos
de mudanças tecnológicas redundou em uma concepção de informação
que inclui o ambiente sócio-cultural de sua produção, circulação
e significação, aqui entendida como as formas de apropriação de
mensagens e artefatos culturais por grupos ou comunidades e a
conseqüente reelaboração ou sedimentação de sentidos que se
efetua nesse processo.
Referências
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texto e a transferência da informação. DataGramaZero, Revista de
Ciência da Informação, v.6. n.3, jun/05.
CASTELLS, Manuel. O poder da
identidade. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
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teoria: um olhar sobre os estudos culturais e pós-modernisno.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
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cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1998.
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JARDIM, José Maria & FONSECA,
Maria Odila. A informação como campo interdisciplinar.
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www.uff.br/neoinfo/artigoinfo.html. Capturado em 24/06/2002
MAY, Lary. Global
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ficcional. In: V Encontro Latino de Economia Política da
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novembro de 2005.
PNUD - PROGRAMA DAS NAÇÕES
UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. Relatório do Desenvolvimento
Humano, 2004. Liberdade Cultural num mundo diversificado.
Lisboa: Mensagem, 2004.
SILVA, Armando Malheiro;
RIBEIRO, Fernanda et al. Arquivística – teoria e prática de
uma ciência da informação. Porto: Ed. Afrontamento, 1999.
[i]
Jardim (2002) nos fala da “explosão da informação”, após
a II Guerra Mundial, que teria transformado o foco da
informação, passando-se a abordá-la como um recurso
estratégico a ser gerenciado.
[ii]
Segundo John Trumpbour em seu livro Selling Hollywood
to the World U.S. and european struggles for mastery fo
the global film industry, 1920-1950, primeiramente o
Departamento de Estado e depois o Departamento de
Comércio auxiliaram os produtores norte-americanos a
exportar seus filmes como produtos econômicos,
subvertendo sua própria natureza e as normas oficiais de
comércio nos países europeus. (MAY, 2003).