A EDUCAÇAO COMO COMPONENTE
BÁSICO PARA DIRECIONAR O TRATAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO
MUNICÍPIO DE SEDE NOVA/RS
Mara Adriane Scheren
Bióloga pela
UNIOESTE Campus Cascavel/PR, Especialista em Gestão Ambiental pela
UNIJUÍ/RS Campus Santa Rosa/RS e Mestranda em Agronomia pela
UNIOESTE- Campus Marechal Cândido Rondon / PR.(Bolsista da Capes) E-mail:
mascheren_pr@hotmail.com
RESUMO
Levando em consideração a Lei para o
gerenciamento dos Resíduos Sólidos e a iniciativa dos prefeitos da
Região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, foi criado o
Consórcio Intermunicipal de Tratamento de Resíduos Sólidos
Urbanos, tendo como um dos objetivos a qualidade de vida. Este
projeto teve a sua viabilidade principalmente com o apoio da
Fundação Nacional da Saúde e a distância dos Municípios
integrantes a sede da Unidade de Tratamento - CITRESU. Os maiores
benefícios com esse projeto foram à reeducação da população na
área ambiental e a diminuição de impactos ambientais.
Palavras
chave: resíduo sólido, CITRESU e Educação
ambiental.
THE EDUCATION AS BASIC COMPONENT FOR
CONDUCT THE TREATMENT OF URBAN SOLID RESIDUES OF THE MUNICÍPAL DE
SEDE NOVA/RS
ABSTRACT
Considering the Law for the management of
Solid Residues of the mayors of Northwestern region of the State
of Rio Grande do Sul, was created the Intermunicipal Partnership
of Treatment of Urban Solid Residues, having the life of quality
as one of objectives. This project had its viability, meanly,
because of the support of the Health National Foundation and the
distance of the municipals, which integrate the center of the Unit
of Treatment – CITRESU. The greater benefits obtained from this
project were the reeducation of the population in the
environmental area and the decreasing of environmental impacts.
Key words: solid residues, CITRESU,
environmental education.
INTRODUÇÃO
Para dirimir a problemática do destino
adequado dos resíduos sólidos urbanos que são a causa de várias
complicações para a população e o Meio Ambiente, surgiu o
Consórcio de Intermunicipal de Tratamento de Resíduos Sólidos
Urbanos - CITRESU, do objetivo dos prefeitos dos municípios de
Três Passos, Bom Progresso, Campo Novo, São Martinho, Crissiumal,
Sede Nova e Humaitá em dar um tratamento e destino final adequado
ao lixo produzido nas suas cidades.
Construído o Projeto
técnico de engenharia e licenciado junto aos órgãos ambientais,
buscou-se junto a Fundação Nacional de Saúde a parceria financeira
para a sua execução. Paralelamente a execução da obra física, foi
desenvolvido um grande projeto de educação ambiental em conjunto
com a mídia regional contemplando os 7(sete) municípios que
possuem um total equivalente a 50 mil habitantes na zona urbana
que se beneficiam com o Consórcio Intermunicipal de Tratamento de
Resíduos Sólidos Urbanos- CITRESU.
Em média 1,5 tonelada por
dia de resíduos sólidos são produzidos na zona urbana de Sede
Nova/RS. Um Município de pequeno porte, situado a 435 Km da
capital gaúcha, com 3.508 habitantes (IBGE, 1991), sendo que
destes 1.473 habitantes são atendidos pela coleta 2(duas) vezes
por semana.
O descaso com a produção desses Resíduos Sólidos
Urbanos geram efeitos nocivos tanto quanto em menor escala do que
numa grande cidade. Sabe-se que muitos distúrbios ocorrem devido a
falta de um destino adequado dos resíduos sólidos, e no Município
de Sede Nova/RS somente há três anos atrás se iniciou a pensar num
destino adequado para os resíduos sólidos.
Se compararmos o
percentual de material reciclável do Município de Sede Nova com
3.508 habitantes, pesquisa realizada em junho e agosto de 1999,
contra os 1.000.000 da capital gaúcha, segundo dados publicados no
jornal Zero Hora do dia 15 de agosto de 1999, vemos que apesar das
diferenças populacionais, o percentual de resíduos sólidos urbanos
reaproveitáveis de um Município de pequeno porte com um de grande
porte se equipara. Demonstrando que se faz necessárias medidas de
reaproveitamento desses materiais.
Segundo dados da FEPAM
(1998), no estado do Rio Grande do Sul, dos 467 municípios 75%
possuem lixões e não tratam seus resíduos, dando em torno de 350
municípios; os outros 117 municípios ficam com um percentual de
25% que se distribuem em 7,5% possuem aterro sanitário, 9% aterro
controlado, 8,5% destinado à reciclagem e compostagem.
A
reportagem do jornal Zero Hora de Julho de 1999, constatou que no
Brasil, 88% dos resíduos sólidos urbanos fica a céu aberto, sendo
somente 0,60% destinado à reciclagem e 0,70% a compostagem Revista
dos Municípios (1999).
No Município de Sede Nova/RS de 1988 a
1995 dos 100% dos resíduos gerados somente 40% passava pela
recolha e tinha um destino de ser abandonado em local inadequado
ou queimado pela população. No período de 1995 à 1998, de todos os
resíduos produzidos pela população urbana, 60% começou a ser
coletado. E no período de 1998 a 2000 o Município passou a Ter
aterro sanitário licenciado pela FEPAM (Fundação Estadual de
Proteção Ambiental) e tivemos uma coleta em torno de 70% Unidade
Única de Saúde de Sede Nova/RS (1988 a 1999).
De janeiro/2000
em diante, 90% de todos os resíduos produzidos no Município de
Sede Nova/RS foram destinados à reciclagem e a compostagem. Os 10%
restantes estão a cargo de campanhas de conscientização ambiental
para alcançarmos um percentual de 100% de resíduos sólidos
reaproveitáveis na zona urbana do Município.
Possibilitando um
destino adequado para o “lixo” produzido a população irá se
reeducar na separação dos resíduos através da coleta seletiva.
Dispensando um cuidado maior para “aquilo que sobra”. Mesmo o
resíduo orgânico que poderá ser utilizado para a alimentação de
certos animais, só que em condições de higiene Müller (1999).
O
lixo orgânico formado por matéria orgânica como papéis higiênico,
restos de alimentos, cascas de frutas, etc.. Esse material passa
por uma esteira para ser melhor selecionado, e o material
propriamente orgânico; é conduzido ao pátio de compostagem, onde
através de um processo físico-químico se obterá adubo para ser
utilizado na agricultura.
O lixo seco ou reciclável como
metais, vidros, certos plásticos, papelão e outros são conduzidos
diretamente para o barracão do “Lixo reciclável”. Onde
funcionários do CITRESU, separam, prensam e embalam os materiais
segundo a sua natureza para ser enviado as usinas de
reciclagem.
Os materiais contaminados originários de casa de
tratamento de saúde como hospitais, consultórios, laboratórios,
etc. Recolhido em separado, este material será conduzido
diretamente para o aterro séptico.
Os materiais considerados
tóxicos, formado por pilhas elétricas, embalagens e restos de
remédios, embalagem de venenos domésticos, lâmpadas fluorescentes,
etc.. e quando chegam ao CITRESU, são conduzidos diretamente ao
aterro contaminado, sendo muitas vezes enviados para campanhas de
materiais tóxicos em outros locais.
Material de rejeito:
formado por certos plásticos, roupas, sapatos, etc. Seguirá para
os aterros próprios dentro da usina.
Assim, o CITRESU, tem o
objetivo de dar um destino adequado para os resíduos sólidos
produzidos nos Municípios do Consórcio Frizzo (1999).
A idéia
do reaproveitamento dos resíduos sólidos urbanos no Município de
Sede Nova/RS passou por um processo de amadurecimento de um ano e
meio. Isso devido à questão burocrática para se firmar o Consórcio
entre os Municípios integrantes Müller (1996).
Sabia-se que a
construção da parte física da obra não seria o entrave maior para
que o projeto funcionasse, pois de posse do apoio financeiro da
Fundação Nacional da Saúde e a parcela correspondente à população
de cada Município do Consórcio, seria concretizada.
Por isso a
comissão que administra o Consórcio, que é formada por cada
prefeito do respectivo Município mais um técnico ambiental, que
age como coordenador Municipal do CITRESU; concluíram que seria
mais adequado a campanha de Educação Ambiental iniciar um ano
antes da data oficial da modificação na separação do lixo. Isso
para conscientizar, educar e informar sobre a Coleta Seletiva, seu
procedimento e importância.
Porque mudar conceitos adquiridos
desde o nascimento para outros bem diferentes, requer um certo
período para se habituar Revista do Professor (1992). E foi nesse
período que se realizou as pesquisas de campo versando sobre
vários itens a respeito da implantação da Coleta
Seletiva.
Pode-se dizer que a população foi preparada aos
poucos, sempre tendo a mão recursos para se integrar no novo
método. Mesmo assim surgiram opositores, que suscitaram a
realização de um abaixo assinado para voltar o método antigo de
recolha de lixo, ou seja, sem estar separado adequadamente.
Mas
tudo foi contornado, e com isso concluiu-se que a população ainda
necessitava de mais informação e conhecimento. Então, foi aplicado
o método de disponibilizar funcionários para que todas as
residências da área urbana fossem visitadas, representantes
Municipais do CITRESU, levando a informação
correta.
MATERIAL E MÉTODOS
O plano de ação do projeto de Coleta
Seletiva foi confeccionado e executado por todos os Municípios
integrantes do Consórcio. Cada integrante do Consórcio participava
das reuniões com seu coordenador Municipal, o qual era o
responsável pelo andamento no projeto de Educação Ambiental no
Município que representava.
Pode-se dizer que na primeira
etapa os sete Municípios trabalharam juntos na elaboração e
execução das tarefas dirimidas, não que se conclua com isso que na
Segunda etapa ocorreu um trabalho individual. Mas cada Município
ficou mais independente para conduzir a campanha após início do
recolhimento do lixo separado, mas sempre em contato com os outros
Municípios integrantes.
E seguindo essa segunda etapa,
primeiramente foi realizada pesquisa direcionada a população
urbana do Município de Sede Nova/RS para saber-se qual o meio de
comunicação mais usado pela população. Então, através deste
resultado para atuar-se na campanha da Coleta Seletiva, levando
informação e conhecimento.
Dia vinte e oito de agosto de 1999,
realizou-se uma “mateada” para oficializar o lançamento da
campanha da Coleta Seletiva, com uma gincana “Reciclar é a melhor
imagem”, valendo um adesivo da campanha para cada dez latas
trazidas por pessoa na gincana.
Foram afixados cartazes em
todos os locais públicos com o símbolo da campanha da Coleta
Seletiva e a frase: “Reciclar é a melhor imagem”.
Realizaram-se
palestras sobre a Campanha em todas as escolas Municipais,
Estaduais e para a população em geral.
Através dos agentes
comunitários de saúde foi distribuído material sobre Coleta
Seletiva explicando a maneira correta para se separar os
resíduos.
Em dezembro de 1999 foram confeccionados os roteiros
da campanha de Coleta Seletiva e também mais panfletos explicando
a maneira correta de separar os resíduos sólidos urbanos. Esse
material foi distribuído a toda população urbana do referido
Município.
Necessitava-se veicular a campanha de Educação
Ambiental através de um meio de comunicação que tivesse alcance a
toda população urbana, que chegasse a informação através desse
órgão de comunicação a todas as classes sociais e em horários que
pelo menos quase todos pudessem ficar de posse das informações
sobre a Coleta Seletiva. Dessa maneira, pode-se observar através
da figura 1 os resultados da pesquisa realizada a esse
respeito.
Figura 1. Meio de comunicação mais usado
pela população do Município de Sede Nova/RS.
Segundo os resultados da pesquisa para
saber qual o meio de comunicação mais usado pela população urbana
do Município de Sede Nova/RS, obteve-se que 44,5% dos munícipes
utiliza o radio como meio de comunicação mais usado.
Como
mostra a figura 1; seguido da televisão, jornal e em último lugar
revistas. Dessa maneira, as campanhas de educação ambiental foram
veiculadas por este órgão, para atingir-se toda a população urbana
do Município.
Tabela 1. Dados Coletados acerca do início da
Coleta Seletiva.
Além da pesquisa realizada acerca do meio de
comunicação mais utilizado pela população urbana do Município de
Sede Nova, também se procedeu a pesquisa para saber-se qual o
nível de aceitação que a Coleta Seletiva estava determinando na
população. Seis meses antes do início da mesma, realizou-se esta
enquete, e os resultados segundo a tabela 1 demonstram que 80% da
população urbana estavam dispostas a aceitar o novo método de
Coleta de Resíduos Sólidos Urbanos. E que 10% dos que responderam
a pesquisa alegaram que era difícil separar o lixo adequadamente,
e 10% dos mesmos entrevistados foram unânimes em responder que
eram adversas a colaborar na campanha de Coleta Seletiva.
No
mesmo questionário sobre as questões já respondidas acima, também
perguntou-se a população o que eles mais necessitavam para
realizar a Coleta Seletiva. Para sanar as dúvidas e obter-se
resultados positivos.
Ponto interessante na pesquisa sobre a
Coleta Seletiva foi a pergunta realizada a população sobre o que
mais ela necessitava para realizar a Coleta. Foi surpreendente a
resposta, pois demonstrou que muitas vezes a população não sabe
bem ao certo o que necessita para auxiliar em campanhas
educativas.
Figura 2. O que a população mais necessita para
realizar a Coleta Seletiva.
Segundo os dados expressos na
figura 2, verificou-se que 50% da população urbana alegou que
necessitavam de embalagem para acondicionar o lixo corretamente.
Após o início da Coleta Seletiva observou-se que o que a população
mais necessitava para realizar a Coleta Seletiva adequadamente era
de motivação e conhecimento. E não embalagem para a lixeira como
mostrou a pesquisa feita antes do início da Coleta. Então foram
concentrados nesses dois aspectos os esforços para que a Campanha
desse certo, em motivação e conhecimento.
O Município
mobilizou-se para dar abertura a Campanha de Coleta Seletiva. Num
evento que contou com a presença de autoridades locais, alunos e
população em geral.
A tabela 2 especifica a quantidade de
população que compareceu no evento onde ocorreu além de
apresentações folclóricas, a gincana “Reciclar é a melhor imagem”.
Valendo um adesivo da campanha em troca de 10 latas em geral.
Tabela 2. Lançamento Oficial da Campanha
de Coleta Seletiva de Lixo em Agosto de 1999:
Como está mostrando a tabela 2, em agosto
de 1999, foi realizado no Município o lançamento oficial da
Campanha da Coleta Seletiva com uma adesão relevante por parte da
população. Juntamente com o Município de Sede Nova/RS, os outros
Municípios integrantes do Consórcio também realizaram o lançamento
da Campanha em seus Municípios, para que tivesse uma repercussão
maior entre os integrantes do Consórcio e também como medida de
trabalho em equipe.
O Município investiu em material para
divulgação da Campanha de Coleta Seletiva, distribuindo adesivos,
cartazes, panfletos contendo roteiros, informações e especificação
dos quatro tipos de resíduos que o Consórcio Intermunicipal de
Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos estaria apto a receber.
Como também investiu palestras e seminários.
Tabela 3. Realização de Palestras e
Distribuição de Material de Divulgação sobre a Campanha da Coleta
Seletiva para a população urbana:
A equipe de trabalho da
Campanha da Coleta seletiva contou com o apoio expressivo dos
Agentes Comunitários de Saúde na entrega de material de divulgação
informativo, que adentraram em cada residência da área urbana do
Município de Sede Nova/RS. Esses disseminadores da Saúde
Preventiva colaboraram para que a informação correta sobre o
método de separação do lixo chegasse a cada cidadão da área
abrangida pela Coleta Seletiva. Sanando dúvidas e conversando com
a população sobra a Coleta.
Foram realizadas palestras
tentando englobar toda a população. Podemos constatar através da
tabela 3 que foram realizadas palestras para a Comunidade em
geral, e que somente 40% da população urbana compareceu, revelando
um alto índice de desinteresse pela Coleta Seletiva alguns meses
antes da mesma iniciar.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos através de pesquisa
anterior ao início da coleta seletiva permitiram concluir que,
quando se manipula o meio de comunicação em massa mais utilizado
pela população e quando se consideram as deficiências em relação a
determinado objetivo que se quer modificar, se alcança o objetivo
almejado.
Dessa forma, os resultados obtidos em pesquisa
anterior ao início da Coleta seletiva revelaram as condições
favoráveis para se obter um resultado positivo como veremos
adiante.
Através dos resultados obtidos em relação à pergunta
realizada sobre o que mais a população necessitava para realizar
adequadamente a separação do lixo, pode-se analisar que não era
bem aquilo que eles consideravam como etapa preliminar para
separar adequadamente o “lixo”, pois os resultados emergiram ao
contrário quando do início da Coleta se comparados aos respondidos
seis meses antes da mesma.
Caracterizou-se de suma importância
a pergunta sobre o que a população mais necessitava para realizar
a Coleta Seletiva, pois possibilitou embasamento para trabalharmos
no ponto justamente mais “fraco”, revelando de que a população
muitas vezes se equivoca, ou se precipita em relação a mudanças de
comportamento e mesmo de métodos.
Os munícipes responderam que
para realizar a coleta seletiva do lixo necessitavam de
embalagens. Após o início da mesma, verificou-se que a própria
população estava “equivocada” quanto a isso. Pois os resultados
pós início da coleta seletiva indicou que o que a população
necessitava de informação e de motivação. Assim, intensificou-se o
trabalho de motivação, informação e ensino de como se devia
proceder para realizar a separação corretamente dos resíduos
sólidos urbanos.
No dia 4 janeiro do ano de 2000 foi iniciado
o recolhimento dos resíduos sólidos urbanos corretamente separados
em lixo orgânico ou úmido, seco ou reciclável, contaminado e
tóxico e enviados ao Consórcio Intermunicipal de Tratamento de
Resíduos Sólidos – CITRESU.
Após dois meses de trabalho intenso
com uma equipe responsável e competente, onde colaboraram no
trabalho alunos das escolas estaduais e municipais, agentes
comunitários de saúde, funcionários responsáveis pela recolha dos
resíduos sólidos e também a população que aderiu de primeira mão
ao novo método; atingiu-se um percentual de 90% de resíduos
separados corretamente para serem enviados ao CITRESU.
Esse
percentual de 90% de lixo separado corretamente deu ao Município
de Sede Nova/RS o primeiro o lugar entre os outros seis Municípios
do Consórcio na separação correta dos resíduos sólidos urbanos.
Para atingirmos esse percentual foi adotado também o método de que
o lixo que não estivesse separado adequadamente seria deixado nas
residências, como medida para se motivar a separação
correta.
Na tabela 3 estão contidas informações sobre o
primeiro dia de recolha do lixo separado conforme especificação em
legislação do CITRESU, em lixo úmido ou orgânico, seco ou
reciclável, contaminado e tóxico. Podemos observar que mais da
metade da população aderiu a Coleta seletiva, deixando “seus
resíduos sólidos” para ser recolhido pelos responsáveis da Coleta
seletiva separados corretamente.
Tabela 4. Resultados obtidos no Primeiro
dia da Recolha do Lixo Corretamente separado, em
04/01/00.
Quando a Coleta Seletiva iniciou um
percentual de 60% da população participou do novo método; ainda um
pouco tímidos devido à mudança nos seus valores culturais,
procuravam sanar suas dúvidas que haviam restado da primeira etapa
do projeto.
Nesse dia 04 de janeiro de 2000 a Administração
Pública ficou evidência, pois foi determinado que os resíduos
sólidos urbanos que não estivessem separados corretamente não
seriam recolhidos pela empresa responsável, até passarem pela
triagem da Coleta Seletiva.
Então, trabalhou-se intensamente em
cima dos 40% que não haviam realizado a separação. E após dois
meses de trabalho conseguiu-se modificar o patamar da tabela 4,
como já foi explanado em página anterior.
Tabela 5. Dois meses após o início da
Coleta Seletiva a recolha do mesmo se caracterizou em:
A
figura 3 proporciona uma melhor visualização da tabela 4 e
5.
Figura 3. Resultados obtidos após dois meses do início da
Coleta Seletiva.
Pode-se constatar na figura 3 que ocorre
uma variável entre os munícipes descontentes e o novo método, mas
que mesmo assim participaram e separaram seus “resíduos
sólidos”.
São cidadãos que tiveram uma certa resistência para
se adaptarem a Coleta Seletiva. Demonstraram resistência, mas
compreenderam quão importante é dar um destino adequado ao lixo
produzido.
No final de dois meses como podemos ver na figura
acima, a resistência baixou consideravelmente. Esses cidadãos
podem ser classificados naqueles que alegaram achar difícil
separar o lixo e que não tinham tempo.
Dessa maneira, o
Consórcio Intermunicipal de Tratamento de Resíduos Sólidos urbanos
- CITRESU, visa o tratamento em separado de cada grupo de lixo
classificado como: Lixo orgânico ou úmido, seco ou reciclável,
contaminado, tóxico e material de rejeito. Essa separação é
realizada através da coleta seletiva em cada Município integrante
do Consórcio. Figura 4.
Figura 4. Os quatro grupos de resíduos
sólidos urbanos que são recebidos no Consórcio Intermunicipal de
Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos- CITRESU.
CONCLUSÕES
Como o título explicitou, a Educação está
mudando conceitos culturais na população do Município de Sede
Nova/RS, pois antes de implantarmos esse novo método para se
efetuar a coleta dos resíduos sólidos urbanos a população não se
preocupava com o lixo que era gerado em suas residências, locais
públicos, hospitais e indústrias. Apenas colocava para ser
recolhido pelo “lixeiro”.
Hoje, já podemos vivenciar uma nova
fase desse padrão cultural, pois todos estamos colaborando para o
reaproveitamento do que geramos.
Temos a plena consciência de
que não foram fáceis os primeiros dias da implantação do novo
método, e mesmo hoje sabemos que enfrentamos alguns problemas,
pois uma percentagem de resíduos não está sendo separada e nem
recolhida pela empresa responsável da recolha. Então, essa
percentagem, sabe-se que deve estar em algum local inadequado
causando prejuízos ao Meio Ambiente e a população.
Estamos
todos empenhados para esse projeto ter pleno êxito, pois queremos
que o nosso município como um todo separe corretamente os resíduos
produzidos por ele para ser enviado a Unidade de Tratamento e
receber um destino adequado.
Sem dúvida este trabalho propiciou
a reeducação da população na questão ambiental através da coleta
seletiva melhorando a qualidade de vida através da higiene e
limpeza da cidade, reduzindo impactos ambientais, diminuição da
extração de recursos naturais intensificando a reciclagem, redução
da poluição atmosférica e visual diminuindo a queima do lixo e a
deposição do mesmo nos aterros e terrenos baldios protegendo
nascentes de água e lençóis freáticos. Contribuindo assim para a
melhoria da qualidade de vida dos munícipes beneficiando a saúde
pública e o Meio Ambiente.
Dessa maneira este projeto terá sua
continuidade após o ano de 2000, para avaliarmos os efeitos
pós-coleta seletiva e tratamento dos resíduos sólidos urbanos já
iniciados.
Tabela 1. Dados Coletados acerca do início da
Coleta Seletiva
Perspectivas para o início da Coleta Seletiva |
Valores em % |
|
População disposta a separar o lixo |
80 |
|
População que considera difícil separar o lixo |
10 |
|
População adversa a colaborar na campanha |
10 |
Tabela 2. Lançamento Oficial da
Campanha de Coleta Seletiva de Lixo em Agosto de
1999:
|
Público que aderiu a Campanha |
Participantes |
|
População em geral que compareceu |
40% |
|
População que não aderiu |
60% |
Tabela 3. Realização de Palestras e
Distribuição de Material de Divulgação sobre a Campanha da Coleta
Seletiva para a população urbana:
|
Palestras e Material de Divulgação |
População Atingida |
|
Escolas Municipais e estaduais |
100% |
|
Palestras para a Comunidade em geral |
40% |
|
Visita domiciliar c/ entrega de material |
100% |
Tabela 4. Resultados obtidos no
Primeiro dia da Recolha do Lixo Corretamente separado, em
04/01/00.
|
Coleta seletiva |
Percentual |
|
Lixo corretamente separado |
60 |
|
Lixo não separado |
40 |
Tabela 5. Dois meses após o início da
Coleta Seletiva a recolha do mesmo se caracterizou
em:
|
Coleta Seletiva |
Percentual |
|
Lixo separado corretamente |
90 |
|
Lixo não separado |
10 |
Figura 01. Meio de comunicação mais usado
pela população do Município de Sede Nova/RS.

Figura 2. O que a população mais necessita
para realizar a Coleta Seletiva.

Figura 3. Resultados obtidos após dois
meses do início da Coleta Seletiva.

Figura 4. Os quatro grupos de resíduos
sólidos urbanos que são recebidos no Consórcio Intermunicipal de
Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos- CITRESU.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
FRIZZO, E. – CITRESU- Consórcio
Intermunicipal de Resíduos Sólidos Urbanos. Projeto Técnico de
Engenharia. Bom Progresso.1999.
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certo na escola. Revista do Professor, Porto Alegre, 8(32): 34-38,
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MÜLLER, J. Educação Ambiental – Diretrizes para
a Prática Pedagógica. Editora FAMURS. Porto
Alegre.1999.
MÜLLER, J. Meio Ambiente na Administração
Municipal – Diretrizes para Gestão Ambiental Municipal. Editora
FAMURS. Porto Alegre. pp 141-143 e 149. 1996.
Um Passeio pela
Ciência que Estuda o Lixo. Revista dos Municípios, Porto Alegre,
pp 31-37, mai/jun. 1999.
UNIDADE ÚNICA DE SAÚDE. Dados
relacionados a cadastros de pacientes. Sede Nova/RS. 1988 a
1999.