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Pereskia aculeata Mill.

Família: CACTACEAE

Nome científico: Pereskia aculeata Mill.

Nome popular: ora-pro-nobis

 

Pereskia aculeata - Alexandre Machado

Foto: Alexandre Machado (@alexandrejbrj)

Pereskia aculeata - Anna - Canto das Flores 3

Foto: Anna Carina Antunes e Defaveri

Pereskia aculeata - Douglas - Canto das Flores 1

Pereskia aculeata - Douglas - Canto das Flores 2

Pereskia aculeata - Douglas - Canto das Flores 12

Fotos: Douglas Mello (Almeidinha)

Pereskia aculeata - Anna - Canto das Flores 4

Foto: Anna Carina Antunes e Defaveri

Pereskia aculeata - Organicidade - Canto das Flores 7

Pereskia aculeata - Organicidade - Canto das Flores 8

Foto: Alice Worcman - Organicidade

Pereskia aculeata - Rachel Nogueira - Canto das Flores 11

Pereskia aculeata - Rachel Nogueira - Canto das Flores 9

Pereskia aculeata - Rachel Nogueira - Canto das Flores 10

Fotos: Rachel Nogueira

Pereskia aculeata - Anna - Canto das Flores 5

Pereskia aculeata - Anna - Canto das Flores 6

Fotos: Anna Carina Antunes e Defaveri 

Barra exsicata

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Pereskia aculeata - exsicata

Foto: Sandra Zorat Cordeiro

Barra verde - características

Pereskia aculeata, o conhecido ora-pro-nobis, é uma espécie de Cactaceae originária da América Tropical, com distribuição contínua do México até a América do Sul, muito conhecida por ser um cacto com folhas, pela sua floração exuberante e por ser uma PANC, com quase todas suas partes comestíveis. No Brasil, ocorre nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul, principalmente em ecossistemas associados à Mata Atlântica (restinga, mata de brejo, mata de planalto e agreste) e em formações rochosas de gnaisse. 

Esta espécie se apresenta como um arbusto ereto, quando jovem, que se desenvolve em uma trepadeira com base ereta, de onde partem, irregularmente, longos ramos escandentes, podendo atingir até 30 m se forem suportados pela vegetação. A partir das suas aréolas, desenvolve acúleos curvos em ramos novos; estes acúleos serão substituídos por espinhos aciculados em ramos maduros, que se tornarão abundantes em toda a planta. Das aréolas também partem suas folhas, verdes, concolores ou suavemente arroxeadas na face abaxial, curtamente pecioladas, de formato elíptico a lanceolado, planas, de base cuneadacarnosas e glabras, sendo decíduas em ramos maduros. Suas flores estão agrupadas em inflorescências axilares ou terminais, muito alongadas, racemosas, tipo panícula, que podem ter até 70 flores. A floração, apesar de abundante, é efêmera, e dura apenas um dia, atraindo muitos polinizadores, principalmente abelhas. As flores são de cor branca a creme, muito odoríferas, pediceladas, com pericarpelo areolado, de onde partem bractéolas suculentas de formato elíptico a lanceolado, semelhantes a pequenas folhas. O perianto possui segmentos delicados e numerosos, de borda translúcida, de formato obovado a espatulado, com muitos estames de cor amarelo-alaranjada, por vezes avermelhados, circundando o estigma branco e lobado. A frutificação, assim como a floração, é intensa. Os frutos, quando imaturos, apresentam desenvolvimento do pericarpelo, que se torna arredondado, com pequena abertura na parte superior, e mantém suas aréolas, bractéolas e, nas axilas destas, acúleos. Ao longo da maturação do fruto, o pericarpelo se torna alaranjado, podendo perder as bractéolas e acúleos, tendo, no seu interior, o pericarpo suculento, com sementes marrons ou pretas.

ora-pro-nobis é, essencialmente, uma PANC, sendo até mesmo chamada de "a rainha das PANC", sendo disseminada, sobretudo, em cozinhas vegetarianas, por ser considerada uma carne vegetal. Seu alto teor nutritivo e cerca de 25% de proteína fazem-na ser conhecida também como "carne dos pobres". Possui alta concentração de fósforo, ferro, potássio, cálcio, magnésio, enxofre, cobre, zinco, boro e manganês, além de fibras. As folhas e os brotos jovens, que não contém espinhos, podem ser consumidos secos e moídos, para enriquecer massas e pães; ou ainda crus, cozidos ou refogados, servindo de recheio para sanduíches ou tortas, e como acompanhamento. As flores jovens podem ser saboreadas em saladas, omeletes ou salteadas puras ou com carne. Seus frutos alaranjados possuem alta proporção de vitamina C, com sabor ácido, sendo utilizados no preparo de sucos, geleias, mousses e licores. 

Na medicina tradicional, o ora-pro-nobis é indicado na prevenção e tratamento da anemia, pela alta proporção de ferro de suas folhas quando consumidas em preparações culinárias. É também recomendado para aliviar processos inflamatórios, no tratamento de queimaduras e sífilis, e como expectorante, apresentando ainda propriedades analgésicas, anticonceptivas e antitumorais.   

Por sua estrutura escandente e espinescente, o ora-pro-nobis é utilizado como cerca-viva e como quebra-vento, sendo muito eficiente na inibição de invasores. Pela facilidade de dispersão das sementes, por conta de seu rápido crescimento e grande capacidade regenerativa, rebrotando a partir de pedaços do caule ou até mesmo de folhas, é também uma planta invasora muito agressiva. Há relatos da dificuldade de erradicá-la em países onde foi introduzida, principalmente no continente africano, tornando-se uma ameaça para a vegetação nativa.  

O nome do gênero, Pereskia, é uma homenagem de Charles Plumier1 ao francês Nicolas-Claude Fabri de Peiresc (1580-1637), advogado, astrônomo, botânico e conselheiro do parlamento da localidade de Aix-en-Provence, na França. O nome deveria ser Peireskia mas, por ter sido publicado2 inicialmente como Pereskia, o Código Internacional de Nomenclatura Botânica não permitiu alteração e o nome continua até hoje. Seu epíteto específico, aculeata, é proveniente do latim aculêus, que significa aguilhão, ferrão ou ponta, em referência aos seus espinhos.

O nome popular, ora-pro-nobis, é uma expressão proveniente do latim e significa "rogai por nós". No folclore popular, a origem do nome, que é bastante curiosa, se deu em Minas Gerais, na época do Brasil Colonial, quando, nas igrejas antigas dos pequenos povoados, era muito comum a utilização da Pereskia aculeata como cerca-viva. Apesar das folhas e frutos serem comestíveis e muito apreciados, contam que os padres não permitiam que fossem coletados, então "ficavam de olho" nos fiéis. O jeito era esperar o padre se distrair durante a missa para poder coletar a planta sem ser visto e, é claro, sem ouvir sermão... Os fiéis ficavam com um olho no padre e outro na missa3, esperando a hora da distração, que era justamente no final, quando o padre rezava um longo canto litúrgico, clamando "rogai por nós". Como as missas eram em latim, a hora do "ora-pro-nobis" era "a deixa" para os fiéis quebrarem o sétimo mandamento e saírem da missa com o almoço... 

O castigo vinha rápido, mas espetar as mãos valia a pena...

 

 

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

 

 NOTAS

 

 

1 - Charles Plumier (1646-1704), monge francês e missionário da ordem Franciscana, considerado o botânico real do Rei Luís XIV: era naturalista e desenhista botânico, e fez valiosas contribuições à descrição das espécies vegetais da América. O nome do gênero Plumeria (como Plumeria rubra) é em sua homenagem.

2 - No Nova plantarum americanarum genera, onde foi publicada a descrição da Pereskia aculeata, em 1703, consta a homenagem ao botânico francês, cujo nome aparece escrito de modo nome correto, mas a nomenclatura da espécie aparece escrita de modo equivocado.

3 - A expressão "um olho no padre e outro na missa" tem origem nas missas que eram rezadas pelos padres em pequenas capelas construídas em fortalezas, localizadas em frente a rios ou mares. As missas eram rezadas em latim, com o padre de costas para os fiéis, (no caso, os soldados da fortaleza), mas de frente a pequenas janelas, estrategicamente voltadas para a entrada ou curva de um rio ou entrada de uma baía. A missão do padre era, além de rezar a missa, avisar aos soldados da aproximação de algum navio inimigo, para que estes voltassem aos seus postos e não fossem pegos de surpresa, assim, os soldados ficavam "um olho no padre, outro na missa".

  

Para se encantar com a ora-pro-nobis:

 

** Nossos agradecimentos pelas belas fotos de Pereskia aculeata no seu habitat natural:

  • à Alice Worcman, do Organicidade
  • ao Biólogo Douglas Melo (Almeidinha) 
  • à Engenheira Florestal Rachel Nogueira, do Horto Municipal Carlos Toledo Rizzini 
  • à Dra. Anna Carina Antunes e Defaveri, do Centro de Responsabilidade Socioambiental (CRS) do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

 

Barra verde - referências bibliográficas

Acta Plantarum. Etimologia dei nomi botanici e micologici e corretta accentazione. Disponível em: https://www.actaplantarum.org/etimologia/etimologia.php. Acesso em: 01 Nov. 2020.

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Carvalho, E.G; Soares, C.P.; Blau, L.; Menegon, R.F.; Joaquim, W.M. Wound healing properties and mucilage content of Pereskia aculeata from different substrates. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 24, n. 6, p. 677-682, 2014.

Cavalcante , A.; Teles, M. Machado, M. Cactos do Semi árido do Brasil: Guia Ilustrado. Campina Grande: Instituto Nacional do Semiárido. 2013.

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