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Cordyline fruticosa (L.) A.Chev.

Família: ASPARAGACEAE

Nome científico: Cordyline fruticosa (L.) A.Chev.

Nome popular: coqueiro-de-vênus, dracena-vermelha

 

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 4

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 7

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 6

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 5

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 1

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 2

Cordyline fruticosa - Canto das Flores 3

Fotos: Sandra Zorat Cordeiro

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Cordyline fruticosa - exsicata

Foto: Matheus Gimenez Guasti

Barra verde - características

Cordyline fruticosa, o popular coqueiro-de-vênus ou dracena-vermelha, é uma planta ornamental nativa da região tropical do sudeste asiático, leste da Austrália e Papua Nova Guiné. Seu aspecto original e visual extremamente colorido acabaram fazendo do coqueiro-de-vênus uma espécie pantropical, com variedades que, ao longo do tempo, deram origem a dezenas de cultivares, distintos na cor, forma e tamanho das folhas, comercializados no mundo todo, muito empregados na decoração e composição de jardins.

A Cordyline fruticosa é um arbusto ereto, lenhoso, que atinge de 2,0 a 3,0 metros de altura. Possui rizóforos*, tanto aéreos como subterrâneos, profusamente ramificados e entumescidos, que funcionam como um órgão de reserva. Seu caule, delgado e ereto, com poucas ramificações, dá à planta um aspecto linear, expandido apenas na extremidade por conta do leque de folhas, que se apresentam com filotaxia espiralada com folhas dispostas em roseta, mas que se mantém eretas, levemente arqueadas; este aspecto faz com que seja frequentemente confundida com uma palmeira, daí o nome coqueiro-de-vênus. As folhas, com até 50 cm, que podem ser oblongas, lanceoladas ou elípticas, são pecioladas, flexíveis, com a borda lisa e com finas nervuras paralelas ao longo da lâmina; possuem grande efeito ornamental e são multicoloridas, com diversos tons de verde, rosa, vinho, púrpura, laranja, amarela, comumente variegadas, dependendo do cultivar. À medida que as folhas caem, deixam uma cicatriz no caule, que, com o tempo, se torna cheio de anéis horizontais. Suas flores, docemente perfumadas, de tépalas brancas ou levemente rosadas, distribuem-se densamente em longas e pendentes inflorescências terminais, tipo panícula, que também contribuem para o uso decorativo da planta. Seu fruto é tipo baga, de cor púrpura, com pequenas sementes escuras. 

Estudos farmacológicos comprovaram que a dracena-vermelha possui propriedades antioxidantes, antimicrobianas, anti-inflamatórias e antitumorais. Na medicina tradicional, o uso popular desta espécie no tratamento de doenças é muito disseminado e recomendado nas suas áreas de distribuição natural (sudeste asiático) e onde foi naturalizada (ilhas do Pacífico). Ela é muito empregada em diversas preparações, sozinha ou com outras plantas, para tratamento de dores de cabeça, febres, feridas, doenças de pele, doenças respiratórias, tuberculose, disfunções intestinais e problemas menstruais. Nestas regiões, é também considerada uma PANC: seus rizóforos são cozidos ou assados e consumidos como doces ou usados na preparação de caldas ou xaropes, devido ao alto percentual de frutose que possuem; por conta disso, são também utilizados como adoçante natural. Ademais, seus rizóforos, tanto como seus meristemas e sementes, são usados na preparação de uma bebida fermentada muito popular e apreciada.

Acredita-se que a Cordyline fruticosa foi levada pelos nativos do sudeste asiático às ilhas do Pacífico e proximidades, até chegar ao Havaí. Nestas regiões, onde começou a ser essencialmente cultivada, tornando-se naturalizada, é popular e localmente conhecida como Ti plant (planta Ti). Em cada uma destas localidades (Bornéu, Nova Guiné, Fiji, Samoa, Nova Zelândia, Havaí, entre outras), os povos nativos passaram a utilizá-la de modo distinto, além da medicina tradicional, revelando uma extensa cultura etnobotânica, profundamente ritualística e religiosa associada à esta espécie. 

Além de usos curiosos, como usar as folhas para embrulhar alimento ou cobrir telhados, a planta Ti é usada, essencialmente, em rituais, para fins mágicos, devido às suas supostas capacidades de comunicação com o sobrenatural. Considerada uma planta sagrada e auspiciosa, ela está presente nas casas, terrenos, altares, santuários e cemitérios, sendo usada dos mais diversos modos (comumente como amuleto, oferenda ou alimento) em inúmeras cerimônias. É muito comum o uso da planta Ti em rituais de iniciação, de cura, de guerra, de caça, exorcismos, noivados, casamentos, funerais, demarcação de terras e fronteiras, plantios, pesca e até mesmo antes de relações sexuais... Sua função ritualística é quase sempre proteger, ou mediar, junto a entidades superiores, pedidos de proteção e boa sorte, atraindo bons espíritos, afastando o mau agouro e espíritos malignos. As folhas de Ti também são usadas tradicionalmente na composição das saias usadas para a prática da famosa dança havaiana, a hula, e nos seus famosos colares, denominados leis. Os colares que usam folhas de Ti são denominados leis dos deuses, já que estas plantas são consagradas a deuses da mitologia havaiana.

Apesar de todos as aplicações citadas, o mais fantástico das folhas de Ti é o seu uso como uma espécie de sandália, amarradas às solas dos pés dos famosos firewalkers: homens que praticam a inacreditável e tradicional caminhada sobre brasas. Os que realizam esta façanha explicam que a imunidade ao fogo é supostamente concedida por espíritos através das folhas de Ti, devido aos seus poderes mágicos de conexão com sagrado. Seja por conta de seus poderes mágicos ou de suas propriedades farmacológicas, existem cosméticos a base de folhas de Ti, usados especificamente para alívio e hidratação dos pés

O nome do gênero, Cordyline, vem da palavra grega kordyle, que significa cordão, em referência ao aspecto usual de seus rizóforos aéreos; o epíteto específico, fruticosa não tem nada a ver com frutos, como parece sugerir, mas deriva do latim fruticōsus, que significa "com muitos brotos", indicando seu hábito arbustivo.

Aqui no Brasil, a Cordyline fruticosa, não é utilizada em rituais; o poder mágico de seus inúmeros cultivares é embelezar, de modo inacreditável, os vasos e jardins que se enfeitam com a sua colorida presença, não é à toa que é chamada de coqueiro-de-Vênus, a deusa da beleza (e do amor) na mitologia romana.

Vênus de Botticelli

Autoria: Sandra Zorat Cordeiro

* Embora a maioria das publicações consultadas reportem a existência de rizoma, tanto aéreo como subterrâneo, uma dissertação de mestrado de 2015, baseada em estudos morfoanatômicos, aponta que os rizomas de Cordyline fruticosa são, na verdade, rizóforos. O link para a publicação está na lista de referências bibliográficas: Sazaki, 2015.

** Imagem: O Nascimento de Vênus, de Sandro Botticelli.

Barra verde - referências bibliográficas

CABI - Invasive Species Compendium. Cordyline fruticosa - (ti plant). Disponível em: https://www.cabi.org/isc/datasheet/11866. Acesso em 03 Mai. 2020. 

Ehrlich, C. "Inedible" to "edible": firewalking and the TI Plant [Cordyline fruticosa (L.) A.Chev.]. The Journal of the Polynesian Society, v. 109, n. 4, p. 371-400, 2000

Ehrlich, C. Special problems in an ethnobotanical literature search: Cordyline terminalis (L.) Kunth, the Hawaiian Ti Plant". Journal of Ethnobiology, v. 9, n, 1, p. 51-63, 1989.

Fisher, J.B.; Tomlinson, P.B. Morphological studies in Cordyline (Agavaceae) II. Vegetative morphology of Cordyline terminalisJournal of the Arnold Arboretum, v. 53, 113-127, p. 1972.

GIBF - Global Biodiversity Information Facility. Cordyline fruticosa (L.) A.Chev. Disponível em: https://www.gbif.org/species/2766278. Acesso em: 03 Mai. 2020.

Lim T.K. Cordyline fruticosa. In: Edible Medicinal and Non Medicinal Plants: Volume 9, Modified Stems, Roots, Bulbs. Dordrecht: Springer. 2015. pp. 327-632.

Missouri Botanical Garden - Plant Finder. Cordyline fruticosa. Disponível em: https://www.missouribotanicalgarden.org/PlantFinder/PlantFinderDetails.aspx?taxonid=282057&isprofile=0&. Acesso em 03 Mai. 2020.   

Quattrocchi, U. CRC World Dictionary of Medicinal and Poisonous Plants: Common Names, Scientific Names, Eponyms, Synonyms, and Etymology. Reimpressão. Boca Raton: CRC Press. 2012.

Sasaki, K.L.M. Estudos morfoanatômicos em órgãos vegetativos de Cordyline fruticosa (L.) Chevalier, C. australis (G. Forst.) Endl. e C. spectabilis Kunth & Bouché. 2015. Dissertação. (Mestrado em Botânica) - Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo, São Paulo. 

The International Cordyline Society. General Information about Cordylines. Disponível em: http://www.cordyline.org/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=28. Aceso em: 03 Mai. 2020.

Vermeulen, N. Encyclopaedia of House Plants. 2ª ed. Lisse: Rebo Productions, 1995. 

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