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Por que um Mestrado Profissional em Ecoturismo e Conservação?

O número de turistas passeando pelo mundo vem crescendo ano a ano. Em 2014, foram aproximadamente 1.135 bilhão de turistas gastando cerca de 1.5 trilhões de dólares. No Brasil, em 2013 foram cerca de 9,5 milhões de desembarques internacionais, movimentando quase 6.7 bilhões de dólares.

Dentre os segmentos do turismo, um dos que mais cresce é o turismo em áreas naturais, comumente chamado de “ecoturismo”. Alguns países, como a Costa Rica e a Nova Zelândia, têm o ecoturismo como a sua principal fonte de renda, contribuindo para a valorização e proteção de áreas naturais e tradicionalmente habitadas, com a inserção de comunidades estigmatizadas, com ampliação da oferta de trabalho e com mais equidade social, uma vez que as oportunidades econômicas se ampliam.

Enquanto isso, o Brasil, um dos países mais ricos do mundo em termos ambientais e culturais, não empreende a atividade de forma planejada na grande maioria das suas áreas naturais, resultando na degradação do meio ambiente e na descaracterização da diversidade cultural brasileira. Os impactos do turismo estão diretamente relacionados com as estratégias de desenvolvimento adotadas, e, especialmente no Brasil, são raros os casos de locais onde o turismo segue algum tipo de planejamento. Quando isso acontece, normalmente, o planejamento adota focos muito limitados, sendo comum que planos de desenvolvimento turístico em áreas naturais se limitem a projetar cuidados para os recursos biológicos, ignorando o caráter sistêmico e complexo do turismo e do ambiente. Consequentemente, o turismo em áreas naturais e/ou tradicionalmente habitadas, em trechos ainda conservados, tem comumente fomentado especulação, empobrecimento, desmatamento, poluição, além de significativas mudanças culturais, modificando a base da economia local, os afazeres cotidianos e as representações do grupo, que não voltam ao seu ‘cotidiano’ nos períodos de menor fluxo turístico.

Nessa conjuntura de territórios e povos cada vez mais transformados, aumenta a importância e, principalmente, a necessidade de estratégias para a compreensão e conservação das diversidades biológica e cultural, assim como de ações. 

O desenvolvimento de processos e práticas aplicados ao turismo para a proteção do patrimônio natural e cultural não encerra apenas uma preocupação teórico- metodológica, mas configura uma obrigação constitucional. A Constituição Federal determina a participação do Estado, em todas as suas esferas, na indução do turismo como fator de desenvolvimento econômico social (art. 180). A essa leitura acrescentem-se a competência material do art. 23, III, de proteção dos documentos, das obras e de outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos. Soma-se também a competência legislativa do art. 24, VII, de proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico. O patrimônio cultural brasileiro e o patrimônio natural e genético possuem determinações específicas, respectivamente, nos artigos 215, 216, 216-A e 225.

Para que os benefícios do turismo sejam potencializados e seus impactos negativos minimizados, o planejamento requer conhecimento e uma perspectiva sistêmica e de longo prazo para a sustentabilidade. Para responder a essa demanda é preciso se ter em mente a complexidade de se realizar um planejamento integrando os diferentes atores, setores e atividades envolvidos no ecoturismo, especialmente diante de um crescente cenário de urbanização da população brasileira, cada vez mais concentrada na faixa litorânea do país. Existe, portanto, demanda por conhecimento e por recursos humanos qualificados para associar o turismo ao processo de proteção ambiental e cultural de forma integrada, participativa e de longo prazo, adequado às aptidões locais, às oscilações do fluxo turístico, caracterizado pela sazonalidade da atividade e, principalmente, pela tendência à retração ao final do ciclo de megaeventos (Rio 20 e Cúpula dos Povos, Copa do Mundo e das Confederações, Olimpíadas, etc.).

Para evitar os problemas derivados da falta de conhecimento científico e de profissionais altamente qualificados para implantar e gerir o turismo em áreas naturais e/ou tradicionalmente habitadas no Rio de Janeiro, em particular, e no Brasil e no mundo, em geral, urge a necessidade de ampliar o conhecimento e de qualificar os profissionais responsáveis por pensar e implementar um turismo que garanta a sustentabilidade ambiental, social e econômica.

Por esse motivo, a UNIRIO submeteu à CAPES em Julho de 2015 uma proposta para a criação de um Mestrado Profissional em Ecoturismo e Conservação. Em 28 de Outubro de 2015, o Comitê Técnico Científico emitiu um parecer aprovando o curso com nota “4” - a mais alta nota possível neste estágio inicial.

O Mestrado Profissional em Ecoturismo e Conservação da UNIRIO pretende contribuir com qualificação em planejamento e gestão do ecoturismo, de modo a que a tomada de decisões ocorra de maneira eficiente, coerente e ética. Visa também o aprofundamento do conhecimento científico sobre ecoturismo e conservação, visto que ambos são igualmente importantes. Nesse sentido, o curso busca contribuir na formação de habilidades, competências e valores que permitam um olhar amplo, multidimensional, interdisciplinar, e que habilitem gestores e planejadores do turismo e da conservação a perceberem as atividades em sua complexidade, pensando e implantando estratégias de manejo que orientem na direção da sustentabilidade.